domingo, 27 de setembro de 2009

"Vivo cantando só para te tocar..."

Patrícia, Débora e eu: show do Marcelo D2

Sílvia, eu, Fê e Talita: Nando Reis!

Pois é queridos leitores...
Quero apenas partilhar essas fotos com vocês...estou sem inspiração.......
O que seria dos nossos domingos desocupados sem esses sites de fotos para passar o tempo, não é?
Aliás, não tão desocupados....descobri há pouco que tenho um trabalho de literatura para ser entregue ainda amanhã...
Preciso mais que nunca fazer um tratamento para memória: ultimamente, a única coisa que tenho me lembrado é que na próxima quinta estaremos frente a frente com o Frei Betto! rs........
Vamos lá...o dever nos chama!
Trabalhando e cantando...como as cigarras.....
Boa semana a todos!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

ANSIEDADE COTIDIANA


Litros de café,
Quilômetros de pensamentos,
Ansiedade.....
Sonhos, insônia, insônia, sonhos...
Pressa, por onde começar?
Diacronia, linguística, seminário, literatura,
Portuguesa, tutorias, pesquisa, espanhol.
Espanhol....
Coeficiente? cursinho popular? tempestade?
Copo d'água?
DNJ.
Ansiedade....
Festas, encontros, desencontros, amnésia , memória excessiva
Ansiedade.....
Amigas, família, amigos, rolos, Frei Betto, primo,
Conta do celular: sem crédito!
Dinheiro - sem.
Sonhos, insônia, insônia, sonho...
Hoje, diacronia, espanhol, espanhol..., DNJ.
Yahoo, com-unic-ar.....
[com...
unic...
ar....]
Ansiedade....
Olhar,
1975,
Sonho.
Ansiedade....
Raiva.
Skoll. Chuva. Amiga.
Deus? Deus! Deus...
Quilômetros de pensamentos,
Litros de café...
Por onde começar?
Pressa.
Litros de café....
Ansiedade.

domingo, 13 de setembro de 2009

Show do Biquini Cavadão!!!!!!!

Valentina, Bruno Gouveia (vocalista do Biquini Cavadão) e eu....
Próxima missão: foto com Sidney Magal...(é brega mas eu adoro, acreditam?)
Show do Biquini Cavdão em Teixeiras....
*
A princípio, estávamos em seis: Valentina, Fernanda, Mari, Camila, Lívia e eu. Lá chegando, nos juntamos a Fernandinha e Camila; ou seja, oito mulheres...imaginem o caos, leitores homens....
Menos de dez minutos depois......
Mari e Fernanda desaparecem.......
Camila e Lívia desaparecem também, ao procurá-las.....
Valentina, Fernandinha, Camila e eu resolvemos ir para o lado esquerdo do parque, a fim de "verificar" o território;
minutos depois, Camila e Fernandinha nos "dão um perdido" e somem também...
*
No fim das contas.......
*
Das oito mulheres com quem estive, no bom sentido da palavra, só me restou uma, por fim: Valentina! kkkk...e essa é parceira!!!!! rsrs
Também encontrei Kamilinha, sempre amiga, durante o show. Partilhamos a cantoria de algumas músicas, inclusive....
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Ficamos na "grade" do palco.......como sempre faço; posso estar acompanhada pelo Jhoony Deep, ou mesmo pelo Bento XVI; não importa.....show é show....é grade, povão, calor humano, multidão, empurra-empurra....pacote completo!
No fim do show, conseguimos tirar fotos com o Bruno Gouveia, vocalista do Biquini Cavadão: um amor de pessoa. Também com o Walmer, o saxofonista, uma gracinha....(graças a Valentina-valentona...)
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Gosto de Biquini...mas há um mistério que venho tentado decifrar sobre eles, há uns 7 anos...
Tem uma música deles, linda, que ouvi num desses cd´s com vários artistas....lembro-me que gostava tanto dela, que a colocava no repeat e ouvia horas e horas seguidas...(tenho feito isso com Beirut , ultimamente....).
*
O cd quebrou, não sei como. Com o tempo, esqueci o nome da música, e nunca mais a ouvi....
Mas ela dizia algo assim:

"Mas eu sei que esse amor...era só ilusão...mas eu sei que essa dor..."

Como podem observar, queridos leitores, trata-se de uma música de dor de cotovelo; meu gênero musical favorito, desde a tenra infância....

Se algum de vocês a conhecerem......seja você leitor assíduos deste Blog, leitor turista ou leitor anônimo...(que me acompanha invisivelmente...), Please: escreva-me dizendo qual o nome desta música misteriosa....tão bonitinha.

Para terminar....trancrevo aqui outra música deles, "Quando eu te encontrar",de que gosto muito também....

Boa semana a todos......


Quando eu te encontrar....
(Biquini Cavadão)
**
Eu não sei o que meus olhos vão querer
Quando eu te encontrar
Impedidos de te ver
Vão querer chorar
Um riso incontido
Perdido em algum lugar
Felicidade que transborda
Parece não querer parar
Não quer parar
Não vai parar
**
Eu já sei o que os meus lábios vão querer
Quando eu te encontrar
Molhados de prazer
Vão querer beijar
O que na vida não se cansa
De se apresentar
Por ser lugar comum
Deixamos de extravasar
De demonstrar
**
Nunca me disseram
O que devo fazer
Quando a saudade acorda
A beleza que faz sofrer
Nunca me disseram
Como devo proceder
Chorar, beijar, te abraçar
É isso que quero fazerIsso que quero dizer
**
Eu já sei o que os meus braços vão querer
Quando eu te encontrar
Na forma de um "C"
Vão te abraçar
Um abraço apertado
Pra você não escapar
Se você foge me faz crer
Que o mundo pode acabar
Vai acabar....

sábado, 12 de setembro de 2009

"Trouxes-te a chave?"





Contemplando estes olhares, intuí o porquê de fato somos imagem e semelhança de Deus: somos seres indecifráveis, encantadeiros e eternos....
Conseguimos nos comunicar no silêncio de um olhar; o mundo das palavras é por demais limitado em comparação com as formas encontradas pela alma humana de se fazer entender....
"Trouxes-te a chave?"

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Semana do Estudante 2009: Grupo JA - Paróquia São SIlvestre

Teatro da Semana do Estudante para a comunidade...
Organização, apoio e assessoria da Semana do Estudante 2009...
Palestra do Murilo sobre a Redução da Maioridade Penal...(para o ensino médio)

com os trabalhos das quintas e sextas séries...
Quinta e Sexta séries: "Violência na escola" (Dani)

Para a galera do PAV: Juventude e trabalho (Fernanda)


Oitavas séries: Juventude em marcha conra a violência (Amanda)


terça-feira, 8 de setembro de 2009

"I love the way you´re breaking my heart"

"I love the way you're breaking my heart
It's terribly, terribly, terribly, terribly thrilling
**
I love the way you're breaking my heart
Although you're gonna ruin it
It's heaven while you're doin' it
**
I love the way I feel when we kiss
You're terribly, terribly, terribly irresistible
**
Sigh to me, and lie to me, you really know how
It's gonna hurt tomorrow, but it feels so good now
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So darling, just keep playing your part
Take your time and really finish the things that you start
'Cause I love the way you're breaking my heart!"
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["I love the way you´re breaking my heart" - da cantora Peggy Lee (1920-2003)....música que não tem saído da minha cabeça...]

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"Cão que ladra....


....não morde" - já dizia o velho e bom ditado.
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"Esse feriado pretendo ficar em casa...estudando...acreditam? Tenho mil leituras para fazer...das disciplinas que estou cursando...da pesquisa...(minha provável iniciação científica, se Deus quiser....) ...coisas para corrigir.......além de leituras extras..de livros que peguei emprestado..e ainda não devolvi..." (FREITAS, Amanda L.:2009).
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É leitor...creio não ter cumprido nem 1% do que me propus! Aliás, leitores...para quem não me conhece ainda, sou uma pessoa naturalmente enrrolada, apesar de ter um bom coração! kkk...isto é, falo demais, e faço de menos! Ao ler o fragmento transcrito do post anterior, ri de mim mesma porque pressenti que não daria conta de fazer tudo isso...nada disso...nem metade....
A minha intuição me avisou previamente....intuição esta que anda super aguçada esses dias, queridos leitores......................mas não vem mesmo ao caso.......
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De qualquer forma, fui ao Flor & Cultura e ao pagode com as meninas aí da foto, a Valentina e a Grampola....foi muito, mas muito legal! ; brinquei como meus priminhos, que estão passando mais uma temporada por aqui....; assisti a um filme lindíssimo, com minha amiga-vizinha Vivian; Também estive na nossa micro-reunião da Equipe Central da PJ....em Fátima....e, também hoje, participei de um bate papo muito bacana com a Daniela e a Fernanda, ambas do grupo de base do qual "participo" aqui no meu bairro... bate-papo que nos rendeu bons frutos......
Olha quanta coisa bonita................
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Também fiquei orgulhosa de mim esses dias....acho que estou conseguindo ser uma pessoa melhor; mais sincera nas minhas relações e comigo mesma. Como sou muito tímida para certas situações, embora não pareça, vez ou outra acabo ficando calada diante de certas coisas apenas para agradar às pessoas....geralmente, às pessoas desconhecidas, aquelas a quem tentamos impressionar o tempo todo. Tenho tentado ser mais autentica, na medida do possível, ainda que isso cause estranheza, às vezes. Tenho tantos defeitos...mas às vezes é preciso deixar que os defeitos falem por si só, defeito que também diz algo sobre mim. Fiquei satisfeita. Espero que consiga levar minha medíocre autenticidade numa boa, ao longo dessa semana que se inícia....... (desabafo interno.....).
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Boa semana a todos!

sábado, 5 de setembro de 2009

CUIDADO: VIRGULÍ....TE!


Esse post tem a função de alertar. Sim leitores! apesar de ser estudante de Letras, tenho um sério caso de virgulíte, isto é, emprego exagerado de vírgulas em lugares desnecessários....Quando escrevo os textos dos Blogs, geralmente os publico sem revisá-los, e na medida que vou lendo (os leio várias e várias vezes,...), vou fazendo as correções....
Só para a gente estabelecer um código aqui, tá?? Eu escrevo os textos, e vocês, queridos leitores, não repararão nas virgulas...com o tempo, irei corrigindo-as....kkk...certo??
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Esse feriado pretendo ficar em casa...estudando...acreditam? Tenho mil leituras para fazer...das disciplinas que estou cursando...da pesquisa...(minha provável iniciação científica, se Deus quiser....) ...coisas para corrigir.......além de leituras extras..de livros que peguei emprestado..e ainda não devolvi...(mas estão bem cuidados, aqui comigo, leitores!! dont worry!). Mas eu duvido que vá conseguir fazer tudo isso...acabei de acordar e já estou na net.....afffffffffff..............
Quero dar uma passada no Flor e Cultura também...um barzinho muito bacana que temos aqui.....
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Segunda temos reunião da Equipe Central da PJ; hoje, reunião do nosso grupo de base para conversarmos sobre a nossa Semana do Estudante.........
Odeio ficar em casa em feriado; bate aquela deprê....aquela vontade de comer besteiras o dia todo, de ficar na net xeretando a vida das pessoas, tomando litros de café....
podia ter ido viajar com meu pai...mas...o dever me chamava...(isso aqui é uma justificativa de auto-burrice...).
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Sobre o Post anterior, para o Cleiton, obrigada pelos comentários...Cléo, Wandinho, Bruninha, Fábio, Yasmin... Depois quero postar umas fotos nossas....Acho que o post ficou bonito...apesar da minha virgulíte, porque foi uma experiencia sincera...fruto de um amor sincero.....
São esses momentos das nossas vidas, essas histórias, que fazem a gente ter vontade de continuar vivendo, né? e acreditar numa tal felicidade...apesar dos sapos que temos que engolir diariamente....das coisas absurdas que a gente vê por aí...e da falta de bom senso de alguns seres humanos.....(deixa para lá!).
***
Enfim leitores...bom feriado! nos vemos por aí!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Cleiton Lelis Lopes Milagres (1988 - 2004)


"Amanda,
Espero que a sua vida seja uma luz
para com que você mesma
possa se iluminar.
Leia e Reflita
Feliz Ano
Novo
Cleiton"
(2004)

A primeira vez que ouvi Cleiton chorando foi numa noite de 1988, na casa de minha avó Maria, em um lugar chamado Tombo da Cachoeira. Ele tinha poucos dias de vida; era tão pequeno, tão miúdo, como nunca havia visto até então, no auge dos meus 3 aninhos de idade. Recordo-me de não entender o porquê de tanto chororô; choro aflito e insistente, como se quisesse voltar para o lugar de onde havia vindo o mais rápido possível, lugar com o qual nunca deixou de ter certo contato...
Lembro-me desta cena com tal perfeição que chego a acreditar que Cleiton e eu construímos uma ligação mística, “espiritual”; destas ligações estranhas que encontramos e tecemos com poucas pessoas ao longo da vida.

Vi Cleiton nascer duas vezes. A primeira delas, da qual falarei hoje, deu-se no dia 1º de setembro de 1988: Há 21 anos nascia Cleiton Lelis Lopes Milagres, meu irmão caçula (embora sejamos primos, na realidade).

Cleiton era filho único, assim como eu; dessa forma, apesar d’eu ter morado na cidade de São Paulo, até os meus 18 anos, e Cleiton, na zona rural do município de Canaã, praticamente a vida toda, nós dois nos tínhamos como irmãos. Quando criança, eu passava meses em Minas Gerais...(maio, julho, dezembro, janeiro); depois, quando entrei na escola, e por fim, já adolescente, sempre vinha aqui nos meses de julho, dezembro, janeiro....tempo esse que foi suficiente para estreitar nossa ligação. Cleiton viveu um ano em São Paulo também; víamos-nos todos os finais de semana, embora ele não morasse conosco.


Vivi bons momentos ao lado desse irmão. Quando pequenos, brincávamos de casinha, comidinha (fazíamos bolinhos de terra, salada e arroz com as flores da minha avó...flores que comíamos de verdade....); brincávamos de carrinho, queimada, “bola”, peteca, velocípede; fugíamos para a cachoeira que havia no campo de futebol, no “Tombo”, lugar “mágico”, da minha infância, onde minha vó vendia chupi-chupi aos domingos...(em Minas vocês falam “geladinho”, né? ou será o contrário?).
Brigávamos muito...muito mesmo. Eu, como “a mais velha”, implicava muito com o pobre, e por qualquer motivo; acho que sentia ciúmes dele, com minha avó, tios, mãe, mundo. Lembro que disputávamos acirradamente o uso de uma velha gangorra de pneu, existente na casa da minha avó; eu, como prima “visita”, e mimada como sou, sempre era privilegiada...rsrs.

Brigávamos porque ele gostava de me imitar; tudo o que eu fazia, ele fazia igual; tudo o que eu tinha; ele também o queria, exatamente igual. Brigávamos para ver TV; brigávamos porque ele não comia a comida toda; brigávamos por que ele era chato e irritante; brigávamos porque eu implicava com o menino; gostáva de provocá-lo e enchê-lo. Brigávamos porque existíamos e respirávamos. Uma vez, bati a cabeça de Cleiton contra a parede com tanta força, que pensei que fosse matá-lo.
Já levei algumas boas broncas também, por causa de meu irmão: havia dias em que o menino cismava em fazer qualquer coisa perigosa, e é claro que sobrava para mim, que levava umas boas chineladas de minha mãe, por “induzi-lo” a fazer arte...

Aprendi muitas coisas com esse menino...e também coisas transmitidas por minha mãe, em razão de nossas brigas e guerras, as quais nunca vou esquecer. Como por exemplo, o respeito que devemos ter para com aquilo que nos é diferente. Uma vez, quando ofendi Cleiton chamando-o de "bichinha"...(coisa de criança...), minha mãe, sensivelmente, pediu que imaginasse como me sentiria se fizessem o mesmo com um filho meu: "um dia você vai ter um filho" - disse ela. Não sei porquê, mas nunca esqueci essa fala, e nunca mais o insultei de tal forma...(mas de outras sim...kk). Coisas de criança...


Foi um período longo, esse das brigas e pirraças; na verdade, quando éramos bem pequeninos, nos dávamos muito bem...éramos como “namoradinhos”, segundo todos. Sempre abraçados, juntos o tempo todo. Depois veio a fase da discórdia, que foi longa, pelo que posso lembrar. Quando Cleiton viveu em São Paulo, brigávamos tanto, tanto....E como era bom, ter com quem brigar, brincar, partilhar a vida.....
Brincávamos de cavaleiros do zodíaco, de subir em árvores; brincávamos de celebrar missas também, rezávamos muito juntos....íamos ao cinema, Mc Donald´s (eu comia o meu lanche e ao dele, kkk), parques....entre outras coisas. Gostavamos de passar cal de parede no rosto também...(quando bem novinhos).

Na adolescência, a fase “trash” cessou; voltamos a ser cúmplices, em algumas coisas, não todas. Nessa época, minha avó morava em São Miguel do Anta, e lembro-me de que passávamos horas e horas conversando, na pracinha da cidade, dando-nos conselhos amorosos. Cleiton ajudava-me com meus “peguetes”; eu, o ajudava a tornar-se menos tímido com as mulheres....kkk. Ainda nos irritávamos muito um com o outro, mas creio que esse comportamento seja particular da minha família, para com aqueles que mais amamos. Nessa época, Cleiton era apaixonado por uma menina linda, chamada Juliana.
Assistíamos filmes até tarde; filmes de terror; também novelas mexicanas.
Mantínhamos contato por cartas, cartões, etc.
No dia 16 de abril de 2002, nossas vidas mudariam por completo. Cleiton sofreu uma crise desconhecida, que quase o levou a morte. Mais tarde, viemos a descobrir que se tratava de um vírus vegetal o qual surgiu na válvula de seu coração, ocasionando um quase derrame. Naquele dia, lembro-me de que acordei assustada ao ter a impressão de ter visto um cadáver, ao lado de minha cama. Mais tarde, recebo a notícia da internação de Cleiton. Foi quando meu castelo caiu, castelo cor de rosa e perfeito que havia construído ao longo dos meus então 16 anos.

Em função da doença de Cleiton, voltei a rezar; na época eu havia terminado a crisma, e estava numa das minhas fases “anti-catolicismo...” kk; fiz a promessa de que se Cleiton fosse curado, passaria a fazer um trabalho voluntário qualquer, alguma “caridade”...(era o que buscava, a princípio). Por meio dessa promessa, conheci a Sociedade São Vicente de Paulo, tornando-me “consorcia” um ano depois, e ajudando a fundar uma conferencia jovem alguns anos depois desse incidente. Milhões de janelas se abriram a partir daquele abril, janelas que continuam se abrindo e que me trouxeram até aqui e me levam diariamente a outros lugares, em contato com mundos próximos e distantes de mim.

Cleiton teve alta. Conversamos por telefone, alguns dias depois; mas eu não consegui dizer nada além de chorar compulsivamente...Depois desse acontecimento, nos tornamos ainda mais unidos. Ao longo dos próximos dois anos, viveríamos momentos inesquecíveis de partilha, amizade, escuta, ombro amigo, e tudo o que imaginarem. Também nessa época nutria uma paixão platônica por um carinha, que também veio a falecer, antes de Cleiton; recordo-me de visitá-lo, acompanhado de meu primo, inúmeras vezes....
Rezávamos muito nessa época. O terço, diariamente. Acreditam? Kkk

Cleiton faleceu no dia 18 de outubro de 2004. Assim que me mudei para Viçosa, a contra gosto, ele foi obrigado a mudar-se para São Paulo, a fim de continuar o seu tratamento. No início daquele ano, meu irmão teve uma recaída, sendo necessário para sua cura um transplante de coração. Cleiton conheceu minha grande amiga Cinthya, cujo aniversário é também hoje, coincidentemente. Mais coincidência, é o fato de que ficou internado no mesmo quarto onde a mãe de Cinthya ficara antes de falecer, vitimada pela doença de Chagas, no INCOR. Hoje Cinthya é médica.
Foi um período difícil. Em função de um sonho que tive numa terça-feira, percebi que Cleiton precisava de mim. Fui para São Paulo, às pressas; ficamos juntos de quarta à sábado à tarde; No domingo, ele veio a falecer. Fui, literalmente, a última pessoa a vê-lo com vida, isto é, a última pessoa a vê-lo pouco antes da sua nova vida.....

A sua vida foi um milagre. A última coisa que Cleiton me disse, antes de partir, foi para que eu fosse feliz, e que tentasse de qualquer jeito. E tenho tentado fazê-lo, desde então.

Cleiton foi um menino sensível; um menino do campo, da roça, da terra, das flores. Branquinho, nerd, usava óculos e falava mansamente sobre as coisas. Gostava de comer omelete. Gostava de biologia...seria um bom biólogo ou veterinário, se tivesse tido tempo. Cuidava dos animais, das plantas, das flores da sua mãe e avó. Tinha uma devoção profunda por seus pais, a quem amou a vida toda. Questionava a pobreza, as situações de violência e exclusão. Detestava cigarro. Adorava um forró...apesar de não saber dançar. Gostava de computador, informática, tecnologia, jogos. Teve em mim o seu primeiro amor; depois a Juliana, pessoa por quem nutriu muito carinho. Seus melhores amigos eram suas primas Bruna, eu, suas amigas de escola...(dentre elas a Raquel, única que conheci...faz Pedagogia na UFV hoje...), Suelen; tinha mais amigas mulheres. Amava seu avô. Amava São Miguel do Anta; mas queria morar em Viçosa, conosco. Gostava de Titãs...(a música Marvin). Dizia que eu seria uma freira escritora, cujo livro , nomeado “Cinco Minutos”, daria-me condição para viajar o mundo. Apresentou-me o Leandro, outro grande primo –irmão. Gostava de cantar no karaokê. Analisava as pessoas, psicologicamente. Acreditava em Deus, e em milagres.

Qualquer dia desses nos encontramremos por aí, "tá ligado?"...