sexta-feira, 30 de abril de 2010

O Leão nosso de cada quinta-feira (Cenas Curtas)

CENAS CURTAS
Protagonistas: Am , Reb, Am com seus botões
Antagonistas: Tay, AD, X, F, o celular, D.V,Gêmeas Exóticas
Participação Especial: Leão
Coro: Tay, Ta, Lala, Reb
Figurantes: Recepcionista (homem), Figurante

CENA I: Alice e o Coelho

AM: - Ai ai (suspiro)....o X bem que podia estar no Leão hoje, né?
REB: - Para que? Para você não fazer nada, para variar?
AM: - Ele é muita areia para o meu caminhão! Ele é perfeito: o sorriso, o olhar, super inteligente, super artístico, charmoso, simpático....
REB: - Você tinha que dar em cima dele....
AM [constrangida]: - Mas eu já dei em cima dele...
REB [constrangida por AM]: - Você tem que dar em cima dele sóbria...
AM: - ah ta....

CENA II: Crise de Bipolaridade


Am com seus botões: - Mando? Não mando? Mando não Mando? Mando? Não mando? Mando não mando? Mando não mando? Mando? Não mando? Mando? não mando? mando? não mando? mando? não mando? mando? não mando? mando não mando?
[30 minutos depois]
Am com seus botões: - Mando? não mando? mando? não mando? mando? não mando? mando!
[ Enviando mensagem...]
O celular: - Envio pendente.
[5 minutos depois]
Am com seus botões: - Ligo? Não ligo? Ligo? Não Ligo? Ligo? Não Ligo? Ligo? Não Ligo? Ligo? Não Ligo? Ligo? Não Ligo? Ligo!
[ligando...]
O celular: - A ligação não pode ser completada...
Am com seus botões: - quebro essa p* de celular ou incinero-o?
O celular: Aviso de mensagem
Am com seus botões: - MENSAGEM!!!!!!!!!!!!
O celular: - Agora você pode ficar famoso participando de um comercial da Oi. Envie seu vídeo para.....
Am com seus botões: PQP!!!

Cor do texto
CENA III: Amigo é Amigo....

Tay: Negrito- E aí?
Am: envio pendente.
Tay: - É porque ta desligado.
Am: - desligado?
Tay: Neurótica!


CENA IV: Movimentando-se
Negrito
Reb: - Olha quem ta ali!
[F aproxima-se sutilmente...]
Am: - Ai...e agora? Ele é um homem interessantíssimo, além de fofo, charmoso...gosto muito dele, mas hoje...hoje é quinta feira....dia do meu mau humor semanal.
Reb: - Então...Sorria e acene...
Am:Cor do texto - Sorria e acene....sorria e acene...sorria e acene...sorria e acene....sorria e acene.....sorria e acene....Cor do texto

CENA V: Alice à procura do coelho no labirinto

Am: - Olha quem ta ali!!!!!!!!!!!!!!!!! O X!!!!!!!!! faz de conta que vamos comprar cerveja....
[Am e Reb entram na fila para “comprar” cerveja]
Am:- Ele saiu da fila, foi ali pro lado...faz de conta que vamos conversar com aquele povo ali, casualmente.....
[Am e Reb deslocam-se em direção a seus conhecidos, assim, casualmente....]
Am: - Ele ta indo embora Reb.....faz de conta que a gente também vai......
[Am e Reb fazem de conta que vão embora]
Am: - Mas ele ta indo para o lado de lá Reb....e agora???
[Am e Reb fazem de conta que não se importam e voltam para a fila a fim de comprar uma torta de frango].

CENA VI: Sofia de buteco, no buteco
Cor do texto
AD: - Oi Am!!
AM: - Oi AD, Oi AN, Oi você que não sei o nome...
AD: - Li seu Blog! Muito legal....
AM: - Você leu meu Blog! Que legal......
AM e seus botões: - “C**, ela leu o meu Blog....”
AM [fingindo na hora rir]: - Você leu o meu Blog???????????

CENA VII: NeuroseNegrito

Coro: - E aí?
Am: - Envio pendente, ainda...
Coro: - É porque ta desligado.
Am: - Desligado??
Coro: - NEURÓTICA!

CENA VIII: O Grande Encontro

Reb: - Quando eu fumo, eu me sinto a Beyoncé...me sinto poderosa, sedutora, acho que os homens estão olhando para mim....
Am: - Quando eu fumo, eu me sinto o Álvares de Azevedo.

CENA IX: The Biggest meeting

Reb: - When I smoke, I feel like Beyonce.....because I feel guys are looking at me....
Am: When Im drunk, I speak English!

CENA X: O Leão
Figurante: - Hi Leão! What´s up?
Leão: - Miau….
CENA XI: Filosofia Mórbida

Reb: - A Beyonce tem a minha idade….
AM: - Quando o Casimiro de Abreu morreu, ele tinha a minha idade.....
Reb: - Você é doida!
[silêncio...]NegritoCor do texto
[tempos depois]

Reb:- Imagina que legal, Beyonce e Alvares de Azevedo, juntos.....
Am: - Se ele tivesse vivo, ele teria uns 180 anos.....
Reb: - Como assim vivo? Se ele tivesse vivo, já teria morrido! 180 anos.......
AM: - Queria ter conhecido ele.....
[tempos depois]
Reb: - Eu me sinto a Beyonce quando fumo.....
AM: - Eu me sinto o Alvares de Azevedo......
Reb: - Pelo menos a Beyonce ta viva...

CENA XII: Crise de Bipolaridade parte II

Am e seus botões
: - Não estou ansiosa, estou ansiosa, não estou ansiosa, estou ansiosa, não estou ansiosa,estou ansiosa, não estou ansiosa, estou ansiosa, não estou ansiosa, estou ansiosa......
Am e seus botões: - Como saber um nome muda tudo né......
Am e seus botões: - Deleto meu Orkut? Não deleto meu Orkut? Deleto meu Orkut? Não deleto meu Orkut? Deleto meu Orkut? Não deleto meu Orkut? Não deleto meu Orkut .
CENA XIII: O Leão (parte II)
Cor do texto
Figurante: - Hi Leão? Do you want a pie ou a beer?
Leão: - Hum…..Miau or not miau? Miau!Cor do texto

CENA XIV: Corporativismo Masculino


Gêmeas exóticas:
- Bom dia! Nós gostaríamos de falar com o D.V. Poderia chamá-lo para nós?
Recepcionista (homem): - Um momento....
Recepcionista (homem): - Alô....Bom dia...Senhor D.V?Cor do texto
D.V: - Yes...
Recepcionista (homem): - Desculpe-me acordá-lo...mas há duas jovens, gêmeas e exóticas, aqui na recepção aguardando você.
D.V: - Yes?
Recepcionista (homem): - Sim. Não tenho nada com isso, mas....se aceitar um conselho, Sr.D.V, advirto que tenha cuidado: me parece que elas gostam de Álvares de Azevedo, e isso quer dizer que estão numa fase depressiva, o que conseqüentemente pode levar a apegarem-se, o que conseqüentemente pode levar ao envolvimento, o que consequentemente pode levar a complicações, o que consequentemente pode levar um homem à loucura.....
....Sr.D.V?? Sr.D.V?? Alô??
D.V: - tu,tu,tu,tu,tu,tu,tu....

CENA XV: Going homeCor do texto


Am e seus botões: - Desligado?

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Giuliano.


Se eu fosse homem, eu faria o meu tipo:
Chamaria-me Giuliano e teria uns trinta e cinco,
Entederia de artes, culinária, futebol, cachaça, mulheres, cinema e discos;
Responderia as suas mensagens, emails, cartas de amor e telefonemas - compulsivamente;
Teria um fetiche por palavras, textos verbalizados ou configurados em prosa, poemas, bilhetes em guardanapos, bulas papais ou de remédio - amórficas, originais, desmedidas, coloridas.
Não teria moto.
Não teria facebook.
Tão pouco eu teria, talvez pelo meu excesso de sinceridade, namorada ou amantes.
Teria um cachorro, uma camisa listrada, um cachimbo, um amor medíocre para recordar;
Uma melhor amiga gostosa, um irmão mais novo a quem eu pudesse me espelhar;
A foto da minha mãe na carteira eu teria,
Também o telefone de um bom restaurante , para às quintas-feiras e um aquário.
Teria um amigo padre, um amigo gringo, um amigo rico, um amigo virgem, um amigo ateu, um amigo gay, e um amigo por quem eu nutrisse uma inveja saudável.
Teria um amigo chamado Humberto...
Teria todas as playboys e seria viciado em roer unhas.
Seria a favor da poligamia, dessas textuais, que agregam gêneros tão dispersos, unificando-os, misturando-os.
Leria Kafka, Saramago, Borges, Machado.
Teria todos os filmes do Almodóvar na estante da minha casa;
E brinquedos, muitos, espalhados pelos quartos, para quando meus sobrinhos chegassem do interior.
Não teria filhos, mas teria uma esperança sincera, dessas que não se pode contar a ninguém,
Nem a ti mesmo, porque são capazes de nos desacomodar.
Seria a favor de que as mulheres tomassem a iniciativa,
E, sobretudo, que nunca esperassem nada de mim,
Nenhum tipo de troca sincera,
Porque eu não saberia quem sou, em meio a tantos eu's projetados nos espelhos por onde passo.
Não saberia quem tu és, porque me recuso cuidar da minha míopia congênita.
Tenho muito medo.
Medo da claridade, medo da morte, medo da minha ex.
Giuliano, eu, seria um homem interessante do meu umbigo.

O Leão nosso de cada quarta-feira


Caipirinha à direita,
Celular à esquerda,
Amigas à frente do espelho do banheiro,
Mensagem pendente:
Ressaca.
Caipirinha à direita,
Celular à esquerda,
Esquerda à vista: movimente-se!
Mensagem pendente:
Ressaca.
Caipirinha à direita,
Celular à esquerda,
À deriva:
Banheiro,
Saudade,
Amnésia recalcada,
Miojo,
Cobertor,
Bafão,
Dia seguinte...
Mensagens esgotadas:
Ressaca pendente.Justificar

terça-feira, 27 de abril de 2010

DIÁLOGO DO MEU DESASSOSSEGO

Para meu amigo Roni
- É Amanda, vai começar o Rebolation...
- Ah Deus, dessa vez eu já tenho conhecimento prévio da coisa; gato escaldado....o Senhor sabe....
- Em verdade, em verdade te digo, minha filha: Bota a mão na cabeça que vai começar.....
- O Rebolation?
- Sim.... e não será bom bom... mas pelo menos não será tão ruim como da última vez, porque agora a senhorita está mais espertinha, não é? eu assim espero....
- Sei....mas.....não há a possibilidade de ficar...bom bom bom?
- O Rebolation -tion ? Em verdade, em verdade te digo: não sei....não depende de mim.
- Ah...é isso que eu temia....
- Mas, uma coisa é certa menina: não fique de fora que vai começar o pancadão....e na vida, minha ovelhinha perdida, é preciso enfrentar as pancadas, aprender com elas, e nunca descer do scarpin....
- Deus!!???
- Em verdade, em verdade te digo: mais vale sofrer de rebolation que nunca ter vivido: Amanda, você precisa aprender a enfrentar as suas angústias, todas elas, porque a partir delas é que você poderá decifrar o enigma da esfinge que existe dentro de ti, minha criaturinha chatinha que tanto amo! Quanto ao scarpin....fica só entre nós!! Eu adooooooooooro!!! é digno!!se eu fosse mulher....
- Deus??? bem...por onde eu começo....?
- Acho que você está indo bem.....adorei a parte do: "desassossego"...(gargalhada celestial). Eu já passei por isso, Amanda, quando mais novo....há mais de dois mil anos....mas, você sabe...eu não tive escolha; na verdade, eu tive sim e não me arrependo dela. A chave está dentro de ti: você tem escolha, muitas escolhas...e é isso que você não deve esquecer nunca.
- Mas...e se eu escolher o caminho errado, como sempre faço?
- Preste atenção: Rebolation é a nova sensação....e tudo o que é novo...amedronta, mas passa....vai passar. E...cá entre nós: será que existe caminho certo?
- O Senhor me assusta! acho que o caminho certo é ser cada vez mais racional, independente do relacionamento....
- Você tem ouvidos? então ouça: esse negócio de racional é papo de gente que não sabe amar ainda, que tem medo de perder. É simples: amai-vos uns aos outros, só isso - Se você o fizer, fica melhor.....se você o fizer....fica melhor.
- Aff....tá bom Deus, obrigada pelo tete-a-tete.....vou acordar agora.....a vida me chama...
- Vai lá ovelhinha!! qualquer coisa tamos na área....Eu te abençôo! vai por mim! quem tá comigo tá comigo! (dã!).
- Tchau Deus...o Senhor fica lindo de vermelho....já te disse isso??
- Obrigada Amanda!! mas não vai ganhar nada me bajulando!! (gargalhada celestial). Quanto à camisa, um amigo me deu....ele adora vermelho, só usa vermelho aliás, e quis me presentar com essa camisa e esse "prada" - que ele sempre veste - em virtude do meu aniversário.....vou apresentá-lo a você, qualquer dia desses.
- Acho que já o conheço, Senhor....
- Ah sim! todos o conhecem, porque ele é parte de nós, como um heterônimo....mas isso é outra história de Sofia....vá lá, filha minha, porque as palavras te esperam.


domingo, 25 de abril de 2010

A CAIXA DE SARA e o 25 de abril...


Hoje é o tão aguardado dia que há de mudar a minha existência, o meu limitado mundo, a minha vida...enfim....alguma coisa qualquer que seja.
25 de Abril de 2010: o fatídico dia que me resgatará da memória, ainda que daqui há anos, o nome da minha mais nova amiga em potencial : Sara, a cigana - moça quem jurou que algo de sobrenatural haveria de me acontecer hoje, neste domingo revolucionário.

Bem, leitores, pelo menos é o que me foi prometido há algumas semanas, em uma conversa reveladora e cheia de misticismo, numa dessas esquinas "sombrias" do Calçadão de Viçosa.

Estou aqui, na minha casinha, aguardando....
Até agora, vejamos as novidades:

hum....consegui estudar ontem, e fui surpreendida (muito, aliás...)com uma coisa não muito agradável, particular do universo feminino cuja descrição aqui, neste Blog, não vos será muito interessante, querido leitor!
hum...recebi a visita da minha prima mais "perigueti": Leandra, esta que tem andado meio "desligada", para não dizer "abobada", devido a uma nova "química" com a qual ela teve contato recentemente...a química do amor!!! (brega? eu sei...)
hum.....ganhamos bolo de chocolate feito por minha mãe....(sim, ainda estou de dieta!).
hum...lavei roupa e escrevi esse post super interessante....
Oh admirável vida pacata essa minha.......
Pois bem leitores! Cá estou, aguardando a minha surpresa do dia, mas até agora.....niente!
.....o que me aguarda , cigana Sara??
Uma revolução pessoal, tal qual a revolução dos Cravos???
Estou ansiosa pela minha surpresa....
Caso nada aconteca, será possível um registro de queixa no procon?

sábado, 24 de abril de 2010

VIOLENTANGO!





Ontem fui prestigiar o som do Violentango, ao lado da sempre amiga e companheira de aventuras Rebeca.
Confesso que fiquei encantadíssima com a performance do "violanquinteto"; talvez pela minha fase "tangueira", regada a muito Carlos Gardel! O fato é que a cada dia que passa o tango me cativa ainda mais, e os meninos são muito bons: música de alta qualidade, dessas que te fazem sonhar ainda que esteja você sentado numa poltrona desconfortável do teatro Fernando Sabino...(para mim a poltrona é desconfortável sim, porque sempre me faz crer que vou cair dela, "esborrachando-me" ao chão, a qualquer momento. Neuras...).
O show foi para todos os gostos: os caras apresentaram obras mais conhecidas, como "El Choco", "La Cumparsita" - revestidas por uma roupagem ousada e "moderna", além de obras não tão conhecidas apresentadas à luz da energia e do virtuosismo próprios do tempero argentino.
Violentango é o resgate do clássico através do contemporâneo; é a fusão da tradição "tangueira" às inovações trazidas pelo tango moderno e suas possibilidades: excentrencidades instrumentais, diálogo com outros ritmos e tipos musicais, etc.
Nunca imaginei, por exemplo, o tanto que uma boa percussão poderia acrescentar ao tango. Para mim, leiga, eram coisas inconciliáveis; no entanto, Santíago Córdoba destaca-se no grupo por combinar tão bem estes minusciosos intrumentos de "acompanhamento" à audácia e imponência do "bandoneón". Quanto às guitarras, estas são sedutoras....(perceberam a ambiguidade, leitores?)
Os integrantes da banda não passam dos 30 e poucos anos; o que sugere-nos que experiência e talento não estão necessariamente atrelados ao fator tempo. Os caras são compositores e empresários, além de músicos....
Comprei o album "Buenos Aires 3. A.M"; estou digerindo-o aos poucos, desde ontem de madrugada. Ainda não consegui desconectar-me da faixa 7 do cd, que conta com a participação do violonista Camilo Córdoba, faixa cujo título é "Napoleon." Há duas milongas lindas, sendo a que mais gostei, até então, intitulada "Milonga de Mis Amores". Para mim, ela tem um tempero mais brasileiro que argentino, aproximando-se um pouco do nosso Baião.
Vale a pena conferir! Assim que descobrir como colocar vídeos em BLOGS (se algum leitor querido se dispor a me ajudar, agradecerei....), postarei alguns vídeos do Violentango aqui. Estes "hermanos -tangueiros- argentinos", além de muito talentosos, são guapíssimos....(mucho -mucho..jajaja....) - logo, merecem um espaço no Sofia... (rsrsrsr).
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No mais...um sábado típico: organizando as tarefas da minha iniciação, lendo alguns Blogs, discutindo pela terceira semana consecutiva com meu pai....motivo? o de sempre, desde Adão e Eva: sexo, drogas e Rock and roll. Mas um de nós há de ceder em breve. Pena que esse "um de nós" há de ser eu: ovelha negra, mal educada, temperamental e, sobretudo, desempregada (agravante sócio-real) da família.
Bom fim de semana, queridos!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dicas Alfabéticas Da Amanda: LETRA J

Eu recomendo!
JORGE - O SÃO.

JOSÉ SARAMAGO


JAVIER BARDEM


JANTAR UM TROPEIRÃO...(não tem preço!)




quinta-feira, 22 de abril de 2010

Eu, eu mesma e o alfabeto

Hoje conversei com o meu médico, Dr. H.; vou tentar a partir de agora dar um jeito na minha vida, que estava beirando o caos. Começarei dormindo cedo hoje e fazendo alguma lista qualquer que diminua a minha ansiedade e a minha falta de fé nas coisas práticas e que dependem exclusivamente do meu esforço. Sofro.
Estou feliz. Hoje também conversei com o G., meu orientador. Leituras atrasadas, muitas....mas sempre ganho um incentivo no final das contas....o que me deixa ainda mais feliz; saber que sempre há tempo de me organizar....e comer um chocolatezinho.
Também recebi uma ligação da minha prima L, perguntando-me se poderia vir aqui domingo. Meu espírito casmurro instantâneamente pensou nas mil leituras...mas, deixei passar, darei-me o presente da sua companhia e de suas loucuras....(sim, esta minha prima é uma louca....).
Preciso me reconciliar com F e R, M e P, ou, se preferirem, M e N - mas, insisto em despi-los, ação ilegal diante do código moral "Pais e Filhos": é preciso aceitá-los como são. Ninguém gosta de se ver nu diante dos filhos e dos vizinhos.
Recebi uma mensagem de....D.V; fiquei com saudade....muitíssima, saudade inter-estadual e cheia de superlativos....
É muito bom ser lembrada, ainda mais por quem nutrimos não só uma espécie de queda, pero uma depressão inteira....(no sentido geográfico-poético da coisa....capiche?)
Sendo assim, esta foto retrata bem aquilo que sou, fui e sempre hei de ser: é a denúncia sublimada dos meus primeiros indícios de mau humor, pirraça, cólera, inibidos pelo meu charme, presença de palco, doçura, licença poética clandestina e originalidade.....
Eu tenho borogodó. (Espírito Beyonce: vem!!).
Falando em original, ontem, no F & C, soltei a voz ao lado das amigas R. e L. cantando "Mania de Você". Resultado? admiradores e uma ORIGINAL!! De fato, uma maneira original de se ganhar um drink!! Gosto de cantar, muitíssimo...embora não tenha voz....aprendi a gostar de cantar na época da banda H e das minhas adolescentices agudas bem aproveitadas. Superfície também é pele.
F. estava no F & C...lindo, lindo....com aquele ar charmoso de "não estou nem aí para você", "sou superior, minha querida"; "Viva lá revolucíon". "F" nem sabe que existo....vive por aí, com sua bandeira vermelha e seu prestígio de esquerda - de tão doce. E eu que ainda insisto em ser simpática? deixe estar...
Mas meu coração não é tão generoso; seu espaço é limitado....o que faço é observar as tais cores de Almodóvar....e pensar no próximo semestre.
Sigo, mal humorada, mas com um pouco mais de vontade de cantar - o que já é um bom começo tal qual o início de qualquer alfabeto. Amanda: conhece-te a ti mesma? Não.....
Espero ter tempo para fazê-lo; e fazê-lo bem.
Amanhã: VIOLENTANGO....
É preciso violentar-se vez ou outra. Por 15 reais, em se tratando de Viçosa, chega a ser um abuso não sexual.
ARTE: TANGOPAGODESERTANEJO!
Apesar da crônica vontade de sambar, fico com os argentinos.
(*Saudade aguda do C-D-V....).

quarta-feira, 21 de abril de 2010

"Viver é perigoso"

"Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difí­cil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra."
(Guimarães Rosa)


Falar da Julya é sempre difícil, porque é também falar de mim e das nossas conversas sobre a vida e o inexplicável; conversas sobre sexo, morte, Teologia da Libertação, Hebert, Julya e também Julya, Hebert, ele e eu.
Liberdade é, a meu ver, a palavra que define melhor esta minha amiga; liberdade de escolha e de se fazer sempre presente na vida do outro; liberdade de apostar tudo no lado bom da moeda; liberdade com o olhar...olhar que liberta, olhar que ainda me liberta, apesar deste ter me cativado para o todo sempre...

Conhecemo-nos numa missa na Paróquia São Silvestre. Julya era, até então, aos meus olhos tão necessitados de rótulos e superficialidades, uma patricinha chatinha: sempre vestida de rosa e acompanhada pelas amiguinhas não menos frescas. A menina não me inspirava muita simpatia; mas, algo me chamava atenção na moça, sendo este algo uma corrente assustadora que ela trazia consigo no braço. Julya era carismática e tornara-se carismática após um longo período de militância na Pastoral da Juventude. Na época, isso não fazia muita diferença para mim, já que estava ainda num processo de “namoro” com a Pastoral da Juventude....mas, a corrente me intrigava e um dia perguntei a ela o porquê de tal adereço, tão disforme e que em nada combinava com suas roupas pinks e sua tez rosada.


Tratava-se, se bem me recordo, de uma corrente de uma tal congregação chamada “Escravas de Maria”. Julya ingressara nessa congregação, leiga, e a corrente era um símbolo de compromisso para com Maria, um despojamento tal qual o do “escravo”, no sentido de devoção e servidão eterna. “Estranho....” pensei...que liberdade é esta que aprisiona? Que não me mostra escolha? Que me faz usar uma corrente dessas? Não lembro, leitor, o que disse a menina; espero não te-la ofendido, porque sou muito limitada em certas ocasiões, com a minha fala e minha postura de “amiga”. Mas, seja lá o que eu disse a ela, alguma coisa aconteceu a partir de então.

Reencontrei Julya após este incidente numa missa, porque no início de nossa amizade, só nos víamos assim, e, surpreendi-me ao notar a ausência da tal corrente. “Eu pensei no que você me disse, e acho que você tem razão: eu não preciso dessa corrente”. Naquele instante, Julya Victor acabara de me libertar de uma das minhas prisões mais obscuras; e a partir de então, nos tornaríamos amigas.

TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

Eu acabara de chegar em Viçosa, e havia caído de pára-quedas na Pastoral da Juventude, no grupo de base e simultaneamente na coordenação regional. Não conhecia muita gente, mas já sentia uma deliciosa afinidade por algumas pessoas que muito me lembravam meus amigos Vicentinos, tão subversivos e amados. Julya me contava suas histórias, me emprestava sua Bíblia, seu adesivo da Pastoral da Juventude; falava das pessoas que eu haveria de conhecer, dentre elas, por exemplo, um tal rapaz com “boquinha de morango” que era o mais “gatinho” de toda a PJ, sendo o seu único “defeito” o fato de ter namorada..... “mas é lindo, Amanda!!...você vai ver só!!!!”

Eu não conhecia a Teologia da Libertação. Em São Paulo, durante os anos que fui Vicentina, deparei-me com um grupo de jovens e de pessoas que viviam essa experiência libertadora, que muito me tocava, mas eu não entendia isto como uma escolha eclesial, achava que era uma característica espontânea daquele meio...não sei.
Meus amigos usavam o anel preto; o anel de tucum. Sempre quis um anel daquele, embora só conhecesse o seu simbolismo de amizade...esperei dois anos para ganhá-lo de um dos meus amigos - porque reza a lenda que este anel deve ser recebido como um presente e nunca comprado. Eu sentia muita vontade de ter um anel daqueles – embora não soubesse o porquê. Nunca ganhei o tal anel.

Julya me falava de Frei Betto, de política, de Leonardo Boff.....Julya, que era carismática e que ao mesmo tempo sonhava em integrar o Fé e Política no futuro, me apresentava a militância....seria possível? Sim, seria! Depois de dois anos de amizade, nos prometemos, durante o curso de extensão APOENA, que faríamos parte do Fé e Política juntas! Éramos fãs, aliás, “somos” fãs incondicionais da Graça Andreatta, nossa tutora para assuntos políticos e de cunho "feministico" (saudade da Graça...).

Sendo assim, com o seu jeito manso e profundo, Julya me mostrou o que era PJ, CEBS, forania, região, arquidiocese...Dom Luciano Mendes de Almeida.......aos poucos, ela abandonara o tom rosa e passou a vestir-se com outras cores, tão bonitas quanto, como o preto, o vermelho, o branco – aos poucos, Julya tornou-se um mulherão aos meus olhos, e aos olhos de todos a quem ela delicadamente acolhia em sua vida.

HORIZONTE DISTANTE

Julya nasceu cega. Não havia perspectiva de que voltasse a enxergar; mas ela voltou. Sempre que ouvia a música “Horizonte distante”, dos Los Hermanos, me lembrava dela. Nossa amizade foi bem particular; nunca saímos juntas, por exemplo. Sempre tentávamos combinar..mas simplesmente, nunca dava certo. Nós nos encontravamos casualmenente. Na Pastoral da Juventude, na lotação, nos churrascos e festas dos amigos; eu à visitava, algo que adorava fazer; já ela, nunca me retribuiu uma só visita. Emprestávamos coisas uma à outra. Ela me empretou o cd da Rita Ribeiro, este que não devolvi; eu não a emprestei o cd da Sara Bentes, porque esquecia de pegá-lo em meio a minha bagunça. Julya cantava, como um passarinho. Eu emprestei a ela uma linda saia que foi usada por minha amiga num festival de música em Viçosa.

Julya queria formar-se em fisioterapia e trabalhar na roça. Para mim, ouvir isso dela foi a consagração da minha admiração pela moça, que queria trabalhar pelo pobre e pelo oprimido, por tudo aquilo que na época eu acreditava – e que ainda acredito, apesar da minha fase “arroz de festa”. Julya me apresentou a Escola Família Agrícola também...e os trabalhos da extensão rural. Julya foi a minha amiga "humanizante", aquela que me deu o meu primeiro anel de tucum, ainda que através das mãos de outrem.

Julya acompanhou o meu pré-namoro, o meu namoro, a minha crise do namoro, e, pelo que sei, foi informada no carnaval de que o meu namoro havia terminado. Não tivemos tempo de conversar sobre isso, o que talvez tenha sido uma boa tática de Deus. Ela acompanhou a minha crise de bipolaridade, os meus aniversários, os nomes dos meus filhos – Julya e Hebert. O meu lítio diário de cada dia, a minha leitura teológica das coisas.

Eu acompanhei o início do namoro dela com o Hebert, e todo o desafio que isto implicou. Um homem mais velho, de outra religião, que já havia sido casado, com filhos...com outra realidade. Conversamos muito. E fico feliz pelas escolhas que minha amiga fez.
Eu também acompanhei o seu remédio para Lupus, tão necessário de cada dia quanto o meu Lítio. A diferença é que o remédio dela a fazia emagrecer, diferente do meu Lítiio...
Éramos mulheres ansiosas.
CORES

Julya faleceu no dia 02 de março de 2009 em Belo Horizonte, atropelada por um carro, no dia da minha conversa "fatídica" com o meu ex namorado - o rapaz da boca de morango. Nunca soube como acontecera de fato.
Julya deixou uma legião de amigos, um noivo, uma família linda, uma formatura e carreira brilhante e muitas cores, muitos mundos novos que ela nos apresentou.

Hoje senti uma grande necessidade de falar sobre esta amiga, porque a sinto perto de mim, e diante das situaçãoes as quais tenho vivido, gostaria de senti-la ainda mais próxima.
Passamos tanto tempo na vida à mercê de uma série de convenções, de tabus, de correntes, de preconceitos e simplesmente esquecemos de viver. Pode ser que não dê tempo de mudar a rota desta travessia: morrer com a palavra presa na garganta não há de ser bom...
Apesar dos 20 poucos anos com que nos deixou, Julya viveu intensamente.
Eu, às vezes me acho tão quadrada, tão medrosa, tão negligente, sobretudo comigo mesma, que percebo uma corrente ainda no meu pulso, precisando ser rompida, mas não sei, ainda, como fazê-lo.

....a vida é tão bonita..
.amar é tão bom....
estudar...trabalhar...crescer.....sofrer....ganhar....perder.....
ter amigos...família....segredos.......é preciso que mais gente tenha acesso à vida e a toda a liberdade que a Julya me trouxe.
É preciso mudar o rumo da prosa, da travessia deste sertão; mudar o nome da morte, das coisas e das pessoas se for preciso; mudar o nosso próprio nome (minha amiga mudou seu nome pouco antes de falecer, de Julyan Victor para Julya Victor).
Mudar o olhar, o tom, a roupa velha.

Julya faz aniversário dez dias depois do meu: 20 de novembro de 1985.
Enquanto eu tiver vida, quero contar aos meus filhos – não mais Julya e Hebert, obviamente – do quão privilegiada eu sou por ter conhecido muita gente boa, gente de garra, com um pé no chão e outro nas estrelas....
Julya é essa amiga - rosa, branca e negra - que tanto amo e sempre (se é que o sempre existe) vou amar.
Esteja bem, moça...e se tiver um prazo, em meio as suas aventuras estrelares, cuidando dos pobres e oprimidos de Deus...mande -nos uma mãozinha....estou precisando bater um papo sério contigo....Amém.
*********************
Para Julya....

"Por onde vou guiar
O olhar que não enxerga mais
Dá-me luz, ó Deus do tempo
Dá-me luz, ó Deus do tempo
Nesse momento menor
Pr'eu saber seu redor
A gente quer ver Horizonte distante
A gente quer ver Horizonte distante
Aprumar
Através eu vi
Só o amor é luz
E há de estar daqui
Até alto e amanhã
Quem fica com o tempo
Eu faço dele meu
E não me falta o passo, coração
E não me falta o passo, coração
Avante
A gente quer ver
Horizonte distante
A gente quer ver
Horizonte distante
Aprumar..."
(Horizonte Distante - Los Hermanos - Marcelo Camelo)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Prometeu-se....




"O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.


O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.


O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.


O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.


O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.


O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça,


meu medo da morte."


(João Cabral de Melo Neto - Os três mal amados).

domingo, 18 de abril de 2010

Doutores do Amor....




porque é preciso amar...

e amar sem medida...


sábado, 17 de abril de 2010

Ogra em apuros! (parte I)

Meu Deus! eu sou uma ogra...esta é a minha identidade original. Já posso morrer. THE END.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Poética da Libertação....


Brasil Com P
Composição: GOG
Pesquisa publicada prova
Preferencialmente preto
Pobre prostituta pra polícia prender
Pare pense por quê?
Prossigo
Pelas periferias praticam perversidades parceiros
Pm'sPelos palanques políticos prometem prometem
Pura palhaçada
Proveito próprio
Praias programas piscinas palmas
Pra periferia
Pânico pólvora pa pa pa
Primeira página
Preço pago
Pescoço peitos pulmões perfurados
Parece pouco
Pedro Paulo
Profissão pedreiro
Passatempo predileto, pandeiro
Pandeiro parceiro
Preso portando pó passou pelos piores pesadelos
Presídio porões problemas pessoais
Psicológicos perdeu parceiros passado presente
Pais parentes principais pertences
Pc
Político privilegiado presoparecia piada (3x)
Pagou propina pro plantão policial
Passou pelo porta principal
Posso parecer psicopata
Pivô pra perseguição
Prevejo populares portando pistolas
Pronunciando palavrões
Promotores públicos pedindo prisões
Pecado!
Pena prisão perpétua
Palavras pronunciadas
Pelo poeta Periferia
Pelo presente pronunciamento pedimos punição para peixes pequenos poderosospesos pesados
Pedimos principalmente paixão pela pátria prostituída pelos portugueses
Prevenimos!
Posição parcial poderá provocarprotesto paralisações piquetespressão popular
Preocupados?Promovemos passeatas pacificasPalestra panfletamosPassamos perseguições
Perigos por praças palcos
Protestávamos por que privatizaram portos pedágios
Proibido!Policiais petulantes pressionavam
Pancadas pauladas pontapés
Pangarés pisoteando postulavam premios
Pura pilantragem !
Padres pastores promoveram procissões pedindo piedade paciência
Pra população
Parábolas profecias prometiam pétalas paraíso
Predominou o predador
Paramos pensamos profundamente
Por que pobre pesa plástico papel papelão pelo pingado pela passagem pelo pão?
Por que proliferam pragas pelo pais?
Por que presidente por que?
Predominou o predador
Por que? (3x)

domingo, 11 de abril de 2010

- Eu sei o que você fez no fim de semana passado!




Para quebrar o clima melancólico, vou postar algumas fotos deste fim de semana.
Assim que receber as fotos do nosso treinamento para Drs. do Amor, postarei aqui.
Esse fim de semana foi bem, bem puxado....fui obrigada a ficar em casa fazendo um trabalho que pretendo entregar amanhã...(Não me lembrava do tal!!!!fui me dar conta disso sexta à tarde!!!).
Não fui à reunião da PJ, não fui à reunião do JA, não fui ao cine carcará; não fui à Nicoloco; mas, como sou filha de Deus, fui à festa à fantasia e ao Flor e Cultura....e foi tudo muito bom.
Sinto-me culpada por não dar conta das minhas obrigações...mas.....não sei como me organizar mais, acho que é patológico........(sério).
Essa semana será o caos leitores...O CAOS!.....mas vamos lá...o dever nos chama......
Saramago me chama....
Amanhã, terei o meu primeiro dia de estágio...quero só ver.....hehe.....vou atender a crianças de 7 anos....eu e minha santa paciência....!!

Boa Semana caótica, leitores!

O GIRASSOL

A Rodolfo Stanciole Lopes
20/04/76 - 11/04/2003
O desencontro
A primeira vez em que o vi eu tinha quatro anos de idade. Lembro-me que foi através de um retrato pendurado à parede daquela casa na roça, casa que eu tanto gostava, por ser cheia de vida e de vozes alegres.
Era uma casa especial, onde as pessoas iam para dançar, para rir, para contar causos, para ouvir a seresta. A minha avó, tão sofrida, há muito não vivia tal espírito de alegria em sua casa; íamos lá, então, minha mãe e eu, quando desejávamos conversar com aquela senhora falante, a qual me nomeara sua futura nora, futura esposa de seu filho mais jovem, que na época devia ter lá os seus...13 anos.
“- Você quer casar com o Rodolfo?” – perguntou-me certa vez, na frente do meu futuro noivo em potencial; apesar da minha tenra idade, eu queria me casar com ele sim, estranhamente, ainda que não entendesse bem por que e nem o porquê das pessoas grandes se casarem.
O menino ria, com seus amigos, e conseguia ser ainda mais lindo quando o fazia. Ele é, sem dúvida, o homem mais belo que já vi até hoje, com meus 24 anos.
Havia dias, na roça, em que me debruçava no parapeito da janela à espera de que ele passasse de moto, à caminho de casa, ou da “rua”, junto de seus irmãos. Uma vez, quando soube que nossa casa da roça, casa de minha avó, seria vendida para meu tio, pirraçosamente sentei em frente à porta que dava para a sala de visitas e chorei, chorei, como menina mimada que ainda sou. O rapaz, bem naquele momento, passa por mim junto de seus irmãos e me cumprimenta.
Afilhado de minha mãe, sobrinho do ex namorado de minha mãe, um primo distante, e sabe-se lá mais o quê, Rodolfo foi o meu primeiro amor. Havia também o Yuji – o japonezinho fofíssimo por quem nutri, simultaneamente, uma amizade colorida ao longo de toda a infância até a pré-adolescência. Digamos que ambos foram os meus primeiros amores, cada um a seu modo e sotaque: Rodolfo era o amor distante; o amor das Minhas Gerais, enquanto Yuji era o meu “amor” paulista e melhor amigo. Em se tratando de cronologia, Rodolfo chegara primeiro.
Ao longo dos anos tivemos pouco contato. Sabia de suas namoradas – sentia ciúmes- de seus planos, de seus irmãos e irmãs – sempre por intermédio de minha mãe, sua madrinha. Um dia, em 2001, estava com o Cleiton em uma lanchonete quando me deparo com Rodolfo, sendo que há anos não nos víamos. Houve uma “intensa” troca de olhares, o que me deixara muito, mas muito feliz, além de trazer à tona uma série de lembranças...boas...do meu “Tombo da Cachoeira”, que nesta época já havia mudado de tom...(mas ainda era especial).
O encontro

No dia 16 de abril de 2002, descubro que meu primo Cleiton estava internado em função de uma doença desconhecida. Neste dia, lembro-me que havia sonhado com um castelo antiqüíssimo que desmoronava diante dos meus olhos; após a queda da antiga construção, surge em minha frente uma mata virgem e o sonho se torna colorido (porque até então ele era preto e branco). Ao acordar, de olhos abertos, viro para um lado e tenho a impressão de ver um cadáver de uma mulher deitada ao meu lado. Grito minha mãe. Penso que este castelo era a minha vida que, a partir daquele dia, desmoronaria a fim de tornar-se nova, como o campo que me foi mostrado. O cadáver, sem dúvida, era eu – que estava prestes a viver a minha primeira morte (primeira de tantas outras...).
Este período da minha vida foi um período muito místico, em que muitas coisas estranhas aconteceram, mas que não entrarei em detalhes aqui. Nunca mais tive uma intuição tão forte e uma sensibilidade tão aguçada como neste período de 2002 a 2004 – e eu precisava daquilo, porque estava distante “deles.”
Pois bem, tudo isso para dizer que em julho daquele ano, ao vir visitar meu primo em Minas, o Cleiton, soube que , coincidentemente, no mesmo dia em que meu primo passara mal, Rodolfo fora diagnosticado com uma doença sangüínea depois identificada como uma leucemia linfóide aguda. 16 de abril de 2002.
Lembro-me que o meu desespero fora tão grande que a partir daquela notícia eu prometi a Deus rezar “um terço” diariamente até que ele fosse curado. E eu rezei, todos os dias, ao longo de oito meses......e acendia velas, e fazia novenas, e acreditava, e esperava.
Oito meses. Em oito meses, com poucos encontros, alguns telefonemas, algumas cartas – e uma ligação estranhíssima, Rodolfo e eu construímos uma amizade muito bonita e simples. Não houve tempo para demais desenvolvimentos e envolvimentos; mas ele soube que eu ainda era apaixonada por ele – embora tenha “me deixado” sem resposta, sendo esta durante muito tempo uma angústia terrível – a não resposta. Depois de morrer, coletando histórias com um dos irmãos e melhor amigo, uma das irmãs e inclusive com a namorada enfermeira que ele foi arranjar no hospital, a Nilda, descobri que, seja lá o que ele sentia por mim....eu agradeço a Deus por ter tido o dom de conhecê-lo, ainda que nos 45 minutos do segundo tempo.
(engraçado como, vejo neste instante, as melhores coisas que já me aconteceram na vida foram assim, de última hora).

Diante de mim não existia o paciente com câncer; o paciente com câncer existia nas minhas pesquisas, nos meus recortes, nas palestras que assisti, nos amigos virtuais que fiz, na vontade de ser médica, no sonho de ser uma “doutora da alegria”, na vontade de me mudar para qualquer hospital do mundo e por ali ficar (eu queria ser freira nesta época, se não nos casássemos...rs...); diante de mim, quando o encontrava, estava o Rodolfo, o homem mais lindo do mundo, com a voz mais saborosa e o riso mais perfeito; aquele com quem eu ficaria se estivéssemos num outro contexto e por quem eu sentia uma “ligação” sem eira nem beira....
Eu tinha 16 anos quando tudo isso aconteceu.
Girassol


Rodolfo faleceu no dia 11 de abril de 2003. Eu estava em São Paulo, não pude me despedir e nem tive a resposta da minha última e derradeira carta de “amor maior”. Não quero descrever aqui tudo o que se passou, mas as coisas ocorreram de modo que mesmo meus pais escondendo de mim o fato dele já estar em estado terminal, minha intuição, sonhos e coincidências foram cruciais para que eu descobrisse sozinha que algo estranho acontecia.
Eu não me despedi dele e isso AINDA dói, sete anos depois.
O meu amor por girassóis vêm desta época, e vejo que o girassol é para mim uma coisa mítica, que me fala de vida. Girassol significa amor eterno, de acordo com uma lenda indígena. Quando soube disto, pouco tempo antes do Rodolfo falecer, associava a imagem do girassol a ele, de alguma forma.
No dia em que faleceu, eu resolvi não ir á escola e fui para a igreja, onde passei a manhã toda rezando....rezando....esperando. Engraçado que neste dia, resolvo comprar uma flor para oferecer á imagem de Nossa Senhora, e é aí que me deparo com um girassol, à venda. É a primeira vez que vejo um girassol numa floricultura, á disposição.
Compro e ao oferecê-lo à “imagem”, lembro-me que disse...”Esse girassol é para o Rodolfo. Ainda que o pior aconteça, queria que ele soubesse que o meu amor por ele é eterno”.
Ok, leitores, eu sei que é brega, que é piegas e tal...mas eu era muito diferente com 16 anos do que sou hoje....(eu era, sem dúvida, melhor do que agora).
E foi isso. Ainda sobre girassol, meu último ex namorado e eu também tínhamos uma história interessante com girassóis....
Dr. Lilica
Sete ano depois, hoje, coincidentemente fui agraciada com um curso de formação para , quem sabe, me tornar uma futura “Dr. Do amor”. Nesta época do Rodolfo, eu busquei incessantemente, mesmo mesmo mesmo, um trabalho voluntario que me vinculasse à realidade hospitalar; mas eu era muito nova, e as coisas eram inacessíveis para mim naquela época.
Atuava na Sociedade São Vicente de Paulo; em Minas, fui voluntaria durante dois anos na Casa Assistencial São Francisco de Assis – mas tudo graças ao acaso; o que de fato queria era trabalhar em um hospital.
Por coincidência, através de contatos que fiz, descobri que o projeto “Drs. Do amor” existe aqui em Viçosa. Não acho que tenha muita vocação para palhaça – acho até que por ser bastante lesada eu consigo ser engraçada espontaneamente, mas “artisticamente” não. De qualquer forma, se eu puder ir a um hospital para conversar com os pacientes que o quiserem...para doar a minha escuta...para mim já será o máximo.
A minha personagem "palhaça" foi batizada hoje por Dr. Lilica....vamos ver o que isso vai dar.
Fazer esse treinamento hoje, exatamente sete anos após a sua morte, é como se me mostrasse, enfim, aquele campo verdinho que me apareceu uma vez.......
Aprendi tanta coisa com tudo isso....conheci tanta gente....Morena.....Wilson......tantos lugares....GRAACC....tantas causas.....que às vezes eu acho que no fundo, a paciente com câncer sou eu, um câncer que vez ou outra me cutuca e que um dia hei de descobrir qual é; Rodolfo foi uma ponte.

Rodolfo...
Rodolfo Stanciole Lopes. 26 anos. Moreno, olhos verdes, cabelo encaracolado, uma pinta perto da boca. Magro; riso fácil, debochado; gostava de andar de moto, de jogar futebol aos domingos no campo do Tombo da Cachoeira (e outros tantos); namorador....; Foi agricultor...homem do campo, que percebia as coisas simples do campo, com o olhar sensível que tinha; simples, mas muito sensível; amava muito a sua família...foi “apaixonado” pela sobrinha, Letícia – de quem tanto gostava e que se parece MUITO com ele...sua família é a extensão de sua personalidade, inclusive seus sobrinhos, com quem hoje tenho mais contato, meninos engraçadíssimos e bons de prosa. Medo da morte? Não sei....ele me falava do seu futuro......queria prestar vestibular.....; tinha um grande amor por seus irmãos, mas acho que sobretudo pelo irmão Zé do Carmo, este que esteve com Rodolfo até os seus últimos momentos......Hoje ele tem um filhinho, chamado Rodolfo também.
Rodolfo não conheceu o mar...(Cleiton também não...). Talvez por isso, mesmo eu não gostando muito de praia, sinto-me feliz ao estar perto de alguém que vê o mar pela primeira vez....não há nada mais lindo no mundo que ver alguém diante do mar pela primeira vez.
Histórias....
Há muitas histórias por aí, como a do Rodolfo e de tantos outros. Querem conhecê-las?
A minha história não termina aqui. Ainda falta um pedaço de sonho para acontecer...até lá....escrever diminui a saudade que sinto de tanta gente...e é por isso que meus textos são longos, entediantes e cheios de saudade crônica.
Quando penso em 2003, me dou conta de quanta coisa boa já me aconteceu desde então, e que de certa forma, as perdas que tive me ajudaram a perceber melhor as coisas boas, a amar mais, ainda que isso às vezes seja sinônimo de sofrer mais, de sentir mais saudade....
Onde quer que você esteja Rodolfo...obrigada. Obrigada por ter sido parte da minha vida; obrigada por ter deixado que eu fosse parte da sua, ainda que aos 45 min. do segundo tempo. Apesar de tudo, sabe, eu ainda acredito que amor não morre, teimosamente falando. Espero te encontrar um dia, mesmo...Assim que chegar doutro lado.....e que assim seja.
Observação
Esse ano, pretendo fazer uma tatuagem de girassol em cima da minha queimadura de moto....é um presente de aniversário que vou me dar...vamos aguardar leitores! Novembro...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Já chegou o disco voador....

Ora pois , leitores.
Cá estou tentando preparar aula para o cursinho, atividade esta que tem me tomado muito tempo, já que não sou uma pessoa muito objetiva e clara...(quando tento ser objetiva, como agora, por exemplo, nesta construção, entendem?).
Mas...tudo bem....enrolo um pouquinho enquanto a inspiração não vem.
Esse fim de semana promete...muito stress.
Hoje, além das mil coisas a fazer, irei a uma festa a fantasia, onde realizarei o meu sonho de me vestir de dançarina de cancan.....postarei as fotos aqui, ainda amanhã, provavelmente. Iremos Rebeca, Dayanne, Valentina, Ariana e eu....vamos ver......
Amanhã: reunião da Equipe Central da Pastoral da Juventude, filme no Carcará, Flor e Cultura; domingo pela manhã: Curso de formação para os Doutores do Amor.....e reunião da PJ de Silvestre.
Tudo seria perfeito se não fosse um detalhe:
- dois livros para ler para quinta;
- dois livros para ler para a iniciação;
- duas críticas para reler para a disciplina de literatura infanto juvenil;
- Uma crítica, um trabalho e muitos livros para a disciplina de LET 231;
- Uma prova de Estilística na Terça......
Sim...não sei o que fazer...mas há de ser feito...e há de ficar bom.
No mais, engordei 1 kg em função da minha ansiedade destes dias..não me conformo, mas tudo bem. Não creio que seja uma menina futil, que viva em função "da medida"; mas fui bailarina ao longo de 14 anos....deve ser uma pitada de frescura remanescente, que me acompanhará para o resto da vida......
Bom fim de semana, leitores! Lembrem-se do grandioso CHAVES nos momentos de tensão, angustia, expectativa e paixão:
"Já se foi o disco voador?" não...(ainda não...)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Escola de Teatro Paola Bracho....

Há certas situações na vida

que exigem uma interpretação à la


Paola Bracho,

não é verdade leitores??


pena que eu não tenha

a malícia....



terça-feira, 6 de abril de 2010

Labirinto de Immanuel ...

(Post-relâmpago:)

Hoje ao conversar com uma pessoa, pensei um pouco na minha vida, nas escolhas que tenho feito e nas coisas que me aconteceram desde...1985, quando nasci.

É terça-feira....eu devia estar dormindo agora, mas estou aqui, bebendo um infinito copo de leite, ouvindo “Mi Noche Triste”, do C.Gardel, no “repeat”; vendo as fotos da formatura de uma amiga e, sobretudo, ou tão somente, pensando na dita conversa....

Também escrevi uns emails que não terão resposta, mas...enfim...escrevi.

Sobre a conversa. Trata-se de uma professora minha da Universidade; ela é bem novinha e não sei bem porquê, me identifico um pouco com ela (mas somos super diferentes). Ao convidá-la para uma festa a fantasia que acontecerá nesta sexta, no vai e vem da prosa, perguntei a idade da moça. R* me disse super sem graça:
“Você é de 85, né? tenho quase a sua idade”.

Para resumir a rapsódia: a tal professora, quase uma colega de curso, tem apenas 25 anos! É apenas um ano mais velha do que eu....e já está no doutorado, e já é casada...e já é...e já é......

Percebem, leitores? Ela nos contava que emendou uma coisa à outra: graduação-casamento-mestrado-doutorado...sem contar o feeling maternidade que a "menina" tem...aposto que em breve será mãe.

Pois bem...o que tenho com isso?
Não é preciso comentar....

Minha vida é um labirinto. Com certa frequência me deparo e me relaciono com pessoas tão estáveis, tão bem resolvidas, tão maduras, tão lineares, que as invejo, todas.

Tudo em minha vida é confuso, cheio de rodeios, de peripécias, desfechos inconclusos, reconhecimentos tardios, escolhas mal feitas....

Meus textos são confusos; minha fala ao telefone é confusa; meu cabelo é confuso, bem como meu humor, meus dentes e meus pés, sobretudo.

Tenho 24 anos. Demorei muito tempo para descobrir o que eu queria profissionalmente, e agora que sei, não tenho a mínima disciplina que preciso para chegar lá. Não consigo estudar o tanto que preciso, não consigo lidar com a minha ansiedade, com a minha preguiça, com a minha hiperatividade, com a minha musicalidade; não consigo lidar com Amanda.

Passei a graduação inteira tentando tentar transferência para o curso de História; tranquei um período, tomei pau de uma disciplina, porque cabulava aula para namorar. Até que, por fim, tornei-me tutora; recuperei o coeficiente, conheci a Literatura Portuguesa, o Gerson, a Literatura Comparada, a religião, a Bolsa de Iniciação, a Karla, a Joelma, a sala de aula: mudaram-me o olhar. Hoje eu pretendo tentar mestrado em Literatura Comparada, quero a vida acadêmica..mas acho que perdi tanto tempo, acho mais facil arranjar um marido milionário.

Desde os 14 anos eu acredito que estou velha...

Meus relacionamentos amorosos ....bem....não cabe uma exposição prolongada deles, mas, vejamos....uma paixão platônica de adolescência semi-correspondida ceifada por uma morte prematura; o namoro da “minha vida” que não dá certo devido às diferenças essenciais de ambos, o que posteriormente quase me levou a um...deixa para lá...; por fim, um encontro com um disco voador....(rsrs –piada super interna) - encontro este com praso de validade mais que vencido...

Minha vida familiar.....(pausa dramática). Ainda a filhinha do papai, embora esteja mais para ovelha negra ou multietnica da família....

Minhas perdas....sempre deixo as coisas de que verdadeiramente gosto para trás: o Ballet, por exemplo. A Sociedade São Vicente de Paulo. Os amigos. Alguns sonhos. Cleiton...(a saudade maior). As pessoas que conheci e que nunca mais encontrarei. As oportunidades.
Pois bem, leitores.

Hoje estou me sentindo o verdadeiro cocô do cavalo do bandido...sabem?
Bebi litros de café o dia inteiro, comi uns quatro pedaços de bolo de chocolate, desde ontem e engordei algumas gramas com isso. Ouço a mesma música desde domingo...(Mas eu adoro fazer isso, apesar da eterna polêmica familiar: meu pai não entende esta mania e acha que devo procurar meu psiquiatra - só porque ouço a mesma música, sem interrupção, ao longo de semanas ou meses, sem enjoar).

Eu só queria uma vida linear.

Uma cigana me disse essa semana que dia 25 de abril desse ano, às seis horas (não sei se da noite ou do dia), uma coisa muito boa vai me acontecer; tão boa que eu não hei de esquecer o nome da minha amiga adivinha, Sara.... Vamos ver.

Espero que não seja o desfecho de Macabéia em “A hora da Estrela”.

Gosto de ciganos, converso com todos que me aparecem....

Enfim, leitores.....tudo o que eu queria esta noite, para terminar este post desabafo:
Quero que Immanuel Kant....(Eu tinha que falar isso....)


domingo, 4 de abril de 2010

Um novo amor, enfim...

PARTE I

Leitores...
Quem me conhece sabe que tenho uma queda expressiva por homens "exóticos", excêntricos, atípicos, diferentes, ou ainda, especiais. Tal atributo pode revelar-se como um leque bem, bem amplo de possibilidades...(rs), o que não é nada mal para os dias de hoje....
De qualquer forma, acho que hoje alcancei o meu "limite" em se tratando de exotismo masculino...
Ai ai...(suspiro)
Apaixonei-me, perdidamente, por um tal Carlos Gardel e simplesmente não me conformo e não entendo o porquê de não tê-lo conhecido até então....(será por que ele morreu há uns 75 anos?).
Assistindo ao filme Perfume de mulher (recomendadíssimo!) hoje, ouvi aquele tango maravilhoso da cena em que o Al Pacino (perfeito...) dança com uma jovenzinha. Pesquisando, descobri o nome do tal tango que me encantara, sendo o responsável pela perda de uma manhã inteira....(porque não conseguia deixar de retroceder à cena...): Por una cabeza, de Carlos Gardel - é o nome do meu inimigo "mór" deste domingo...
O nome já me era familiar, Gardel, embora eu nunca houvesse ouvido nada deste encantador argentino-francês até ...hoje...
Meu Deus, o cara era genial.... Além de sexy simbol dos anos 20, 30....a voz do "rapaz" é tão bonita, tão bonita, que eu simplesmente estou hipnotizada....
Carlos Gardel tem uma certa melancolia que me agrada; melancolia "latino-hispânica", dessa que unifica a "amargura" de todas as almas desoladas, sob forma de coro, numa mesa de "buteco", à luz de uma boa cantoria e de uma gelada: tipo o que se faz nas rodas de choro por aqui. Só que no Brasil, sofre-se de outro jeito: nossa tradição é adepta da "malandragem" carioca, e sendo assim, nossos vizinhos argentinos são mais dramáticos, trazendo com eles um maravilhoso "quê" de amantes abandonados, à beira de um ataque de nervos, herdado de seus colonizadores...
Além da famosa "Por una cabeza", encontrei uma outra obra lindíssima chamada Cuesta Abajo, cuja letra postarei aqui. Vale a pena ouvir, amigos! Independente do humor-sentimental-dominical-pascal de vocês... Eu, por exemplo, apesar do ouvido "dramático", estou numa fase tranquila em se tratando de coração. Ultimamente, as minhas preocupações acadêmicas têm falado tão alto que me percebo um pouco mais racional que tempos atrás.
Na verdade, estou exagerando! racional para algumas coisas, não todas; certo é que não dispenso um dramazinho, e isto me move e me torna uma pessoa se não melhor, pelo menos, com um bom gosto musical. Afinal de contas, para se gostar de tango é preciso um bocado de tristezazinha mal resolvida, parodiando Jobim....
No mais.....muitas coisas para estudar...mas hoje não vou dar conta.
Para melhorar, assisti a um filme esse fim de semana chamado Bodas de Sangre, emprestado por um amigo e sinto que acabarei assistindo-o pela terceira vez ainda hoje.
O filme é uma releitura do texto de Frederíco García Lorca, trazendo um dialógo com a dança Flamenca. Mais uma tentação...
A produção conta com a presença do bailarino espanhol Antônio Gades, que é simplesmente perfeito.....perfeito......o cúmulo da expressividade!


PARTE II
Não era sobre isso o post de hoje.
Na verdade, eu havia me proposto a tecer uma reflexão sobre a Páscoa, mas não consegui. Não por falta de gosto; sinto pela páscoa um carinho imenso, o que não sinto de forma alguma pelo Natal....mas, acho que não saiu.

Ao contrário dos judeus, os católicos vivem o memorial da páscoa diariamente, através do rito da comunhão. Digamos que eu tenho percebido a páscoa também diariamente, só que através do contato com as pessoas, sobretudo àquelas que estiveram recentemente à beira da morte, ou à beira da vida (ou dos dois, simultâneamente).

Minha tia, por exemplo; perdera o único filho....(meu primo-irmão Cleiton), terminara um casamento de anos, de modo não muito "legal" (em toda a extensão do termo), e há poucos dias, descobrira ser portadora de um coágulo no cérebro, além de um problema na coluna, cataratas....- tudo isso aos 50 e poucos anos....

Pergunto: O que a Páscoa significa para minha tia? O que é Páscoa para os que são obrigados a ressuscitar diariamente, a cada novo fôlego, piscar de olhos, pensamento? O que é Páscoa para todos aqueles que, assim como eu e você, sabem que um dia retornarão ao pó e cinzas?

Cada sujeito, Celi, Gardel, Carlos, Amanda, Gades, Francisco, Antônio, Katia, L. - traz em si um pedaço de ressureição gasto diariamente. Todo o dia é um renascer; é abdicar das amarguras, transformando-as em tango, em flamenco, em literatura, em arroz, em feijão, em tijolos, em atividade cerebral, em gases, em sexo, em gratuidade, em amor....
Esperando....desesperando...

Acreditando....não acreditando.....
Escolhendo a vida....ou a "subvida".

O fato é que a páscoa é inerente à condição humana, e é por isso que somos a "imagem e semelhança" do bom Deus, porque temos "pó" pascal nos nossos ossos, sonhos, fígado, pele, sangue, medula e até nos nossos ouvidos, capazes de ressignificar a vida através de um tango, por exemplo.

E o Cristo que se fez cordeiro imolado, cujo memorial de vida é hoje celebrado, pode ser atualizado sob diversas formas, cotidianamente, através dos encontros que temos com as pessoas.

Enfim....para mim, isso é páscoa.

Quanto ao chocolate, por mais comercial que isto seja, não devemos ser chatos, leitores.
Quem não gosta de um chocolatezinho para curar as mazelas da vida?
Esse ano, eu presenteei alguns amigos com chocolate, ganhei ovos de alguns deles, comi os bombons que, teoricamente, havia comprado para algumas amigas.... (fiz isso hoje, na preguiça de fazer almoço e ansiedade extrema!! - estou sofrendo com ansiedade...).

Portanto, caro leitor: a maldade não está no chocolate, mas na falta de "doce", generosidade, sensibilidade, olhar de criança, ouvido musical e suicídio da nossa ressurreição diária - esta que nos é dada pela vida.
É isso, queridos.
Boa Ressurreição semanal para vocês!