segunda-feira, 31 de maio de 2010

Enigma da Esfinge.


Leitor....
Estou com tanta preguiça dos meus deciframentos diários,
que hoje escolho apenas ser devorada pelo sono...
Boa Noite!

Fingindo na hora rir... (Galpão 25/09)

ANTES DE...
...DEPOIS DE...

"Hoje eu quis brincar de ter ciúme de você
Mas sem porque
Meu coração me avisou que não
Fingi na hora rir
Talvez por aqui estar tão longe de você pra te dizer..."
(Fingir na hora rir - Los Hermanos).

Do lado oposto

Eu que já não quero mais
ser um vencedor ...
Levo a vida devagar
pra não faltar amor...
(O Vencedor. Los Hermanos).
...

Bom Dia!

domingo, 30 de maio de 2010

EL ECO...


Al Otro Lado del Río
(Jorge Drexler)

Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

El día le irá pudiendo poco a poco al frío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío

Oigo una voz que me llama casi un suspiro
Rema, rema, rema-a Rema, rema, rema-a

En esta orilla del mundo lo que no es presa es baldío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Yo muy serio voy remando muy adentro sonrío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío

Oigo una voz que me llama casi un suspiro
Rema, rema, rema-a Rema, rema, rema-a

Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Encontro com o Irresolúvel.


Depois de resolver o irresolúvel, fui para a rodoviária esperar a carona de meu pai.
Antes da chegada dele, porém, observava as pessoas em suas vidas noturnas, e me dei conta de duas coisas importantíssimas, dessas que só são entendidas sem querer.

A primeira, é que não é possível ter amor pela metade; ser amor pela metade, ou, ainda, viver pela metade.

Observei um rapaz deficiente físico que telefonava tranquilamente.

O rapaz, extremamente atraente, havia tido a perna esquerda amputada. Mas, apesar disso, era muito atraente. Usava um traje esportivo, passando-me a impressão de ser um jovem atlético e feliz.

Pensei, despensei...e tornei a pensar. Eu namoraria tranquilamente uma pessoa com tal deficiência, desde que ela estivesse comigo por completo. É preciso ser completo nas relações; uma pessoa não completa não pode completar a parte do outro, não pode ser parte, nem todo.

Mas o segredo é que....não existe ninguém que seja verdadeiramente completo no outro; só em nós mesmos somos completos. O completar o outro é um exercício difícil e diário; exige mais que carinho; exige despreendimento e alma.

Eu ficaria com aquele rapaz, apesar da sua incompletude física; completar não é tarefa só de corpo.

As pessoas não valhem a pena, leitor. Nenhuma delas.
É por isso que se deve amá-las mesmo assim, para que encontrando-as, possamos unir as nossas deficiências, que todos temos, anulando-as. Isso é muito difícil. As pessoas, leitor, não valem a pena que valem, porque não sabem despreender-se.

Ainda assim...é preciso tocá-las.

A outra coisa que percebi, é que possivelmente irei à Itália no fim do ano que vem, ou em 2012. Acho que é isso que me falta: viajar...para a Itália....

Observava uma família chegando de viagem, com inúmeras malas e casacos, e só aí me dei conta de que existem inúmeros outros países que ainda preciso conhecer.

Minha prima mora na Itália. Pode ser que seja bom do lado de lá...capiche? (é a única pobre palavra da qual me lembrei em Italiano, leitor...a que aprendi, sem muito esforço, assistindo Terra Nostra...).

Quanto ao irresolúvel....teve uma grande parte resolvida; já o seu todo, ficará como está, até que seja possível despreender-se um pouco mais.

No carro, a primeira música que ouvi, depois da tarde bonita de hoje, foi Luz Negra, do Cazuza, que tem uma parte assim:

"Sempre só
eu vivo procurando alguém
que sofra como eu também
mas não consigo achar ninguém".

Ai...é tão difícil essa coisa de parte e todo, não é? Como um jogo de cartas...

Uma das minhas partes, que eu queria que fosse todo, mas não o é, mal sabe o quanto me é cara e especial, ainda que parte, ainda que não valha toda a pena...

É uma parte incompleta,
Mas que de tão doce, é quase completa sem perceber.

Boa Noite, caríssimos leitores...


Engenho da Palavra.


A palavra, quando a escrevo, é a minha cachaça.
A pimenta, quando arde a boca, é a palavra que não escrevi,
Pedindo forma e luz, de dentro do meu estômago,
Antes de ser digerida, c
onflituosamente,
Em silêncio.

Prece das Marias.


Hoje é o último dia que eu me cozinho.
Que eu me cozinho em Banho, Maria!
Maria, levai as nossas preces até o alto.
Até o alto daquele morro.
Morro de raiva, Maria, mas você viu.
Viu você em Banho, Maria! Mariando. E agora José?
José, que era bobo, não foi amigo de Marta, nem de Madalena, nem da outra Maria, porque antes disso morreu.
Morreu de morte morrida, para não ter que morrer de raiva.
Raiva eu tenho....como tenho.... do Banho, Maria!
Marianamente de todos os dias, mas hoje não mais.
Mais uma prece, Maria: rogai por nós, do alto daquele morro distante.
Distante, morro de raiva, mas não de Banho, Maria!
Maria! Recordai o sofrimento de vossa melhor amiga, Santa Luzia.
Luzia, que não era Maria, jogou os olhos fora para não enxergar o que não queria.
Queria Deus, que era homem, castigá-la pela audácia de menina:
Meninamente, porque nasceu Deus, devolveu a Luzia os olhos perdidos, agora para todo sempre.
Sempre que Luzia enxergava, depois do castigo, Luzia virava Maria por causa dos olhos.
Olhos maiores, mais bonitos, e que passaram a enxergar sete vezes mais.
Mas se Deus fosse mulher, isso não teria acontecido.
Sido, teria, diferente: Luzia haveria de ser cega e feliz, sem Banho, Maria, sem prece e sem alto de morro.
Morro de raiva, Maria, só de pensar.
Pensar que sete vezes mais é muita coisa, é muita oração pra gente sem fé como eu.
Eu me cozinho em Banho, Maria! Mas hoje é o último dia.
O último dia da minha trinzena aos santos das causas sem efeito.
Amém.

Mira....(30/05...)

"- Olha, se te amei foi pelo teu cabelo,
agora que estás careca
já não te quero".

sábado, 29 de maio de 2010

Cenas Curtas II: 60 DIAS APAIXONADO...(Bão Demais!!)

Protagonistas: A marvada pinga; A mulher moderna da loja de lingeries; O namorado; A morena faceira (namorada); O primo; Coro das moças desconsoladas*
Antagonistas: Sigmund Freud; Alguém; PM's;Mensagem de celular.

Coro*: A moça tímida e meiga; A moça simpática ; A sósia da Rihana; A ex namorada desconsolada; Maria Camburão desconsolada; A cafeoólatra desconsolada.
Tempo: 28/05/2010.
Espaço: Show do Victor e Léo, Viçosa/MG.

CENA I: Cortando o Telefone....
Coro chora largado :
- Eu quero que risque o meu nome da sua agenda
Esqueça o meu telefone, não me ligues mais
Porque já estou cansado de ser o remédio
Pra curar seu tédio
Quando seus amores não lhe satisfaz.
Cansei de ser o seu palhaço
Fazer o que sempre quis
Cansei de curar sua fossa
Quando você não se sentia feliz.
Por isso é que decidi
O meu telefone cortar

Você vai discar várias vezes
Telefone mudo não pode chamar....
(Telefone Mudo).
CENA II: Versinho.
Marvada Pinga declama , decorosamente:
Deus fez a maior proeza inventando a música sertaneja.
Só ela entende a tristeza do cantador e da linda pequena:
Da filha do fazendeiro até o peão da boiadeira;
Ela iguala todos os homens, todas as classes e a dor alheia....

Cantando o lamento do sertanejo,
Chorando a sanfona
E a violeira.
CENA III: A descoberta.

Mulher moderna da loja de lingeries: - Ai....bom é vir em show assim, sem marido....
Cafeoólatra desconsolada: - É.....hehe.....
Mulher moderna da loja de lingeries: - Se eu soubesse que ia ser bom assim, tinha trazido uma calcinha para jogar no palco também....hhahaha......
A Cafeoólatra: - Pera aí...você não é a moça da loja de lingeries da Nilton Mangueira, é??
Mulher moderna da loja de lingeries: - Sou....hehe.......
[Ambas se entreolham sem graçamente, até o início da próxima música].
Cafeoólatra desconsolada pensa: “Nossa....a mulher moderna da loja de lingeries é casada??? que legal!!!!”.

CENA IV: Léo...(suspiros....).

Moça simpática: - Victor ainda não me viu aqui!!! Liguei para ele ontem avisando que vinha de mala e cuia para ele me levar....hehehhe....minha mala já tá no carro......
Moça Tímida: - rsrss....Depois a gente liga para ele.....
Cafeoólatra desconsolada: Genteeee.....eu já sabia que o Victor era lindo....mas esse Léo....pqp.......que homem é esse!!!!
Mulher moderna da loja de lingeries: -Imagina minha filha....imagina.....
Cafeóolatra desconsolada: - Ô lá em casa.....


CENA V: Complexo de Cornidão.

O Namorado: - Nunca mais trago muié minha em show de homem.....
O primo: - É....f** meu....
O Namorado: - É F*....olha só:
Morena faceira (namorada):Léo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Léo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Léo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
O Namorado: É f* ver sua muié gritando pra outro homem...pqp....vamo pegar uma cerveja??
O primo: - opa...bora lá!
[Enquanto isso...direto do além...]
Sigmund Freud explica: -Na verdade, a personagem O primo gostaria de ter dito o seguinte, antes de ter o seu desejo recalcado pelo seu inconsciente, cuja sublimação se deu por meio da compra de uma Itaipava ao lado do sujeito com complexo de cornidão:
"Vai lá irmão! que eu fico aqui, tomando conta da sua muié enquanto isso.... "

Cena VI: Fim de namoro.

Ex desconsolada diz: - Cafeoólatra!!!!!!!! Se você gosta de mim....liga para o meu ex e fala umas besteiras para ele; fala que eu ^&Y%R^&$%^&$%^$%^&R^&F^&F^RF&ID%R&F^Y&F^&RF&D%DF.....
Cafeóolatra desconsolada: - Não liga!! Experiência própria....faz quanto tempo que vocês terminaram?
Ex desconsolada grita: - 7 meses...(e cai aos prantos....)
Cafeoólatra, com ar de superioridade...: - 7 meses?? IIIh minha filha.....você ainda não viu nada.....quando fizer um ano você esquece...até começar tudo de novo, com outra pessoa, depois outra, depois outra....e por aí vai....

Cena VII: Desligando os celulares...

Ex desconsolada: - Cadê a Maria Camburão??
Cafeoólatra desconsolada: - Deve tá tirando foto com algum PM por aí....
Ex desconsolada: - A gente tem que aprender, Cafeólatra, a não correr atrás.....
Cafeoólatra desconsolada: - Eu sei...acho que vou dar um sumiço no meu celular amanhã...no meu email, no meu.....no meu.....
[15 minutos depois]
Ex desconsolada: - Olha a mensagem que eu mandei para ele agora......
Cafeoólatra, pensando na vida, desconsoladamente : - ...

CENA VIII: Canto coral.

Mulher moderna da loja de lingeries: - Essa música é uma poesia....
Caféoólatra desconsolada: qual?
Mulher moderna da loja de lingeries: - Amigo apaixonado....
Cafeoólatra: - Ah ta....

Coro:

- Sempre fui um grande amigo seu
Só que não sei mais se assim vai ser
Sempre te contei segredos meus
Estou apaixonado por você

Esse amor entrou no coração
Agora diz o que é que a gente faz
Pode dizer sim ou dizer não
Ser só seu amigo não dá mais....
(Amigo Apaixonado).

CENA IX: 60 dias apaixonado.

Coro, Entusiasmadamente:

- Viajando pra Mato Grosso, Aparecida do Taboado
Conheci uma morena, que me deixou amarrado
Deixei a linda pequena, por Deus confesso, desconsolado
Mudei o jeito de ser, bebendo pra esquecer 60 dias apaixonado

Dois meses juntinho dela eternamente serão lembrados
Pedaços da minha vida, lembranças do meu passado
Jamais será esquecida a imagem dela de um anjo amado
Dois meses passaram logo, é no copo que eu afogo 60 dias apaixonado

Se alguém fala em Mato Grosso eu sinto o peito despedaçado
O pranto rola depressa no meu rosto já cansado
Jamais eu esquecerei Aparecida do Taboado
Deixei a minha querida, deixei minha própria vida
...60 dias apaixonado...
(60 dias apaixonado).

Alguém grita: - Aê!!!!!!!! Chão moiado!!!!!!!!!!

...THE END....



sexta-feira, 28 de maio de 2010

Saudade Diet


Essa coisa de saudade podia ser "emagrecedora", não?
Todos os problemas da minha vida estariam resolvidos,
Se fosse assim....

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Bondiando Jabuticabas...

- Bom Dia!
- Bom Dia...

[...]

- Bom Dia...
- Bom Dia! – que sol hein?? – disse o moço cego, a quem esqueci de perguntar o nome, devido ao meu cansaço de hoje e distração de sempre.
- Pois é...bom para pegar uma corzinha, né? – respondi ao moço, que é tão moreno quanto eu, apesar da cor dele ser menos desbotada...
- É.

[...]

- Fessora!!!! Promete que ajuda a gente a enfeitar a nossa sala amanhã...para o negócio da copa?? Mas não conta para ninguém que vai ajudar a gente.....
-Eu?? Aff... Prometo... Mas eu acho muito chato essa coisa de enfeitar.....mas não conte a ninguém que eu disse isso..... – falei às meninas, que riram de mim.

Eu detesto enfeitar...

Corar,
Desbotar,
Desbotar e Bondiar - ao longo do meu caminho de ida e volta do estágio...esse foi meu início de dia.


Entretanto, ontem, deparei-me com mais uma jabuticabeira. Coincidentemente, ela estava escondida n’outro pé de texto literário, e dessa vez, foi Emília quem me contou:

A que eu acho mais interessante é a jabuticabeira. Enorme e com uma copa bem redondinha em cima. As folhas, muito juntas, não deixam atravessar o menor raio de sol. Quando chega certo mês, os seus galhos cobrem-se de botõezinhos brancos, que vão engrossando e se abrem em pequenas flores. Depois as flores secam e caem e ficam umas bolotinhas verdes do tamanho de grãos de chumbo. Esse chumbinho verde vai crescendo até ficar aí do tamanho de uma noz. Começam então a mudar de cor. Perdem o verde, ficam pretas como Tia Nastácia.
[...] mas essas frutas duram pouco. Duas semanas no máximo. [...] Quando acabam, é preciso que a gente espere mais um ano para virem outras.

(LOBATO, Monteiro. Memórias de Emília).

É engraçado me dar conta de que até uma boneca de pano sabe quão passageiras são certas coisas da vida: colorem, desabrocham, desbotam e morrem, num piscar de duas semanas. Depois, será preciso esperar por um ano inteirinho....para que tudo comece outra vez, como tem que ser...
Engraçado os seres humano, leitor: sabem tão pouco das coisas do tempo e das jabuticabas, mas gostamos de inventá-las...(talvez, porque as deconhecemos).

Emília e Capitu, para quem não sabe, são as personages que mais gosto na Literatura....gracioso leitor.

[...] Bom Dia...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Minha Lista de Músicas Atuais


[...para os curiosos de plantão.....(nossa...estou me sentindo, não?)]

Música para acordar e me organizar: Ciranda do Mundo – Maria Rita; Odeon (choro); O Bonde do Dom (Marisa Monte); Carmen (Bizet); Beirut.
Música para momentos de raiva e indignação: Mi Noche Triste – Carlos Gardel.
Músicas para lamentações: Flor Amorosa; Pedacinho do Céu (Choro –a na versão de “O melhor do Chorinho).
Música para pensamentos específicos: Último Desejo (Noel Rosa – Versão Maria Rita); Walts for a Night (Julie Deply); O último pôr do Sol (Lenine); Flor Amorosa ;Pedacinho do Céu.
Música para momento feliz: Fita Amarela (Noel Rosa – Versão Nina Becker); Samba; Choro.
Música para momento “eu e meus botões”- Sabiá (versão Mariana Elali); Lamentos (Choro – Pixinguinha); Leyendo en el hospital (Diários de Motocicleta...).
Músicas para estudar, isto é, para me manter acordada sem pensar em nada: Little Joy, Violentango, Chorinho em geral, Meu Samba (Maria Rita), Trilha Sonora do Fabuloso Destino de Amelie Poulan, Trilha Sonora de Diários de Motocicleta, Sou (Marcelo Camelo – excluindo metade do cd, não porque sejam ruins, afirmo).

terça-feira, 25 de maio de 2010

Em resposta à...

Leitor,
Minhas terminações nervosas estão um pouco alteradas neste momento...
Nem sei se são as tais terminações, nervosas, responsáveis por este meu momento de irritação.
É muito ruim ser o narrador ficcional de uma novela escrita em primeira pessoa; o melhor seria narrá-la em terceira, ou, como um narrador personagem....não como narrador de memórias.
Li uma coisa que me deixou p*....
Mas o problema é: quem procura, acha!
Bem feito para mim.....
A resposta de Chico, neste caso, seria:

Você só dança com ele
E diz que é sem compromisso
É bom acabar com isso
Não sou nenhum pai-joão

[...]

Quando toca um samba
E eu lhe tiro pra dançar
Você me diz: não, eu agora tenho par

E sai dançando com ele, alegre e feliz
Quando pára o samba
Bate palma e pede bis

(Sem Compromisso - Chico Buarque)

JABUTICAVIDA.


[...] Mas agora quero lhes dizer uma coisa: a jabuticaba é fruta de se comer, mesmo que não se tenha dentes.

Meio com medo, as aves pegaram com o bico as jabuticabas. E com o mesmo bico estalaram essas frutinhas. O barulho era assim: plique-ti, plique-ti, plique-ti.

Acharam a jabuticaba uma maravilha. Embora tivesse no fundo um azedozinho. Como você sabe, a jabuticaba tem um caroço que é doce e depois de chupado um pouco azedo.

[...]

Mas acontece uma coisa: as aves ficaram com o caroço das jabuticabas na boca e não sabiam o que fazer.

Perguntaram então a Odisséia e Ouvídio:

- Devemos engolir ou não engolir o caroço?

Ouvídio e Odisséia ficaram bobos:

Não sabiam o que responder. Pensaram em pedir ajuda a Oxalá, mas acharam que já tinham pedido muito e que tinham que se arranjar sozinhos.
(LISPECTOR, CLARICE. Quase de verdade].


Querido leitor,

Às vezes não nos damos conta de que os melhores dias das nossas vidas podem ser simplesmente como pequenas jabuticabas: simples, doce-azedas, efêmeras, mas muito saborosas.

Acabei de chegar da minha primeira aula em campo do meu estágio supervisionado de Língua Portuguesa. A sensação que trago comigo é tão boa, tão feliz, que não só me ajuda a olhar com mais doçura para outras “áreas” da minha vida, mas também me faz constuir algumas certezas:

- Eu quero mesmo e preciso ser professora;
- Os adolescentes continuam engraçados e esquisitos, como os da minha época;
- As pessoas, no fundo, deixam que o azedo de suas escolhas se sobreponha ao doce que de fato sentem, apenas por terem noção de que a vida não passa de uma jabuticabeira....

Cheguei tímida, acompanhada pela professora substituta Salete. Pessoa muito interessante: meiga, criativa, terna – deve ser uma boa mãe e uma boa vizinha para se ter como amiga. Lá chegando, surpreendi-me ao descobrir que a atividade do dia era nada mais que um exercício sobre o gênero entrevista: entrevista com a estagiária Camila....(que na verdade é Amanda, leitores: mas Salete insiste em me chamar de Camila...certamente ela conheceu e odiou alguma Camila que muito lhe fez mal, quando ambas tinham apenas 12 anos....).

Sim caros leitores: eu fui entrevistada pelos alunos do meu estágio.

As perguntas foram: Qual o meu nome; Em qual universidade estudo; Qual a duração do meu curso; Como vejo a escola atualmente; Se eu pretendo exercer o magistério; e, por fim, como profissional das Letras, em qual outra área, além do magistério, gostaria de atuar.
Quando me foi perguntado o meu nome, um menino do tipo engraçadinho...(desses que a gente finge que detesta, mas na verdade amamos), ironizou:

- Como você é burra!!!!! Ela acabou de falar que se chama Amanda, e você ainda pergunta o nome dela!! Hahaha....

Acontece, leitor, que a professora Salete havia transcrito a proposta de entrevista numa folha, pedindo aos alunos que lessem as perguntas para mim.
A pobre menina não era burra; apenas fez o que lhe foi pedido.....

A verdade é que tão pouco a professora Salete e o menino engraçadinho são pessoas “burras”:
Mal sabem eles que a pergunta mais difícil de se responder, na minha opinião, é a de como me chamo.

- Qual o meu nome?

Amanda. Mas não é apenas Amanda...é Amanda Lopes de Freitas. Amanda que vem do latim “a que será amada”e do Tupi “chuva”; Lopes e Freitas que vêm de algum lugar distante, onde Portugueses,Índios, Negros e Espanhóis foram misturados num caldeirão histórico. Há que se lembrar da preposição "de": o meu Amanda Lopes pertence a um Freitas, que os registra e completa sintaticamente. Sem contar os apelidos, carinhosos ou não, ao longo da vida: Corujinha, Nega-preta da mamãe, Vaca-véia, Gorda-baleia-saco-de-areia, Chicote, Hanson, Capitu, Ximboquinha, Amandão, Irmã, Irmãzinha, Amandex, Ô Capeta, Moreninha, Mandinha, Meu bem, Meu pote de ouro, Minha lactobacila, Minha Capivara, Minha namorada-monstro, Dona Amanda, chata, chatinha, Bruxa do 71, Frida Kahlo, Serena, Amandinha...Camila.

Ou seja: nunca saberei o meu verdadeiro nome.
Sei que meu ante-nome era Carolina, mas meus pais mudaram de idéia antes do meu registro...o que é uma pena, visto que Carolina se reduziria, com o tempo, a Carol. Talvez assim, pode ser que eu soubesse hoje quem eu sou com mais clareza.

Por fim, o foco foi invertido: pedi à professora que me deixasse entrevistar os meninos.
Fiz perguntas gerais, sobre televisão, música, cinema, escola...até vida amorosa...(sim leitores: eu não me contenho!! Saí do meu primeiro dia de estágio já aconselhando às meninas de 12 anos a prestarem mais atenção nos meninos feios que ficarão bonitos; e , explicando aos meninos de 12 anos que quando estes fizerem 24, sentir-se-ão extremamente atraído pelas meninas a quem hoje chamam de “mutantes”...(na minha época, gorda-baleia-saco-de- areia....).

Algumas respostas foram óbvias, porque a vida é meio óbvia leitor....

A: - Se pudesse fazer uma pergunta a L, uma só, qual seria?
Menina com inicial B: - Perguntaria se ela gosta e quer ficar com o menino R.....
Viés psicanalítico: B gosta de R, mas banca a melhor amiga de ambos porque sabe que, no fundo, R finge que detesta a menina L,mas na verdade é louco para ficar com ela, sem que B saiba.

A: - Qual a sua música preferida?
Menino tímido: - Não sei.....
(meia hora depois)
Menino tímido - Não tenho não fessora.
Viés psicanalítico: Certamente o menino tem uma música preferida; mas não sendo funk, nem hip hop, ficou com vergonha de contar aos amigos......

A – Qual o dia mais feliz da sua vida, até hoje?
Menino atencioso: - Quando fui à praia.
Viés psicanalítico: Quando ele foi à praia.

Estou num momento muito feliz da minha vida, transitando por todas as áreas do lecionar: Jovens universitários, jovens que hão de ingressar na universidade; crianças; um adolescente super sensível, e, agora, outros 18 pré-adolescentes hiper sensíveis. Sem contar a minha pesquisa, ainda vagarosa, mas que já tem me ajudado a construir um olhar de pesquisadora também em outras disciplinas e demais acontecimentos da vida pessoal.
O Orkut não me faz mais falta....quase.

Estou feliz, leitor.
Sei que há outras coisas para se resolver, outros azedinhos que virão...mas o doce, ainda que efêmero, faz a gente não se contentar com uma jabuticaba só, buscando outras jabuticabas, outros pés, outros pomares....e por aí vai.

Quanto ao caroço, leitor capcioso....
Confesso que pergunto todos os dias a Oxalá o que devo fazer com ele...engolir ou não engolir?
A única coisa que Oxalá me diz é:
- Nega-preta-do-Pai: você vai ter que se arranjar sozinha....

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Poética Adversativa.


Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo
Teadoro, Teodora.
(Neologismo - Manuel Bandeira).

domingo, 23 de maio de 2010

FOOD IS STILL HOT.

Para um homem-besouro-listrado.
Conversas de Botas Batidas são como romances que batem as botas: por mais que estejam mortas são capazes de produzir novas percepções e isto é fantástico, apesar do incômodo que trazem a curto prazo.
A percepção das coisas, leitor, é mutável. Hoje você dúvida disso, porque tem razão de si. Mas, amanhã, poderá mudar de idéia.
Quando leio Dom Casmurro hoje, tenho a impressão de me deparar com uma Capitu periférica, construída a partir do olhar de um narrador que monopoliza o discurso, estratégia utilizada com o intuito de confundir o leitor ingênuo dos romances româticos do século XIX.
Já aos 14 anos...o que me interessava era perceber nas atitudes de Capitu uma prova que me permitisse defendê-la da narração distorcida de Bentinho, um Bentinho cruel, egoísta e imaturo.
Naquela época, não havia contexto; apenas texto.
Hoje, o contexto me interessa mais.
Quem é o culpado? Capitu ou Bentinho?
Hoje eu tive uma conversa que, moldada à luz de um novo contexto, trouxe-me uma nova percepção:percepção óbvia, e, ao mesmo tempo, ambigua.
Mas não será isto o tal do perspectivismo?? A cada leitura que faço das histórias da minha vida, interpreto-as a partir de um foco, e isto é capaz de produzir em mim sentimentos distintos no meu presente, à medida que me debruço sobre o meu passado com um olhar atual.
O passado é como uma comida ainda quente, leitor: é preciso deixar que ela esfrie, para não termos a nossa boca "queimada", caso escolhamos saboreá-la apressadamente. Em casos mais específicos, em que se faz necessário uma ruptura abrupta com o que nos incomoda, uma alternativa possível é a de deixar que a comida esfrie por demais a fim de que esta venha a se tornar ruim e desagradável para a ingestão, atenuando, dessa forma, o irremediável.
Novas percepções são responsáveis pela construção do novo: novas conversas, novos olhares, novos encontros. O mesmo acontece com uma música que se tece a partir de composições já antigas. Pode-se apreciá-la tendo em vista o velho que se faz novo, ou, o novo que refaz o velho:
"A Day in the Life (algo como 'Um Dia na Vida') é uma canção dos Beatles creditada à dupla Lennon-McCartney.
John tinha o início e o fim da música, mas não tinha o miolo dela. Achava que tinha de por algo entre as partes que tinha composto. Por isso, gravou a primeira parte; marcou o meio dela com uma contagem de 1 (um) a 24 compassos, feita por
Mal Evans; e em seguida gravou a parte final. A indicação do final da contagem era marcada, para fins de orientação, pelo toque de um despertador.
Paul possuia uma canção que não tinha início e nem fim. Apresentou ao grupo que resolveu inseri-la entre as partes já gravadas por John. O resultado final agradou a John Lennon e a Paul McCartney. Por coincidência, a frase da parte de Paul iniciava com: "Woke up, felt out of bed…" (acordei, caí da cama…), e começava exatamente no ponto antecedido pela marcação do toque do despertador. Por este motivo, o som do despertador foi mantido na gravação, já que Paul, pela canção, estava despertando."
Escutar a composição do outro, na maioria das vezes, ainda é muito limitador. Geralmente, optamos por costurar a música, "fechando-a", até que um dia ela se desconstrua sozinha, através do tempo ou das novas tecnologias de remixagem. Desvendar o outro é muito cansativo: gostamos mesmo é de ouvir a música pronta, não levando em conta o seu processo de produção.
Mas, a quem se interessar, é possível surpreender-se com as coincidências da vida: há mais músicas compostas "a dois" do que imaginamos.
Músicas que recordam e valorizam o "miolo", relativizando o ínicio e o fim.
Músicas que abrem mão do "miolo", supervalorizando o seu fim.
Tudo é "perspectivismo".
Bentinho, provavelmente, foi de fato traido por Capitu. Mas, acredito que decidiu perdoá-la muito antes de escrever o Dom Casmurro. É possível que ele, Bentinho, ainda gostasse de sua amiga; mas, desconsolado com a vida, permitiu que sua comida esfriasse por demais.
Já Capitu exilou-se na Europa; há quem diga que ela foi muito feliz por lá, casando-se novamente com um senhor Italiano (ou será Espanhol?); entretanto, Bentinho nunca soubera desta versão da história, porque Capitu decidira omitir certos fatos, embora nem ela soubesse o porquê.
Freqüentemente, Capitu e Bentinho se lembravam um do outro; ora com mágoa, ora com saudade. Entretanto, nunca mais se encontraram, ainda que vez ou outra trocassem cartas a respeito das despesas de Ezequiel e divagassem sobre o que poderia ter sido. A verdade é que ambos nunca se conheceram profundamente. Prova disso é o irritante e misterioso olhar ressacado de Capitu, jamais desvendado por Bentinho, já cansado de tanta ambigüidade... (ainda que, paradoxalmente, ele tenha produzido o texto mais ambíguo de toda História da Literatura Universal).
...A Day In The Life (Beattles).
(sugar, plum, fairy... sugar, plum, fairy.)
I read the news today oh boy
About a lucky man who made the grade
And though the news was rather sad
Well I just had to laugh
I saw the photograph

He blew his mind out in a car
He didn't notice that the lights had changed
A crowd of people stood and stared
They'd seen his face before
Nobody was really sure if he was from the House of Lords.

I saw a film today oh boy
The English Army had just won the war
A crowd of people turned away
But I just had a look
Having read the book, I'd love to turn you on...

Woke up, fell out of bed,
Dragged a comb across my head
Found my way downstairs and drank a cup,
And looking up I noticed I was late.

Found my coat and grabbed my hat
Made the bus in seconds flat
Found my way upstairs and had a smoke,
and somebody spoke and I went into a dream

I read the news today oh boy
Four thousand holes in Blackburn, Lancashire
And though the holes were rather small
They had to count them all
Now they know how many holes it takes to fill the Albert Hall.
I'd love to turn you on.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Procura-se Casamento...

Querido Leitor,
São exatamente 3:09 e só agora consegui terminar tudo o que eu tinha para fazer. Não consegui enviar o meu artigo ontem; enviei hoje, agora há pouco, mas acredito que hão de aceitar, afinal de contas, eu quase morri para escrever aquilo; sei que ficou ruim...mas....nem todas as primeiras vezes têm que ser boas....(estou falando sobre coisas do dia a dia, leitor tarado em potencial...).
Não aguento mais o gosto do café....Nossa! Estou tão cansada que sei que não vou conseguir dormir agora...(eu sei que é paradoxal, mas há uma lógica nisto).
Na procura por um casamento, encontrei um, finalmente:
O meu?
Não ingênuo leitor...eu não pretendo e nem posso me casar tão cedo, pelo menos durante os próximos ...4 anos, talvez!
Acontece que sou uma pessoa obsecada por casamentos: adoro tudo! acho o máximo essa coisa de casar, por isso não me importaria de me divorciar do meu futuro marido em potencial apenas para ter o prazer de me casar mais vezes....
Casar e Descasar - ainda que com a mesma pessoa; ou não.
Esse fim de semana, serei madrinha de casamento dos meus amigos Douglas e Taty, e estou muito feliz por isso e pelo convite que me foi feito...me senti muito honrada! Na correria dessa semana, não tive tempo de comprar presente algum...mas, se meu plano B der certo, pretendo resolver isso amanhã antes das 8:45.....
Sobre casamentos....essa coisa de pegar o buquê é terrível....para quem procura um bom casamento, a dica é escrever o seu nome na "barra"(será barra mesmo? barra do vestido??) do vestido da noiva.....taí a dica, aos desesperados de plantão.
Gosto da festa....do álbum...da gravata....das pessoas interessantes que a gente conhece.
Analisando o meu curriculum casamentício, percebo que tenho sorte em casórios.....do ponto de vista do...bem...vocês podem imaginar!
Aos leitores que se casarão em breve, não se desesperem: para tudo dá-se um jeito.....eu acho...
De qualquer forma, convidem-me! Sou uma boa figurante para casamentos....posso até chorar, se for preciso fazer um efeito Projac.....
Aos leitores duvidosos, sugiro-lhes a bicicleta, sempre!
Bom caríssimos....vou indo....
Ainda não organizei minha mala....não imprimi meus relatórios da PJ...(porque amanhã teremos reunião, e eu quero fingir que estou por dentro de todos os assuntos...), tão pouco escolhi o meu sapato, sandália...ai que difícil ser mulher.....
Bem que me disseram que minha alma e comportamento são de homem:
É! acho que eles têm razão.
Boa Madrugada, Leitor-coruja!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Post Destemperado.

Paulinho, Rebeca e eu!
(Raulzitles - Galpão - 15/05)
Querido Leitor....
Estou tão cansada, que resolvi descer alguns quarteirões antes de casa para poder pensar na vida e caminhar mais.
Pensei...pensei...despensei.
Estou feliz por saber que consegui sobreviver ao dia de hoje. Amanhã, tenho muitas outras coisas para fazer, mas terei mais tempo, logo, é provável que eu não consiga dar conta de tudo o que ainda falta, visto que, quanto mais penso, mais percebo que sou movida à falta de tempo...
Tudo...
Em todos os sentidos!
Mas estou bem, acreditem...e cheia temperança destemperada para os próximos dias, que hão de ser muito bons!
Na falta de texto, vale uma retextualização de um já antiguinho.
Boa leitura, leitores: eu, se pudesse, não estaria aqui lendo este texto que vos fala. Estaria tomando uma cerveja, jogando conversa fora...e observando os homens bonitos de Viçosa que transitam pelo Leão...
Semana que vem tudo voltará ao normal, como uma dieta caseira de segunda-feira.
Boa Noite, temperada ou não, leitor...

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
(Amar! - Florbela Espanca)

"Bom Dia Amigo...

...bom dia irmão,
abra um sorriso,
e cante esta canção,
thuruthuruthuru..."
(Bom dia amigo - Cancioneiro Popular Pastoral - isto existe??).

Pois é querido leitor, Bom dia:

São exatamente 4:30 de um belo novo dia em potencial,
muito frio em potencial, aliás, o que não deixa de ser muito bom potencialmente falando!
Estou tentando olhar o lado bom da coisa. Chega de posts deprimidos e desesperados...
Agora eu simplesmente hei de relaxar e deixar a vida me levar....

Faça o mesmo leitor! e divirta-se...
Se as coisas estão ruins, o provável é que elas piorem; logo, faça como disse Marta Suplicy, a respeito da crise aérea de um tempo atrás:

"Ao ser questionada sobre que incentivo que tem o brasileiro para viajar com o caos nos aeroportos, ela disse 'relaxa e goza, porque depois você vai esquecer todos os transtornos,' aconselhou Marta." [Fonte: Terra (o site, não o planeta, leitor)].

Tenham um Bom Dia!

Beijo-não-me-liguem!

(não liguem hoje! deixem para amanhã, porque será provável que eu precise de um pouco de confete...email, telefonema, cartão, visita, ombro, beijo...etc...)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Momento Desconsolo.


Eu: - Pára o mundo que eu quero descer!
Eu 2: - Calma, minha filha...tá acabando!! Falta só estudar Estilística, convencer sua professora a deixar você fazer a prova que você perdeu, preparar a aula do Pedro, treinar os exercícios sobre orações subordinadas adverbiais (coisa que você nunca aprendeu) para a aula do Pedro, dar a aula do Pedro amanhã às 13, treinar a apresentação do trabalho, apresentar o trabalho amanhã às 16, assistir duas aulas, das 18:30 às 22:00, transformar aquela maravilha num artigo, encontrar a Joelma na sexta às duas, dar aula no cursinho, arrumar um vestido decente para o casamento dos seus amigos, comprar um presente legal...(com o diheiro que você não tem), fazer uma escova, descobrir quem da Pastoral poderá te dar uma carona (visto que eles não colaboram respondendo aos seus emails e ainda assim você insiste em ter saudade daquelas pessoas desnaturadas...),e, principalmente, párar de ouvir essas musiquinhas que te fazem pensar na morte da bezerra. Ser paciente com sua tia e desencanar totalmente dos trabalhos de religião de amanhã, porque você simplesmente não vai assisti-los! Tudo isso para sexta...e amanhã é quinta, ou seja: você vai conseguir!

Tentando dar a volta pela janela...


Era o Coelho Branco, voltando vagarosamente, olhando ansiosamente para trás, como se tivesse perdido algo. Alice ouvia-o resmungando consigo mesmo, "A Duquesa! A Duquesa! Oh, minhas queridas patas! Oh minha pele e bigodes! Ela irá me executar, tão certo quanto os furões são furões! Onde posso tê-los derrubado, eu queria saber!"
[...]

O Coelho chegou até a porta e tentou abri-la. Mas como a porta abria para dentro e o cotovelo de Alice estava contra ela, nada conseguiu. A menina ouviu uma vozinha dizendo baixinho:
"Então eu vou dar a volta e entrar pela janela.'".

(CARSSOL, Lewis. Alice no País das Maravilhas).
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Estado crítico de ansiedade leitor: assim, de uma hora para outra. Não vai dar tempo!!
Olho para o meu relógio mental, tal qual o coelho de Alice, e penso:
"A Dayanne, a Professora Mônica, minha ansiedade, o meu aluno (e provavelmente a Joelma, se o meu plano funcionar...) - Eles irão me executar."

Estou tentando, leitores, dar a volta pela janela. Mas, não abro mão de estar, das 14 as 18, na sala 204 do CEE hoje!!

Tenham um bom e ansioso dia!


terça-feira, 18 de maio de 2010

"O Diabo...

...não é tão feio quanto se pinta".


Querido Leitor, seguidor anônimo e afim...
Hoje foi um dia bem cansativo, mais ou menos produtivo, e porque não: bom.
Tranquilo...nada de novo, nada de velho, ou seja: nada muito inspirador para postar.
Acho que escrevo melhor quando estou angustiada. E hoje estou com a consciência tranquila: nenhum pecado a mais para a minha lista infinda; e, ao mesmo tempo, nenhum pecado a menos...(porque os pecados são bons para que nos tornemos pessoas mais criativas, na medida em que mentimos para praticá-los, ou, não praticando-os, transformamos a ausência do inferno em inspiração para se fazer qualquer coisa, no meu caso, fingir que escrevo e cuidar mais da minha vidinha).
Confesso que a minha escrita está atrelada ao meu ciclo "Tpêmico"; também ao ciclo lunar e aos demais calendários já criados. Hoje, não tenho o que escrever, porque não estou nem feliz, nem trsite: simplesmente estou "eu"na minha versão quase equilibrada e muito sem sal.
Antes de dormir, porém, vamos divagar um pouco sobre qualquer coisa....só para me animar um pouco...
Vamos lá leitor...sugira um tema!!!
Nada???
Mesmo?
Que tal, então, O Diabo?
Pois é leitor...
O Diabo merece um post maior, com mais ilustrações, visto que é uma personagem importante na minha vida, desde a minha infância.
Eu não acredito no Diabo, a não ser como alegoria. Mas, tenho a consciência de que não acreditar no Diabo seria quase a mesma coisa que não acreditar em Deus (segundo meu pai...).
Refletindo um pouco mais, penso que na verdade eu acredito sim no Diabo, mas de uma maneira diferente. Imagino que o "capeta" seja uma parte de Deus, parte heterônima, assim como Saramago sugere no seu texto O Evangelho segundo Jesus Cristo:
"Talvez este Deus e o que há- de vir não sejam mais do que heterônimos, De quem, de quê, perguntou curiosa, outra voz, De Pessoa, foi o que se percebeu, mas também podia ter sido, Da Pessoa. Jesus, Deus e o Diabo começaram por fazer de conta que não tinham ouvido, mas logo a seguir entreolharam-se com susto, o medo comum é assim, une facilmente as diferenças."
(SARAMAGO, José. O Eangelho Segundo Jesus Cristo, 1991. p,389).
Desculpe o senhor Saramago, mas eu já imaginava alguma coisa assim um pouco antes de ler o seu texto (aquelas humildes...). Se Deus existe de fato, ele seria muito chato se fosse totalmente bom, neutro, imparcial. Acredito num Deus que não interfere nas escolhas humanas...(sim leitor: não acredito em milagres divinos, apenas humanos - eu acredito nas pessoas...), mas, gosto de acreditar num Deus que deseja, que puxa a sardinha, ainda que secretamente, para um lado ou para o outro: um Deus que gosta de futebol e sendo assim, que tem um time do coração...o Corinthians, provavelmente... (no Brasil...na Europa eu não imagino qual seria...).
O desejo, que constitui Deus, é uma das faces do Diabo, sem dúvida.
Para mim o Diabo é um homem charmoso e envolvente, desses com uma lábia FDP, daquelas que a gente, mulher pseudo-moderna, sempre caem.
O Diabo é aquele chocolate mais gostoso: Laka, Ouro Branco, Ferrero Rocher;
O Diabo é o desejo de estar no lugar do outro, de ter aquilo que não se pode ter.
Imaginem só Deus, observando a humanidade em seus pecados mais capitais: não é de dar inveja saber que somos limitados, que podemos fazer escolhas...errar, acertar, recomeçar, nascer, morrer, apaixonar-se, desapaixonar-se, amar, fazer sexo, abraçar, ser carinho, amigo, irmão, chorar, sofrer, alimentar-se, ser curado de um tumor, beber com os amigos, ler o "Sofia de Buteco"...não é tudo muito fantástico essa coisa de acordar com vida, respirar o tempo todo e, ainda com toda essa carga diária de dificuldade...todos estes complexos terríveis...(o de Golgi, por exemplo), ainda assim, prosseguir?
Deus morre de inveja desta humanidade. Não é mero acaso que ele sempre recalque o seu heterônimo Diabo, transformando-o numa narrativa feia e assustadora, dessas que se contam às criancinhas para controlá-las e livrá-las do "mal".
O que vem a ser "mal", capcioso leitor?
A verdade é que o Diabo não é tão feio quanto se pinta.
Provavelmente, é ele quem deve ter criado as cores do mundo, a literatura e a arte; o ciclo menstrual, a intuição feminina e as boas sensações.
Deus, invejando-o, criou a música e a saudade.
O Diabo deve ser um cara legal, com um espírito dionisíaco, destes que sentam com você num buteco, te pagam uma birita e ouvem, em silêncio, as suas dores afetivas...(dor de corno, dor de separação, dor de pé na bunda, dor de desilusão, dor de "amor impossível", dor de briga conjugal, dor de "ela(e) vai casar com outro..." - dores benéficas, no geral).
Hoje eu me deparei com vários diabos. Vários....
Dois em forma de pesquisa acadêmica; três em forma de chocolate (comi um pedaço de bolo e duas trufas....), e dois em forma de gente...uma dessas "gentes", aliás, me deu um pouco de bola, o que tornou o meu dia mais interessante....[a outra "gente"me deixou falando no Skype...mas eu a perdôo. (rsrs)].
Meu Diabo particular é o Johnny Deep.
E o seu, leitor?
Comente!
Em breve, escreverei mais sobre esta personagem, logo que o meu ciclo biológico, o qual determina o meu ciclo "criador", voltar ao desequilíbrio.
Um dia ainda estudo diabologia....querem apostar quanto?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

The Kiss...

(Gustav Klimt)
Linda, não?
Mas eu gosto mesmo é da Frida Kahlo.
Boa Noite, leitores - corujas...

Mulher Ambigua & Sem sal.


Sabe aquela mulher sem sal, que se torna sua "amiga" do nada, aconselhando você com uma série de bobagens as quais você dava ouvidos...falando dos relacionamentos dela, e, simultâneamente, mantendo um comportamento estranho, para não dizer ambiguo, com relação a algumas pessoas do seu meio?

Interesse...

Pois bem leitores! Acabei de me dar conta...de que estava diante de uma mulher assim...
..sem sal e ambigua!

Que Deus guarde a minha intuição, sempre certeira.
E que me dê paciência para este novo capítulo.
Saravá!

domingo, 16 de maio de 2010

Conjugando o Verbo Reclamar, no Futuro do Pretérito do Indicativo.

(Troquei a foto do post porque a anterior estava muito violenta: não é para tanto leitor!)
Minha tia abelha já teve alta, como disse num dos posts anteriores.
O problema é que certas coisas não mudam...
Sei que devia ser mais sensível, mas infelizmente, Deus me fez assim...metade simpática, metade monstro; ou seja, já brigamos de novo.

Derramamento de sangue?
Não leitores...só de lágrimas...
As dela: porque eu já perdi a minha capacidade natural de lágrima.
Ultimamente, choro só se for de flauta, violão e cavaquinho....

...cansei de reclamar.

É isso o que eu desejo a minha tia abelha:
Que ela pare de reclamar!!
Reclama de tudo; é a verdadeira personificação do verbo reclamar....


Eu reclamo...
Tu reclamas....
Ela reclama, o tempo todo.

A gente idealiza demais as coisas.
Depois desse encontro tão pessoal com Deus, queria que minha tia abelha desse uma guinada na sua vida:
mudasse de casa;
mudasse o corte de cabelo;
mudasse o rumo da travessia;
mudasse o ato infindo de reclamar o tempo todo...
...da pizza....
....do vizinho...da irmã....da sobrinha....
...da mãe...da casa alheia...da opção alheia...
....do estar ...do viver...
...de tudo o que não é ela mesma e o seu drama....

Minha tia é tão bonita, jovem....forte....
Tem uma capacidade sobrenatural de adaptação....
Sabe dançar no compasso da música...
No entanto, não consegue entender que o mundo não é ela...(é também, mas só uma pequena parte).


Sinto-me mal: sim leitores... sinto....
Mas....eu estou puro cansaço.
Quem dera o reclamar trouxesse algo de bom!
Se fosse assim, caríssimo leitor:


Nós Reclamaríamos,
Vós Reclamaríeis,
Eles Reclamariam.


(Mas eu sou um monstro: confesso).