quarta-feira, 28 de julho de 2010

Agora uma Canção...

"A Rádio Atividade leva até vocês
Mais um programa da séria série
"Dedique uma canção a quem você ama".
Eu tenho aqui em minhas mãos uma carta,
Uma carta de uma ouvinte que nos escreve
E assina com o singelo pseudônimo de
"Mariposa apaixonada de Guadalupe"
Ela nos conta que no dia que seria
O dia do dia mais feliz de sua vida
Arlindo Orlando, seu noivo
Um caminhoneiro conhecido da pequena
E pacata cidade de Miracema do Norte,
Fugiu, desapareceu, escafedeu-se.
Oh! Arlindo Orlando
Volte onde quer que você se encontre
Volte para o seio de sua amada.
Ela espera ver aquele caminhão voltando
De faróis baixos, e pára-choque duro.
Agora uma canção Canta pra mim,
Eu não quero ver você triste assim.
"estou a dois passos do Paraíso!
Talvez eu fique, eu fique por lá!"

IPANEMA...

* Foto de Neri Lima. Anoitecer em Ipanema.
* Humor de hoje: Maria Rita.

Ipanema...

Essa? Não: a outra.

A que fica do lado de lá...

Quase cinco horas de mim.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O Caderno Sem Pauta.


"She left her mark
Indelible
Oh the nature of her scripted verse
Keeps my eyes
Set on the page
And it says..."
(Keep me in mind - Little Joy).
- Não há motivo pra eu aprofundar no Direito...Ciências Contábeis? – disse uma moça, a caminho da rodoviária.

Chega o ônibus.

Um rapaz extremamente interessante surge no meu campo de visão, correndo desesperadamente em nossa direção, minha, do ônibus e da moça cujas dúvidas profissionais não a deixavam dormir....

Com pena, faço com que o motorista espere pelo rapaz, este que me agradece, embora eu não vire para trás para lhe dizer qualquer coisa. Já sentada, observo-o silenciosamente; ele se aproxima e senta perto de mim.

Tentava me olhar, o rapaz, mas eu não o correspondi; apenas lhe dei parte da minha visão periférica, e um sorriso pela metade, por achar a situação engraçada.

Ao descer, me cumprimenta :
- Boa Noite...e obrigada!
Lindo; fico feliz por ter sido também notada, ainda que minha mente estivesse bem longe daquele espaço, instante, “boa noite”.

Mas era mesmo interessante, o rapaz.

Algumas horas antes, descendo a reta da UFV, me deparei com um dos anjos da guarda de butequim que ora ou outra a vida insiste me apresentar. Um pouco antes desse incidente, alguns minutos antes, havia sido presenteada com um livro de poesia, sem pauta, o que me fez então, naquele minuto posterior, recordar o já velho diálogo com o tal anjo que me socorreu no mês de março de 2009, no café de uma livraria.

Meu namoro havia terminado algumas semanas antes. Comprei um caderno com uma arte interessante naquele dia e, num café, conversando com um amigo do meu ex, narro-lhe a minha desventura pessoal, quase aos prantos, o que chamou a atenção desse homem de óculos, 35 anos, estatura média, cabelos um pouco longos, pretos, olhos pretos, pele clara, acompanhado por uma mulher da mesma idade e tão interessante quanto.

- Nossa...que arte linda!! Adorei o seu caderno...aonde você o comprou? – puxou assunto, o anjo.
- Pena que tem pautas!! Poderia não tê-las, você sabe: aonde você comprou não havia algum outro, com a mesma arte, mas sem pautas?
- Não....
- Pois é moça...mas lembre-se de uma coisa: Para que pautas??? Viva a sua vida sem pautas daqui para frente...viu? A vida não precisa de pautas.....

Depois dessa conversa, muitas coisas me aconteceram: conheci muitas pessoas, fiz muitas amigas; uni alguns casais...como L. e M. que iniciaram um namoro ontem, à luz da benção de Madre Teresa que ora ou outra ínsito em ser, em se tratando de relacionamentos amorosos; pois é, estão namorando, graças a minha intervensão.

Desuni alguns outros tantos casais, paradoxalmente; alguns desses, o fiz para que se unissem novamente, num futuro concreto.

Hoje me lembrei de A.

A foi a primeira pessoa com quem realmente fiquei após o término do meu namoro. Não tínhamos afinidade alguma, apenas sintonia: ele havia acabado de terminar um namoro, de maneira não menos trágica que a minha. O que nos unia era o nosso sentimento de perda e desconsolo.

A não gostava de mim; mas ele via em mim aquilo que lhe fazia lembrar de M. M era o amor da vida de A. E era como eu: legal, temperamental, com um bom gosto para livros, músicas, e também jogava Tarô, além de lindíssima e charmosa.

Ficamos juntos dois meses, quando a coisa termina por si só. Na verdade, chegamos a sair algumas vezes apenas. Tempos depois, descubro que A. havia se casado com M. ; Tempos ainda depois, corajosamente, numa festa, eu quis me apresentar a M.

Naquele momento, na tal festa, pude perceber que M. é uma fofa, o que apreciei ainda mais na menina, esta que já admirava pelo fato de que ela sabe escrever super bem.
É porque M. tem um Blog, fantástico, do qual sou seguidora há meses, só que ocultamente.

M. faz Direito, como a moça do início desse texto; a diferença é que M. não tem dúvidas sobre a sua vocação, acredito.

Dúvidas e Pautas.

Há tempos que me deixei levar pela filosofia do caderno sem pauta, e apesar das angustiantes dúvidas a respeito do amanhã, tenho tentado não pensar nisso, vivendo, assim, meu presente de modo intenso e despautado.

Quero um mestrado...mas não me pressiono.

Quero um pai para os meus três filhos..mas não o procuro.

Quero que minha vida dê um romance moderno...mas não comecei a escrevê-lo, porque faltam-me desfechos, e desfechos são pautas, e pautas não me servem mais.

Desisti do romance. Por hora.

Entretanto, há tempos tenho vivido um também romance, só que despautado: este romance muito me fez bem, embora já tenha me feito o suficiente mal. Uma pessoa incrível, cuja oportunidade de conhecê-lo em meio ao caos universal foi de fato uma dádiva, se não coisa do destino: somos muito parecidos, porém não iguais...

O fato é que hoje, com todos esses encontros esquivados, tive a certeza de que só pude viver esse romance despautado após ter conhecido aquele homem no café da livraria e sua filosofia tão instigante. Me foi preciso abdicar de uma série de pautas e só assim pude deixar que esta pessoa de quem vos falo realmente se aproximasse da minha vida e da minha história, tornando-se um capítulo tão bonito do meu romance moderno sem desfecho.

O não desfecho das coisas me angustia, porque me seduz e me faz almejar uma pequena linha pautada que fosse; uma pequena certeza de reencontro e de que as coisas pudessem ser diferentes num futuro concreto – além do abstrato, em que tudo já me é perfeito....

Vontade de esperar...de ter fé em qualquer coisa. De confiar nos reencontros não causais.

O problema é que após tantas desconstruções, realmente aderi à filosofia despautada e não consigo mais reverter tamanha racionalidade – o que hoje me machuca agudamente.

É preciso que eu perca essa pessoa, que tanto me fez bem, que tanto me fez mal, que tanto me fez; é preciso não esperar nada...não programar nada...não converter a escrita que se tem, poesia torta em versos livres e brancos, numa prosa pautada no destino que mal sabemos se é real.

É preciso que eu reencontre o rapaz cujo ônibus compartilhamos por alguns minutos. Para que troquemos telefone.

Para que eu descubra que ele também acabou de perder a mulher de sua vida...(até ele descobrir que eu sou a mulher de sua vida...)

É preciso que eu me apaixone por esse rapaz, e ele por mim, na mesma intensidade e proporção, para que enfim possamos juntos esquecer os nossos romances sem pauta, transformando-os em amigos e futuros rivais de nós mesmos, ampliando assim o nosso histórico de relacionamentos funestos e mal resolvidos.

Repito: é preciso que gostemos um do outro, na mesma intensidade e proporção - principalmente - para não sofrer tanto com o fim, se ele chegar.

Para não duvidarmos do sentimento do outro; sempre insuficiente.

Não há como dizer o que será, porque se me limitasse a fazê-lo, estaria automaticamente tecendo uma linha pautada em dúvida.

A única certeza que se tem é o fim.

Entretanto, uma amiga que muito amo, outro anjo, só não de butequim, disse-me uma vez que é preciso se ter cuidado com aquilo que muito desejamos, que desejamos com a alma; porque pode ser que se realize...(lembro-me nesse momento de sua expressão, que me dava a entender uma espécie de...''E se der certo? Vai fazer o que com o certo? Já pensou nisso?).
"O certo também é perigoso, Amanda. Temos medo do certo." - ela me disse.

Acredito, apesar da falta de pauta que o momento sugere, na fala materna dessa amiga que tanto me amou; cuja vida foi também despautada a partir de uma série de perdas...(seu marido faleceu com uma bala perdida...).

Também acredito que meu anjo de butequim, o da filosofia que descrevo aqui, tenha secretamente o desejo de ser pauta de alguém, ou da história de alguém. Já se passou mais de um ano, após o nosso diálogo, e pode ser que ele tenha conseguido o desfecho que na época não procurava.

Em breve me despedirei da atual personagem dos meus textos bons, e vou tentar fazer com que seja uma despedida eterna...deixando a mercê da vida e das coincidências boas o que tiver de ser.

Tentarei não me render à comodidade dos cadernos com pauta.

Meu romance in média rés, despautado, merece um final à altura: dramático, porém casual e inesquecível.

Inesquecível até o dia em que eu reencontrar o rapaz do ônibus, o que provavelmente se dará no mês de agosto, tenho certeza.

- É Amanda...você se traiu:A certeza já é uma pauta - observou um leitor atento...

Odeio despedidas.

Mas as odeio porque as pautei num complexo de dor e lágrima; eternidade.

É preciso despautar também as despedidas, para que estas sejam livres e gratuitas; para que possam escolher entre poesia e prosa, sem a limitação da certeza, da espera, do futuro ou do nunca mais.

Clichê?? Faz parte!

Num velho disco a vida se desfaz
Em poucos minutos
Pra onde aquele tempo te levou
Também vou

Pode ser numa canção
Pode ser no coração
Eu so quero ter você por perto

Se é pra tocar o ceu e me lembrar
Do canto de um anjo (anjo também não, né...vamos combinar....)
Naquele empoeirado LP
Encontro você

Pode ser numa canção
Pode ser no coração
Eu so quero ter você por perto
Eu só quero ter você

Foi-se o tempo em que sozinho
Maltratei meu coração
Me contou um passarinho:
Tristeza é sem razão

Pode ser numa canção
Pode ser do coração
Eu so quero ter você por perto
Eu só quero ter você por perto

Pode ser numa canção
Pode ser do coração
Eu so quero ter você por perto
Eu só quero ter você...
(Por Perto - Pato FU).

Último Desejo.

Um Beijo na boca para quem me der um LAKA agora!
...Eu preciso de um; uma caixa, talvez...daqueles maiores....
...
(...suspiro...).


domingo, 25 de julho de 2010

Reconhecimento.


*Café da Manhã. Foto de César Oliveira.
Amiga, como são desnorteantes
Os caminhos da amizade.
Apareceste para ser o ombro suave
Onde se reclina a inquietação do forte
(Ou que forte se pensa ingenuamente).
Trazias nos olhos pensativosA bruma da renúncia:
Não querias a vida plena,
Tinhas o prévio desencanto das uniões para toda a vida,
Não pedias nada,Não reclamavas teu quinhão de luz.
E deslizavas em ritmo gratuito de ciranda.
Descansei em ti meu feixe de desencontros
E de encontros funestos.
Queria talvez - sem o perceber, juro -
Sadicamente massacrar-se
Sob o ferro de culpas e vacilações e angústias que doíam
Desde a hora do nascimento,
Senão desde o instante da concepção em certo mês perdido na História,
Ou mais longe, desde aquele momento intemporal
Em que os seres são apenas hipóteses não formuladas
No caos universal
Como nos enganamos fugindo ao amor!
Como o desconhecemos, talvez com receio de enfrentar
Sua espada coruscante, seu formidável
Poder de penetrar o sangue e nele imprimir
Uma orquídea de fogo e lágrimas.
Entretanto, ele chegou de manso e me envolveu
Em doçura e celestes amavios.
Não queimava, não siderava; sorria.
Mal entendi, tonto que fui, esse sorriso.
Feri-me pelas próprias mãos, não pelo amor
Que trazias para mim e que teus dedos confirmavam
Ao se juntarem aos meus, na infantil procura do Outro,
O Outro que eu me supunha, o Outro que te imaginava,
Quando - por esperteza do amor - senti que éramos um só.
Amiga, amada, amada amiga, assim o amor
Dissolve o mesquinho desejo de existir em face do mundo
Com o olhar pervagante e larga ciência das coisas.
Já não defrontamos o mundo: nele nos diluímos,
E a pura essência em que nos transmutamos dispensa
Alegorias, circunstâncias, referências temporais,
Imaginações oníricas,O vôo do Pássaro Azul, a aurora boreal,
As chaves de ouro dos sonetos e dos castelos medievos,
Todas as imposturas da razão e da experiência,
Para existir em si e por si,À revelia de corpos amantes,
Pois já nem somos nós, somos o número perfeito: UM.
Levou tempo, eu sei, para que o Eu renunciasse
à vacuidade de persistir, fixo e solar,
E se confessasse jubilosamente vencido,
Até respirar o júbilo maior da integração.
Agora, amada minha para sempre,
Nem olhar temos de ver nem ouvidos de captar
A melodia, a paisagem, a transparência da vida,
Perdidos que estamos na concha ultramarina de amar.
(Reconhecimento do Amor - Carlos Drummond de Andrade).

As Rosas falam sim....

É meu filho...
olha só o que você
acabou de perder!!!
Hoje ouvi uma história surreal.
Não acredito nela...na tal história. Gostaria de acreditar, porque seria mais fácil, mas eu acho que há uma mentira. Mentira com vontade de ser verdade; mas, ainda assim, mentirinha.
Acho que é sinal de cumplicidade, da qual não tenho parte com. Sou um número sem par....o número da besta...666.
Acho que vocês têm quase tudo para dar certo...
Agora pouco importa.
O que importa é que há tantas outras rosas por aí....só esperando para serem cativadas!
Saravá!

"Help me believe in anything. Cause I want to be someone who believes..."

(Mr. Jones, Counting Crows - porque a terceira grande foça amorosa da vida de alguém não pode ser completamente triste....nem completamente cega).

O Luto de Sofia.


Hoje morreu mais um grande e bonito amor em potencial.
Morreu de morte escolhida.
Amor suicida.
Motivo?
Um beijo, uma xícara de café....e uma imensa dor nos meus pés, ombros e alma.
25 de julho de 2010. Não esqueça essa data.

sábado, 24 de julho de 2010

A. Poulain


Terrível esse tempo de desencontros.
Hoje passei a noite sozinha em casa; em 24 anos de idade, é a primeira vez que passo uma noite literalmente só, na minha própria casa. Sou filha única e sempre recebi de meus pais um cuidado extremado, desses que te irritam até o último nervo bem-vivo; mas, por ironia do destino, destino-destino-destino, prestes a ingressar na terceira idade, meu casal preferido decide viajar sozinho vez ou outra.
Desta vez a razão não é das melhores: uma tia avó doentinha...prestes a.
Dormi só, mas não exatamente imersa na solidão. Não quero comentar sobre um último acontecimento sobrenatural que me ocorreu dias atrás, em que pude ouvir uma voz realmente estranha provinda da minha caixa de som; não! para dormir só, na minha casa que é tão grande, e tão desorganizada quando está aos meus cuidados, foi preciso que eu esquecesse desse medo.
Medo dos desencontros.
Apesar do tempo ruim, dos desencontros todos, inteiros, plenos, alguns encontros se tecem sem que percebamos. Conheci uma menina que, não sei....me assustou ontem com uma cumplicidade e entendimento desses que só as pessoas grandes-pequenas e que muito já sofreram, muito já amaram nos poderiam oferecer.
As pessoas de muita sorte não.
Ficou comigo na sarjeta, literalmente, me contando a verdade sobre a vida, enquanto eu pensava qualquer coisa.
Essa menina, que é linda-linda, uma fada, me disse aquilo que eu acredito, mas esqueço.
"Sofia...a vida é muito curta. As pessoas morrem. Semana passada perdi uma grande amiga; retrasada também."
"Eu disse a ele, ao meu ex, que nós iamos nos perder...que morreriamos um para o outro. Ele não se importou, mas por que ele deveria? ele não sou eu! eu não devo esperar dele, das pessoas, dez reações calculadas; se elas escolhem a décima primeira, eu me frustro...mas a culpa não é delas; elas não são eu. Elas não viveram o que eu vivi e não sentem as coisas como eu sinto".
"O fim, Sofia, pode chegar antes que a gente se dê conta. Faça disso algo bonito então...e pense que as pessoas se vão, todas, e que a vida é isso...."
Um feixe de luz no que é obscuro. Passou.
Eu provavelmente vou fazer a coisa errada, mas com muito desejo de acertar: isso já não é um acerto?
Depois de termos tido a nossa noite sabotada por uma péssima visão, essa pessoa que, espero que a vida nos aproxime ainda mais, fez comigo aquilo que eu faria com qualquer um: e eu me senti feliz por causa disso.
Porque às vezes complicamos tanto as vidas que nos são emprestadas, as nossas e as de quem amamos, que não enxergamos o óbvio; não damos o carinho simples, porque pensamos que o outro, à espera de um gesto grandiloquente, não suportaria o simples...mas é o simples, o social, às vezes é mais importante.
Essa moça-meio fada, meio bruxa - porque já me adivinha, viu que não queria cerveja nem beijo na boca; queria ficar alí, logo logo logo adiante, perto de uma sarjeta, conversando sobre coisas da vida, sobre pessoas que partem, sobre frustrações e o que fazemos delas. Sobre despedidas.
Se isso não é estranho, para um dia de festa, o que mais será?
Se isso não é obra do destino...não sei o que poderia ser então.
Porque eu encontrei a pessoa certa, na hora certa, no local certo.
Mas, ainda assim, é provável que eu faça o errado, ainda que com o certo nas mãos.
Que pessoa linda, meu Deus....
Obrigada!
Espero que você fique bem.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Despedida...(24-07-01:46)

* Apaixonados pelos sinos. Foto de Richardson Santos.
É desde criança que o barulho dos sinos me encanta.
Levo-o comigo, para lembrar-me de quem fui.
Sempre que ouço um cantar dum sino, sereníssimo e tosco,
como um coração que bate, vivo, forte, racional,
Lembro-me.
...
"Habré de levantar la vasta vida
que aún ahora es tu espejo:
cada mañana habré de reconstruirla.
Desde que te alejaste,
cuántos lugares se han tornado vanos
y sin sentido, iguales
a luces en el día.
Tardes que fueron nichos de tu imagen,
músicas en que siempre me aguardabas;
palabras de aquel tiempo,
yo tendré que quebrarlas con mis manos.
¿En qué hondonada esconderé mi alma
para que no vea tu ausencia
que como un sol terrible, sin ocaso,
brilla definitiva y despiadada?
Tu ausencia me rodea
como la cuerda a la garganta,
el mar al que se hunde."
(Ausência - Jorge Luís Borges).

Acontece nas melhores famílias.


Há certas situações, sentimentos e frustrações que nos fazem ainda mais amigos de nós mesmos.
Você pode estar repleto de pessoas a seu redor, mas o fato é que às vezes se faz necessário uma contemplação solitária de todas as coisas...é disso que nos vem a vontade do novo: mais um ciclo de sete anos, por exemplo.
Essa coisa toda é tão complicada, tão difícil...me sinto tão só....
Mas estou comigo....e não abro!

CHORA, ME LIGA, IMPLORA MEU BEIJO DE NOVO!!

CHORA, ME LIGA, IMPLORA MEU BEIJO DE NOVO....

ou será: DE NOVO MEU BEIJO IMPLORA, ME LIGA E CHORA.....

...Que seja: a ordem dos fatores pouco importa........

O único produto relevante, no fim das contas, é a vida boa que se tem ao lado dos amigos...velhos, novos....amigos....
E, sem dúvida....um sertanejo bem choroso...desses catárticos.
A vida é muito curta para ser pequena.
...
"Não era pra você se apaixonar
Era só pra gente ficar
Eu te avisei!
Meu bem eu te avisei
Você sabia que eu era assim
Paixão de uma noite que logo tem fim
Eu te falei
meu bem eu te falei
Não vai ser tão fácil assim
Você me ter nas mãos
Logo você que era acostumada
A brincar com outro coração
Não venha me perguntar
Qual a melhor saída
Eu sofri muito por amor
Agora eu vou curtir a vida

Chora, me liga, implora
Meu beijo de novo
Me pede socorro
Quem sabe eu vou te salvar
Chora, me liga, implora
Pelo meu amor
Pede por favor
Quem sabe um dia
eu volto a te procurar"
(Chora, me Liga - João Bosco e Vinícius).

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Ausência.

* Foto de Fernando Alves. Tristeza......

Nossas relações...
Esta simbiose que somos.
Você sabe o que buscava:
beleza que não se engorde.
amor que não torne burguês.
Por outro lado você:
queria ter o amor de alguém
pelo que eu fiz.
Eu não fiz nada para você se apaixonar.
Mas ainda jorra sangue
nas minhas renúncias.
(Nossas Relações - Ernesto Cardenal - tradução aproximada).

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Raiva+Cachaça = péssima combinação para uma mulher não moderna!

* Foto de Karina Bertoncini. Menina.

Há certas situações que só as mulheres entendem.
Chegar em casa sem saber como, com a maquiagem desfeita em lágrimas, com um celular o qual não é seu e a terrível sensação de ter feito alguma coisa errada....e de saber que não poderia ter feito diferente.
Ai ai.....
A vida é tão engraçada....mulheres e seus códigos de conduta...
"Ah relaxa....você me deixou sozinho, me levou o celular, meu dinheiro, meu ingresso para a festa de ontem, minha vontade e minha raiva; mas no seu lugar...teria feito o mesmo....Parabéns! você é mulher!".

"Não tem que se desculpar....eu no seu lugar teria feito muito pior....".

"Você? não brinca....coisa de mulher....".

"Ah que isso...desencana...daqui a 75 anos vamos fazer uma leitura diferente dos seus ataques de raiva; vai ser engraçado....aproveita e pega uma cerveja...".

"Você é uma vaca, roubou minha cena, molhou meu cabelo com cerveja, pegou meu peguete... mas eu gostei de você!! Você tem celular?".

"Ai Sofia...jura??????? Você não tem vergonha? Porque ficou alí??? ele é um fdp e não te merece...aliás...meu irmão gostou muito de você!".

"Sofia...você é uma idiota".

"Sofia....você fez tudo de propósito.".

"Eu sei Sofia que não foi de propósito....mas você é muito passional; a vida não pode ser um filme do Almòdovar; no máximo, um Manoel Carlos....chega!".

"Sofia....isso são horas? isso são modos? isso são....drogas injetáveis?".

"Sofia...você é tão linda.....ai ai...me derreto por você."

"Sofia...".

As mulheres têm crédito com Deus, com o Diabo, com o universo; com os banheiros de festa e com as amigas também mulheres; com os amigos gays, com os tios do DCE, os taxistas, porteiros e seguranças; com as canções do Sidney Magal.
Mas, sobretudo, temos crédito com outras mulheres, além das amigas: mulheres desconhecidas, tristes, felizes, bonitas, feias, má educadas e temperamentais, unidas por um sentimento de raiva diante da obviedade de todas as coisas....

Um brinde a você mulher!
("...Jura Sofia que você ficou alí parada, igual a um peixe pedra??? Que legal prima...quero ser como você quando eu tiver 10 anos.").
("...o meu sangue ferve por você, Sofia...")
("...deixa eu ver a foto Sofia!! Uau...você tava linda...ai desculpa, você é essa aqui do canto, né? com cara de brava e de quem já tinha bebido horrores...").
("Vou embora...")

terça-feira, 20 de julho de 2010

ERRATA

Prezado Leitor,
Sofia de Buteco e seus organizadores (isto é...eu, eu mesma, meus botões e alguns amigos, vez ou outra) receberam milhares, isso mesmo, milhares de comentários a respeito do texto "Apaixonado?", postado no dia 18 de julho de 2010.
Os comentários são de pessoas desiludidas e cabisbaixas por descobrirem repentinamente que não estão apaixonadas por seus parceiros atuais, de acordo com os artigos os quais usamos como ilustrações.
Ora, queridos, como diz um grande amigo de Sofia, Dr. Caramujo: "os sentimentos humanos são como as cores: é impossível limitá-los a classificações."Pode ser que para você o azul seja royal, marinho, água; para mim, não passa de azul escuro...(visto que tenho um problema real com classificações de cores...)
Ou seja: Você pode não estar apaixonado, ainda que tenha se identificado com mais da metade dos exemplos citados. O contrário também é plausível.
Sofia, por exemplo, apaixonada ou não, devido a uma má formação congênita, costuma sentir tremeideras e taquicardias, independente das situações.
Já quando está apaixonada, Sofia costuma ser ainda mais mal humorada, e, sobretudo, ainda mais lesada...(contrariando os exemplos sobre felicidade extremada e vitalidade súbita, raciocínio rápido...).
E, apaixonada ou não, Sofia não costuma de modo algum caminhar 400 km para estar com seu amado, porque Sofia é preguiçosa em todas as circunstâncias, ainda mais nas relacionadas ao campo semântico do bem querer, além de não ser uma mulher motorizada.
Sendo assim, Leitores e Leitoras:
Sejam felizes e não levem nossos posts ao pé da letra.
Atenciosamente,
Sofia de Buteco e org.

A VERDADE SOBRE O DIA DO AMIGO...(Parte III)


FELIZ DIA DO AMIGO!
PORQUE AMIGO É AMIGO...
E FDP...
É FDP!!

A VERDADE SOBRE O DIA DO AMIGO...(Parte II)


* Foto de Paulo Henrique Rodrigues. Toque o Berrante.
FELIZ DIA DO AMIGO!!
PORQUE AMIGO É AMIGO
E FDP...
É FDP!!!

A VERDADE SOBRE O DIA DO AMIGO...(Parte I)


FELIZ DIA DO AMIGO!

PORQUE AMIGO É AMIGO...

E FDP...

É FDP!!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

...E despacho na esquina...

* Foto de Paula Brasil. Expressões Idiomáticas - Chuta que é Macumba!
"Pra te ganhar
Dei sujesta em vagabundo
Dei a volta pelo mundo
Eu mergulhei fundo sem medo de errar
E você fica nessa querendo esnobar
Meu amor que é tão profundo
Ta na hora de parar com isso
Eu jogo um feitiço pra te apaixonar

Tomara que você me entenda
Ou eu faço oferenda
Pro meu orixá
Já é hora de parar com isso
Ou eu jogo um feitiço pra te apaixonar

Eu escrevo teu nome menina
E despacho na esquina
se o santo mandar
ta na hora de parar com isso
Ou eu faço feitiço pra te apaixonar

Eu boto um litro de cachaça
Farofa de mel e dendê
Na rua onde você passa
Feitiço pra amarrar você

Que a minha vida não tem graça
Não quero/posso mais viver assim
Então deixa de pirraça
Eu quero teu amor pra mim

Se até dez horas da noite você não voltar
Eu boto meu povo na rua pra te procurar
Se até dez horas...Se até dez horas da noite você não voltar
Eu boto meu povo da rua pra te procurar

Minha paixão é verdadeira
Eu quero você por inteira..."
(Boto Meu Povo Na Rua -
Mart'nália).

domingo, 18 de julho de 2010

Apaixonado?

*Foto de Sofia Delage. Burro??!!!
Querido Leitor Apaixonado em Potencial...
Você acha que está apaixonado, porém ainda tem dúvidas?
Confira os artigos que nós do Sofia de Buteco postamos para você, extraídos dos Blogs "Gente que existe: pequenas histórias de personagens da vida real" / Artigos Quentes: os melhores artigos e tire suas conclusões!
Identificou-se com mais da metade dos exemplos abaixo?
Procure já um médico especialista ou um dos santos do nosso buteco sentimental: São Saci do Pererê, Santa Claus, Santa Rita de Cássia, São Cipriano, Santo Expedito, Santo Antônio - e resolva já o seu problema!
***
1. Você se flagra pensando nela às três da tarde de uma terça-feira repleta de trabalho e tem uma vontade incontrolável de parar tudo que está fazendo só pra telefonar e ouvir aquele jeito de falar que só ela tem e você não entende como é que pode...;

2. O simples fato de saber que na sexta-feira vai ter uma festa e ela vai estar lá já te faz lembrar que suas calças estão muito velhas e que você precisa urgente ir ao shopping pra comprar uma calça nova;

3. Toda vez que você sabe que vai se encontrar com ela você toma aquele banho com atenção redobrada, gasta quase o sabonete inteiro, usa e abusa do xampu e quando sai do banho faz a barba mais meticulosa da década e passa o perfume em todas as vinte e três partes do corpo que, nas suas fantasias antecipadas, ela cheirou;

4. Ela chega na festa que você já sabia há muito tempo que ela ia, tanto que passou a semana inteira ensaiando sozinho conversas interessantes, mas mesmo assim bate uma súbita taquicardia e um nervosismo tão besta que ela te fala “oi” e você não consegue responder direito;

5. Na hora que você vai deixá-la em casa, depois da festa, você pára o carro na porta, mas fica rezando por dentro pra não chegar nunca o momento da despedida, fica ali com ela demorando até o dia nascer e quando ela fala que tem que ir você pergunta: -Mas já?;

6. Ao acordar de manhã, no exato instante em que o cérebro começa a funcionar, a primeira coisa que você se lembra é que vocês ficaram juntos na véspera e isso te dá vontade de dar um pulo da cama como quem comemora um gol, mas você não pula e fica deitado mesmo, se enrola no cobertor e ri sozinho;

7. Você fica se policiando o dia inteiro pra não ligar pra ela no dia seguinte, porque você tem medo de ligar e ela te achar muito pegajoso e se desinteressar, mas mesmo assim chega uma hora que você não consegue e acaba ligando;

8. Deitado na cama, à noite, você se lembra de um livro que ela falou que estava louca pra ler e fica doido pra chegar logo o dia seguinte que é pra você poder comprar o tal livro e deixar na portaria do prédio em que ela mora, com um cartão com seu nome e umas palavras que só você mesmo poderia ter escrito;

9. Toca uma música no rádio e você logo pensa que essa música é a cara dela, mas aí essa música acaba e começa uma outra música que é tão a cara dela quanto a que acabou de tocar;

10. Naquele boteco, só você e ela, conversando e comendo aquele tira-gosto manjado com uma cerveja gelada quase banal, você subitamente constata que não existe nenhum outro lugar do mundo em que você preferiria estar naquele momento que não fosse ali mesmo, naquele boteco ordinário, com ela.
...
*Perde o apetite – emagrece.*Perde o sono – fica a noite inteira conversando, trocando e-mails ou fazendo sexo com o amado e no dia seguinte está novinho em folha.*Chora muito e á toa – chora de soluçar.*Fica fora do ar, sonhador, suspira a toa.*Em segundos passa da euforia á fossa.*O coração bate mais forte, dispara.*Tem surtos de loucura.*Declara seus sentimentos sem parar, mesmo sem ter intenção.*As mãos suam e gelam.*Pernas e mãos trêmulas.*Grande ansiedade em fazer contato, em estar em contato com o amado, entrando em desespero se algo o impedir pois fica muito angustiado na ausência do outro.*Preocupação e cuidado excessivos com o outro.*Tenta mas não consegue conter seu comportamento obcessivo. Em casos mais graves nem percebe que age de maneira anormal – acha que está como sempre foi.*Abandona interesses e atividades antes valorizadas. Abandona a família, se esquece dela mesmo consciente dos danos que está causando. Esquece o passado, os valores, a ética – que se dane o mundo, só quer o amado.*Frio constante na barriga.*Sensação de onipotência. *Desprende muito tempo com o outro.*Pensamento obcessivo – pensa no outro 24 horas por dia e, quando dorme, sonha com o amado.*Calafrios, sensações maravilhosas e indescritíveis.*Tem alucinações.*Fica mais vaidoso – torna-se sedutor.*Tem muito desejo, muito tesão.*Sente muitos ciúmes, muito medo de perder.*Perde o senso critico, o controle de si mesmo, sua identidade, sua individualidade e o poder de raciocínio. Não consegue dominar a razão, dá costas á ela.*Na mulher os seios aumentam (maior irrigação sanguínea), nos homens opênis aumenta em tamanho, força e potência. Os olhos brilham e oslábios aumentam.*Grande sensação de bem estar, tudo fica lindo. Fica de bem com a vida como se tivesse ingerido a “pílula da felicidade”. Grande euforia.A sensação de bem estar se dá pela liberação de endorfina e a euforia pela liberação de adrenalina. Ao mesmo tempo perde a paz interior.*Fica alienado.*Adota uma linguagem própria, diferente, boba.*Sente-se um adolescente.*Torna-se mais otimista, mais vigoroso e com maior capacidade mental.*Sofre uma limitação da realidade. Enxerga o outro como um ser perfeito. Fica cego. Se nega a ver os defeitos do amado, criando um pedestal para este, idolatra-o => Comprometimento da capacidade de juízo da realidade.*Pelo outro faz loucuras, faz bobagens, se rasteja. Torna-se burro, ridículo e irresponsável mas se vê como charmoso e irresistível.*Para agradar o amado, usa máscaras, mostrando só suas qualidades. Manda flores, presentes caros, antecipa os desejos do amado e antecipasua realização.*Escreve versos medíocres, não economiza nas declarações de amor.Não conhece limites de tempo e espaço, sendo capaz de andar 400 km para estar com o amado por alguns minutos.*Os fatos do dia a dia que antes o aborreciam não aborrecem mais. Está tão ocupado com seus sentimentos que nem repara nas atrocidades.*Fala muito e não ouve ninguém.*Precisa á toda hora ouvir que é amado. A todo momento aplica teste de aceitação.*Nem sempre se transforma em alguém desejável ou agradável.*Passa a associar musicas com seus sentimentos.

Pedido Chatinho de Casamento.

* Foto de Satoshi. Casamento.


- E aí??
Bora Casar?
Ou prefere
se arrepender amargamente
pelos próximos 666 anos?
Alinhar ao centro




"Não quero que isso aqui dentro de mim
Vá embora e tome outro lugar
Talvez a vida mude e nossa estrada pode se cruzar...
[...]Estou sentindo
Que está chegando a hora de dormir."
(Outro Lugar - Milton Nascimento).

Procura-se Fazendeiro! (Parte VI de VI).

Querido Leitor Sofiano....
Para você leitor perseverante e esperançoso que esteve ao lado de Sofia e seus companheiros de copo nesta odisséica semana repleta de desafios, surpresas e conquistas...eis o resultado de nossa busca:
Entre mortos e feridos, todos se salvaram!
Sofia, o buteco, e também os fazendeiros que encontramos....
Sim querido leitor...encontramos milhões de fazendeiros dispostos a um relacionamento sincero, baseado no afeto, no amor e na comunhão de bens...ops...construção de um futuro a dois....
Mas...como felicidade de pobre dura pouco, pouquíssimo....ainda não foi dessa vez que efetivamos o nosso contrato...ops...laço de união eterna.
Por que?
Porque nossos amigos fazendeiros moram muito longe..lá no Sertão de Goiás, ou seja: encontramos as pessoas certas na hora errada....como acontece com quase todas as pessoas "especiais"deste planeta o qual habitamos...
Foi por pouco.
De qualquer forma, como diz Guimarães Rosa, o que nos importa é a travessia: quem sabe no próximo ano, com novas estratégias infalíveis, ao lado de novas amigas e companheiras de causa, poderemos enfim encontrar o nosso Fazendeiro....
...Menor de 75 anos....
Solteiro....Viúvo...ou "Desquitado"....
Mas, sobretudo...Rico....ops...Charmoso e Interessante.......

E assim finalizamos o nosso:

ESPECIAL PROCURA-SE

FAZENDEIRO 2010!!

Até o próximo ano Leitor, Leitora, Fazendeiro, Vaca, Cabrita, Capivara....derivados...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Angelicando....

* Foto de Mailson Santana. Um Anjo.
Papai e Mamis foram viajar e só voltam segunda-feira...
Estou sozinha em casa....até segunda....(pausa dramática).

Triste, não?

A sorte deles é que sou uma boa moça, apesar das inúmeras tentativas de alguns amigos de me desviarem do caminho da moral e dos bons costumes....

Ficarei em casa, todos os dias, rezando pela conversão dos gentios....

Uma boa e angelical tarde para Todos!

Tudo Passa...




"Eu você e todos os encontros casuais
os ais e os hão de ser
e todos os casais também
olha, acho até que quem achou que nunca ia
esse ia se espantar de ver que o ódio e o amor
e até eu vou pra ver no que vai dar
a massa a moça
e até esse pra sempre...

...tudo passa"

(Tudo Passa - Marcelo Camelo)

Procura-se Fazendeiro! (Parte V)


Fazendeiro?
Menor de 75 anos
Ric..ops... charmoso?
...
Não perca leitor sofiano, o último capítulo da nossa odisséia feminina, agora ainda mais coletiva, com outras duas, quatro, cinco adeptas: "Procura-se Fazendeiro!".
Confira o post de amanhã e mate a sua curiosidade a respeito do fim da nossa incessante procura!
Tenham um Bommmmmm Dia!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Meu medo da morte.


"O amor comeu meu silêncio,
minha dor de cabeça,
meu medo da morte".
(João Cabral de Mello Neto).

Hoje sonhei com a morte de uma pessoa querida. Ontem, recebi um terno email de um amigo, Ricardo, padre, que está atualmente em Moçambique, atuando como missionário. Ainda ontem, na Semana do Fazendeiro, observava as pessoas que transitavam tranquilamente, ora sóbrias, ora embriagadas, felizes, entediadas: vivas.
Medo da morte.
Eu tenho medo da morte das pessoas que me cercam, mas ultimamente, quando penso na possibilidade da chegada hipoteticamente precoce da minha própria morte, não sinto medo da dor, do fim, do que poderia vir ou da falta de, do nada, do silêncio, do ponto final.
Também não tenho medo do não encontro com Deus, caso ele não exista lá.
Sinto pena da ausência de vida. Tenho tantos romances para ler, tantos outros para viver, tantos lugares para ir, pessoas a conhecer, decepções, boas lembranças que, sinceramente, eu não só teria que morrer velhinha, mas como ainda viver uns 200 anos para aprender e fazer tudo aquilo que eu gostaria.
Ao mesmo tempo, viver em excesso também não seria uma escolha ideal: ver tantas pessoas partindo e você (eu) vivo, consciente, porém só e vazio.
Nesse momento, me dou conta de que o combustível da vida é o amor. Amor que persiste, insiste em manter-nos acordados, quando dormir seria mais cômodo.
Só o amor é capaz de inibir o humano e natural medo da morte.
Vendo as fotos de meu amigo Ricardo, em Moçambique, tive a segurança de que meu amigo, como muito merece, está feliz, amando e fazendo aquilo que escolheu para si, para sua vida, para sua existência.
Forte, não?
Espero poder passar por esse mundo também fazendo aquilo que eu escolhi, que me completa e que me confere um minímo sentido em meio ao caos que é o existir, o fazer escolhas, o perder, o ganhar, o arriscar-se...o viver.
Hoje eu não tenho mais tanto medo da morte, em comparação com o medo que tinha ainda ontem.
O amor comeu a minha cronologia, meu relógio biológico, minha dor maxiliar, minha mediocridade:
O meu meu medo de existir.