domingo, 28 de novembro de 2010

LUTO...

LUTO

Maria Leles Acipreste
(Minha avó materna...)
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Que Deus nos abençoe...
Assim seja. Amém.
(Estamos em São Miguel do Anta).

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Jovem que matou a mãe e xingou a imprensa: covardia social.

*E ali estava ele...e chovia. Foto de Helder Costa Real.
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O jovem que matou a mãe e xingou a impresa tem um nome, aliás, um belo nome: Emílio.
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Emílio tem 32 anos e é Paranaense. Viciado em crak e cocaína desde os vinte e dois anos. De acordo com minhas pesquisas, Emílio assassinara a mãe a facadas por ter descoberto que ela usava seus cartões de cédito - especulações.
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Bem. O fato é que há alguns dias o vídeo desse rapaz tem circulado na internet de modo cruel e sensacionalista. Trata-se de uma fala do rapaz, visivelmente alucinado pelo uso de drogas, em que este agride verbalmente os repórteres da TV Bandeirantes.
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- Por que você matou sua mãe?
- Não interessa palhaço! Morre diabo, Morre diabo!
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O novo jargão "morre diabo" transita nos orkut´s da meninada, acompanhado pelo fragmento do vídeo. Há um momento em que Emílio olha para a câmera com tamanho ódio, que só é possível ouvir sua respiração ofegante e desesperada.
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- hahaha! parece um filme de terror! - alguém comentou.
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Penso que as pessoas, isto é, nós, que colocamos esses vídeos em nossos sites de relacionamentos, não o fazemos por mal, obviamente: não deixa de ser engraçado certas situações, certas falas...enfim....eu entendo.
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Mas, pessoalmente, acho de extremo mau gosto e falta de humanidade. O vídeo no orkut? Não, não....isso é apenas uma mísera ponta do iceberg!
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Acho um absurdo a nossa falta de sensibilidade diante da dor e miséria humana; diante da falta de sorte do outro, diante das escolhas mal feitas de um sujeito que nada tem com minha vida, mas que podia ser meu irmão, pai, namorado; filho!
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Um caso desses como o do jovem Emílio merece minimamente nossa atenção e angustia: enquanto "fumamos" nosso beck nas universidades federais do país, ou naquela baladinha, há jovens quem pagam caro pela "nossa" onda. Não quero entrar nessa discussão, porque ela merece uma longa explanação, mas o fato é que ao reproduzirmos a desgraça do outro, um outro que não pode se defender, deixamos de respeitar a essência do sujeito; ou seja, somos socialmente responsáveis pelo estado lastimável em que este se encontra, condicionamos o indivíduo,a partir do momento em que negamos a ele o princípio básico e primário da dignidade humana (para quem crê em qualquer coisa além: é como se matássemos o Deus que habita dentro do outro).
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É perceptível que, além de usuário de drogas, Emílio tem sérios transtornos mentais que mercem cuidados. Acredito sim que ele deva pagar pelos seus atos; porém, é preciso que justiça seja feita de modo coerente com a história da vítima, que neste caso, a meu ver, é Emílio.
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Pensando em nosso cotidiano, estamos cercados por pessoas "diferentes" cujas excetrencidades são transformadas em espetáculo para aqueles que se definem como "normais": há sempre um Rogerinho, Mariazinha, Joãozinho que conhecemos, espetácularizados pela nossa fome de riso. Duas perguntas me surgem:
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1) Onde está a dignidade humana? Daquele quem ri e daquele que é ridicularizado?
2) O que é normalidade mesmo?

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Eu que não sou nada normal, tenho pena de toda essa covardia.
Chega de violência e extermínio de jovens!

Comprando camisinha

SEVEN DAYS...

"CONTA OUTRA...

... NESSA EU NÃO CAIO MAIS...."

*Sleeping beauty. Fotos de Cristina Caras
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Querido Leitor
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Há quem diga que certas situações na vida tendem a se repetir cinematogaficamente, ainda que estejamos em papéis diferentes.
Já assiti essa cena muitas vezes, sei onde isso vai dar: mas o impressionante é saber que mesmo assim cometemos, na maioria das vezes, os mesmos erros estúpidos.
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Céus!
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É como aquele filme...o telefone toca...você está sozinho em casa....sabe que é Samara Morgan do outro lado da linha....mas, ainda assim....você atende:
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- Seven Days....
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Falta de criatividade do roteirista, obviamente!! Você sabe disso melhor do que eu, mas para não perder a graça, você se desespera e começa tudo de novo...setenta e sete vezes sete...
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Será preciso sete vidas para aprendermos?
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Estou quietinha no meu canto: não faço mal a niguém, pelo menos não voluntariamente. Também não faço o bem que devia: tenho pensamentos maléficos sobre certas pessoas, mas elas nunca saberão, aliás, quem não os tem? Confesso inclusive que,embora eu não deseje o mal, com queijo, faca e mão, saboto sem dó.
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Ao roteirista: - Enxergo coisas que meus olhos vêem. Para todas as outras, há sempre algum(a) deslumbrado(a) quem me narra a sinopse, quando já não me interessa...
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Como mudo de canal?
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Bom dia!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

E a fila?

*Foto de Joaquim Oliveira. Em fila.
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E a fila? a fila anda, oras....em quase todos os casos!
Bom dia!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

AMIGA DANDARA...


- Amanda, você é igual a nossa amiga Dandara: sempre se dá mal! HAHAHAHAHA (risos de Hugo e Wagner, somente).

Lagartixa.


Lagartixa. Foto de Benjamin Vieira.

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Há uma lagartixa do lado de fora: tão gordinha! Movendo-se lentamente com seu excesso de peso e fome de inseto.
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Poderia matá-la com um cabo de vassoura, mas recolho minha tirania para deixá-la viver: é provável que ela se canse da luta e decida sucumbir por si só, junto com a fome, frio e fascínio que trai o predador envaidecido, mas que também é presa da gente que tem medo.
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Lagartixa: será minha tia avó? reencarnada pela sétima vez?
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Lagartixa! Me dá sua benção? Deusbençoe!
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Às vezes a gente morre por conta do medo: só a insitência é que faz valer, como rabinho de lagartixa que sobrevive à tirania.
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Toda tirania é medo disfarçado............Acha que não sei?

FAZCHOVER...


*Apenas gotas de chuva. Foto de Sérgio R. Moskato
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Barulhinho bom - esse de chuva. Vontade de deixar chover, assim sem eira, assim sem beira, assim sem meio e maneira, até ver o que fica: Voilá! até ver o que fica.
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Ter a possibilidade de. é o que faz mover o mundo. Girar o mundo. Ter a possibilidade de. Até ver o que fica.
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Chover até que o último grão de vida se dissemine em meio a falta de fé, daquele que fica, daquele que não sabe chover, daquele que não sabe brincar na poça de chuva.
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Todo mundo traz dentro de si uma chuva engasgada à espera de ser poça, à espera de molhar a secura que é a falta. Fazchover, fazchover, fazchover - no meio do nada que é a falta, meio do nada que é o silêncio agudo de quem fica.
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É como um aborto involuntário - o não chover. A felicidade não é a conquista, mas a possibilidade de.;a mola que propicia o salto, a corda que verbaliza o grito, a água que anseia o ser chuva.
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Fazchover.
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Perca-se. Desnude-se. Deslumbre-se com seu pedaço de erro. Mastigue o pedaço de erro, mastigue, seja a chuva de algum caminhante.
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Cegue-se com as próprias mãos, para enxergar além. Faça chover em meio a falta, em meio o silêncio agudo de quem fica; falta de alento é pecado grande que só sente quem fica.
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Aquele que fica.
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Margem.

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Seja chuva na vida de algum caminhante, desses distraídos com a falta de sereno, falta de solidão, falta de poça, de molhado, de olhar, de erro - desvendar.
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Desvendar o óbvio é tarefa das mais complicadas; o sopro da graça, tarefa de quem vê além.
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Faça chover em meio ao deserto que é a falta, falta de alento - pecado de quem morre antes de frutificar, antes de deixar cair, deixar molhar, deixar chover, fazchover, fazchover.
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Seja chuva na vida de algum caminhante...
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à margem do erro: ensina-nos a graça de chover.
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Seja chuva na vida de algum caminhante...
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à margem da chuva: ensina-nos a graça do erro.
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Seja chuva na vida de algum caminhante...
...
à margem da falta: fazchover para enxergar além.

Há uma mola...

...no fundo do poço?
Bom fim de período!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

INOVAR! (Preciso de Férias!)


*Férias. Foto de Marco Cunha.



"Meu Deus...alguma coisa podia me acontecer....alguma coisa que mudasse minha vida, tipo um milagre, hoje!" - pensei.
Foi quando Deus disse: - Você vai ficar aí sentado(a) esperando algo acontecer para mudar a sua vida? Não espere! Mude você mesmo! - disse-me Deus, através da propaganda da I Semana sobre Emprendimento, Inovação e Desenvolvimento, INOVAR! - que me apareceu subitamente em todos os bancos de ônibus daquele ônibus até então inofensivo e sem vida e sem novidade e sem milagre.
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Senti-me tão especial, naquela fração de segundo, que quase não enxerguei o tamanho da perdição onde me metera, eu que havia sido agraciada com um conselho divino por meio de uma propaganda de uma Semana de Emprendimento e Inovação, em um ônibus a caminho de qualquer lugar. Não seria quase o mesmo que acontecera com todos os profetas? Um momento epifânico? Pois bem, estava diante do milagre da minha vida, minha hora e vez: Deus falara comigo, por meio de uma propaganda - provavelmente um método neoliberal de se fazer profecia na sociedade contemporânea.
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Sim! Eu havia sido agraciada com a possibilidade de mudar, finalmente, minha vida. A primeira coisa a fazer era comunicar a todos e todas, o que logicamente não seria uma tarefa tão fácil: as pessoas estão mais preocupadas com seus labirintos. Logo após essa primeira constatação, decidi mudar o rumo da primeira coisa, isto é, não contar nada a ninguém, afinal de contas...nunca se sabe em quem podemos confiar, e já estou tão carimbada com essa coisa de verdade que ser mentira vez ou outra não passa de casualidade.
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Encontrei-o. Ele disse que sou brilhante, mas esfericamente indisciplinada. Disse que é meu jeito de ser e estar no mundo, minha condição dicotômica, preto-branco, céu-inferno, Sandy-Junior. O natural era que eu quisesse morrer; mas, após ser agraciada com o dom da mudança, acendi um cigarro e pensei em qualquer coisa, tipo em como as pessoas são engraçadas quando têm medo e como podem os pinguins passarem o resto de suas vidas com um único parceiro, para todo sempre.
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Passei a tarde recordando aquela situação bizarra, todos fingindo, eu fingindo, tudo avesso, nomes e títulos e eu toda raiva e vontade de ir embora. Eu poderia ter voltado, cão arrependido, mas não! Deus havia me agraciado com o dom da mudança. Senti vontade de chorar, mas tive que me contentar com aquele pingo de chuva sobre meus cabelos curtíssimos.
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- Você quer um guarda chuva?
- Você vai pegar um ônibus?
- Que chuva chatinha!
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Eu adoro chuva e queria me molhar. Sai andando sem atender aos pedidos - para que eu saisse de dentro da casca. Fiquei irritada com tanta coisa, com aquele abraço, com aquela cena, com aquela visão, com aquele cinismo, com aquela saudade...com aquela primeira profecia que me ocorria após a revelação de Deus sobre meu destino...."É...eles têm muito em comum: ambos são chatos e sem graça, nunca perdem a hora, nunca perdem tempo procurando o que fora perdido (um lápis!), não são dicotômicos, são rasos e óbvios, chatérrimos, acinzentados e lineares! não erram a rima e têm um histórico familiar comum, além dos mesmos amigos antipáticos!" - só queria chover, chover, chover....
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Aposto que nunca perderam três ônibus num mesmo dia.
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Eu que sou recém profeta, só atraio gente interessante, como aquele carinha quem me ligava a cada dez minutos para perguntar o nome daquele filme massa.....daquele filme cult...daquele filme experimental....como é o nome, moça? Ah! A lagoa azul! claro...filme de gente interessante.
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Minha segunda visão foi quando encontrei aquela moça bonita, quase lágrima porque brigara com o ex namorado. Passamos parte da noite conversando sobre, eu desvendando, desvendando, e por fim solucionando o óbvio - como fazem todos os recém profetas!
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Também analiso sonhos, escrevo cartas e jogo tarot! (Ligue para: 3892.......e agende sua consulta!).
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Tenho uma capacidade sobrebatural de vencer o inimigo em jogos infantis, onde minha coordenação motora é colocada à prova! Adoleta, Tic Tic Tac, Pedro-Paulo, Morto-Vivo, tudo que exige concentração e graça, força e flexibilidade, dinamismo e musicalidade: céu-inferno.
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Meu destino? resenhar filmes interessantíssimos e investigar o caráter proféticos das brincadeiras competitivas para crianças.
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Eu que fui escolhida por Deus para mudar minha vida, depois de um surto epifânico numa tarde de quarta, num ônibus municipal, consegui me safar da mediocridade do meu dia.
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Quero férias!
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Enquanto isso, no mundo, tudo se transforma: INOVAMENTE.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

7° SEMINÁRIO DA PASTORAL DA JUVENTUDE!

Querido Leitor,

Pra periferia? pânico? pólvora? pá pá pá!

(GOG- Brasil com P)

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Fazendo uma leitura sincera dos meus vinte e cinco anos de vida, afirmo a vocês que existem apenas 4 coisas nesse mundo pelas quais sou capaz de chorar horas a fio. Sim! há inúmeras outras situações que eu poderia citar; mas, falo aqui sobre um conjunto de fatos imutáveis, "imperecíveis" e extremamente simples, desses que todos trazem nos capítulos obscuros das perfeitas biografias que inventamos para a posteridade! Porque: Há coisas na vida que mudam quando nós menos nos damos conta; contudo, há inúmeras outras resistentes às mais poderosas transformações, visto que nem toda mudança é permanente em si mesma. São essas:
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A) Especiais do Roberto Carlos (os de fim de ano): Faz cinco anos, querido leitor, que criei o estranho hábito de chorar nos especiais do "Rei"....fico emocionada com aquela tríade belíssima: "hoje eu canto as canções que você fez pra mim"/ "Você foi o maior dos meus casos...de todos os abraços..."/ "Por isso corro demais". Quando ele fala da Maria Rita então, sou toda pranto!
B) Injustiças. Todas: Desde a cadela morta por um imbecíl, passando pela homofobia, fanatismo religioso, exclusão social...e etc...etc....
C) Novelas Mexicanas: Sabem o capítulo em que a mocinha retorna do exterior rica, maravilhosa, casada com um milionário e se vingando de todos aqueles que compactuaram para sua infelicidade? A-D-O-R-O! Choro de raiva quando de nada adiantaram todas aquelas "mudanças"; ela sempre acaba, por fim, se deixando levar pela lábia do guapíssimo, porém cafajestíssimo, Fernando Colunga.
D) Seminários da Pastoral da Juventude.
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Neste feriado, a Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Mariana realizou o seu sétimo seminário. Tendo como centro a campanha "Chega de violência e extermínio de jovens" - também promovida pela PJ, em âmbito nacional, o evento teve como pauta atividades que proporcionaram à juventude de Mariana momentos de reflexão, animação, e, sobretudo: momentos de leitura.
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Leitura? Sim: leitura de vidas, leitura de mundos, leitura de realidades diferentes daquelas que conheciamos, mas que aprendemos a ler e gostar quando estamos diante do outro e do universo que ele é. Gosto desses eventos de maior "convívio", assim como muitos jovens que conheço, dos grupos de base ou não: muitas mudanças importantes são iniciadas nesses seminários, através das sementes que plantamos...
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HIP HOP
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Tive a oportunidade de assessorar uma oficina sobre Literatura e Hip Hop. Com o auxílio do Carlinhos - gente boníssima e profissional mais que competente, vivi uma das experiências mais importantes para a minha formação como pessoa, profissional e qualquer outra coisa que eu puder vir a ser.
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Há tempos tinha o desejo de trabalhar letras de rap a partir de uma perspectiva literária, devido a um projeto com o qual tive contato recentemente. Embora não tenha vivido na pele muitas das temáticas trazidas pelo rap, identifico-me e gosto muito. Aliás, quando morava em São Paulo, muitos dos meus amigos ouviam rap, dançavam, eram DJ´s: foi neste período que tive contato com o movimento, ainda que de leve, por tabela.
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Mas a minha perspectiva era outra: a leitura, claro! Identificar no rap recursos literários, de modo que poderíamos conceituá-lo como literatura marginal. O rap tem idéia (conteúdo-denúncia), música (rima-forma), imagens;elementos que, para alguns teóricos literatos, são o que fundamentam os textos de poesia. Claro que não queria dar uma aula de literatura: o objetivo era apenas mostrar, instintivamente, a semelhança de textos que, embora de tempos e universos distantes um do outro, são passíveis de conviver dentro da palavra-arte. Outro ponto do movimento que fora trabalhado é a dança de rua, tendo em vista a ídéia de arte que é marginalizada por ser da periferia, mas não menos importante ou bela que a clássica.
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Bem. Ao mesmo tempo, reconheço que em se tratando de "arte", muitas das expressões populares só são reconhecidas e valorizadas quando "aprovadas" pelos acadêmicos, nós, que não temos o menor gabarito de falar de algo que não vivemos em profundidade...Atualmente, muita gente de letras têm se interessado pelo rap a partir desse enfoque "literário": acho bacana a perspectiva, porém, o fato é que só quem vive o rap é que sabe falar de rap....Mas, se consideramos a hipótese de que rap é um tipo de literatura, e que literatura, como já dizia Aristóteles, é universal ....posso ser tocada pelo relato de um MC, de um trovador medieval, ou de um repentista como qualquer outra pessoa.
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Acredito que a nossa oficina atingiu sim o seu objetivo: Apesar d'eu estar sem voz, em função de ter me deparado com uma turma de 15 jovens "hiperativos", dentre os quais apenas 1 se interessava de fato por literatura/leitura, tenho para mim que os outros 14 estavam redondamente enganados sobre a imagem que tinham de si mesmos: Nossa turma, bastante heterogênea, era formada por bons leitores, mas que ainda não haviam "atinado" pra tal! Digo isso porque qualquer leitura literária, fictícia, litúrgica, ou sei lá de que tipo, deve passar primeiramente por uma boa leitura do outro em sua diferença. Ler o diferente, e se emocionar com aquilo que não é nosso, mas que poderia ser e nos toca, automaticamente faz de nós bons leitores de mundo.
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Quanto à dança de rua....é claro que eles também arrasaram!
Confete à parte....percebi, por fim, que os assessores na verdade não eram eu (o Carlos sim, obviamente). Nossa turma trazia meninos já do movimento, e também meninos que, embora não o conhecessem, também se sentiram tocados pela denúncia, rima, imagens...beleza, da mesma forma que eu. (resumindo:esse povo da academia às vezes cisma em ensinar o padre nosso ao vigário...).

SINOS
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Engraçado foi perceber que não estávamos nada distantes. Jovens haviam sido responsáveis pela ornamentação do espaço, pela liturgia, pela metodologia do seminário; também escreveram sobre o evento em suas oficinas, da mesma forma outros jovens optaram pela dança, ou pela discussão "social" nas mesmas; sem contar outros tantos que não queriam nada com nada e usavam o horário das oficinas para simularem uma prolongada ida ao banheiro...
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Jovens que se conheceram no seminário, como se já fossem amigos de longa data; desses amigos que fazemos, no final, sempre descobrimos um ou dois que se tornam os "melhores', os irmãos. Muitos peguetes, ficantes, rolos se formaram, assim naturalmente; muitos desses "profundos" amores não passarão de amigos de orkut e nicks de MSN...não sobem a serra! Outros porém, levarão a longos namoros, que darão errado ou não.
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Muita meninada dançando loucamente, gritando, fazendo festa; e também outra meninada mais quietinha...pensando na morte da bezerra, imaginando se aquela pirigueti tá ou não tá de olho no meu peguete.....
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Muita gente dormindo cedo, acordando cedo, levando todos os materiais para todos os momentos, seguindo todas as regras; e claro...muita gente fugindo pro barzinho, driblando a coordenação e namorando escondido....e etc....etc.....
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Gente que adorava falar ao microfone, fazer show, fazer bonito; outras gentes que faziam bonito consigo mesmo, em silêncio, secretamente.
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Como disse, engraçado foi perceber que não estávamos nada distantes. Já passei por todas as situações citadas acima: de um lado ou do outro. E não será essa a graça? Enquanto assistia à plenária de avaliação, reconheci-me em uma jovem quem representava sua oficina, partilhando a experiência de missão: o jeito de falar, as gírias "tipo isso...tipo aquilo....", o modo meio "desastrado" de se expressar, mas um desastrado que toca. Quando eu era mais nova, há seis anos, acho que fui um pouco assim! Engraçado esse espelho que a Pastoral também é...continuidade...semente.
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Enfim....um feriado especial, cheio de boas sementes, boas mudanças, bons encontros, boas idéias, boas certezas....e boas leituras!
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Fica a saudade, que faz com que a gente amplie um pouco mais a nossa capacidade de memória; esta que é fundamental para se tranformar uma história....seja de amor, de denúncia, de teatro, de dança, de oração; história em verso ou em prosa.
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"Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.
[...]
A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.
(Fernando Pessoa).
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OBS: Gostei muito do barulho de sino, ecoando na casa paroquial (eu amo barulho de sino!)
OBS 2: CHEGA DE VIOLÊNCIA E EXTERMÍNIO DE JOVENS!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Tenho vinte e cinco anos...(10-11 / Texto completo)

"- Tenho vinte e cinco anos de sonho e
De Sangue e de América do Sul
Por força desse destino,
Um tango argentino me vai bem melhor que um blues"
(À palo seco - Belchior)
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Nasci num domingo de muita chuva. Não sei se cheguei atrasada a esse mundo, mas não me espantaria se houvesse sido assim, atrasada e distraída, talvez abobada com o novo que se revelava diante dos meus sentidos: deslumbrada.
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Fui concebida no carnaval de 85. Independente da escola de samba, rainha da bateria, circuito Rio-São Paulo -Minas Gerais, gosto muito é de chorinho, o que diz muito sobre mim. Quando criança, lembro-me de ter assistido áquela novela "Éramos Seis" cuja trilha sonora era composta por múscias e marchinhas que retratavam o Brasil de 30: muito chorinho, modinhas tristes e sambinhas. Havia uma canção cuja letra era "Tem pena morena, ouve o meu lamento..." - uma obra prima para o meu mundo. Eu tinha seis anos. Tempos depois, já com 20, um antigo ficante e atual amigo, rapaz boníssimo, ouviu-me cantarolar a melodia da minha infância..."Lamentos! É Lamentos" - disse o rapaz quem me ensinou muito sobre Pixinguinha.
...
Gosto de fazer aniversário. É impossível que as pessoas muito próximas esqueçam a data, já que eu mesma faço questão de lembrá-las com vinte dias de antecedência - tudo isso porque acho essa coisa de nascer um barato! Se eu pudesse nascer de novo, o faria nas mesmas circunstâncias apenas para ter o gosto de sentir o medo da novidade, o medo da perda, o medo do encontro. É possível que nesses vinte e cinco anos muitas das minhas perdas tenham sido fruto de tentativas frustradas em nascer novamente; é possível que nesses vinte e cinco anos muito do que ganhei tenha sido fruto das vezes em que morri bem.
...
Porque para nascer bem, é preciso morrer bem. E para ganhar bem, é preciso perder bem.
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Eu já morri muitas e dolorosas vezes. Morri quando vi partir àqueles a quem amava, não por opção, mas por desencontro. Jovens como eu, cheios de vida; amigas, ex amor, primo-irmão-alma; depois deles, quase que me vou, de tanta vontade de inexistir - porque o que é bom também cansa quando não se tem alma e vontade.
...
Morri também com aqueles que partiram por opção. A cada morte, uma dor; a cada dor, um riso que se escondia para fazer valer tempos depois - decidi só morrer por quem me vale a pena.
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Todos valem a pena, e é por isso que gosto tanto dessa experiência de existir. Se não fosse aquele fora, naquele dia, naquele banco de praça, seria uma pessoa a menos para se encontrar naquele corredor estreito, meses depois; se não fosse aquela conversa de buteco, seria um poema a menos.
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A vida é feita de poesia, mas eu gosto mais de prosa: Saramago, Clarice, Lobato, Padre Antônio Vieira, Borges, palavras...É claro que o importante é aquilo que é sentido com força, é aquilo que a voz tenta dizer e não consegue; mas, acho a palavra escrita um verdadeiro milagre.
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A palavra escrita é tudo o que mais amo, e não é à toa eu sempre utilizá-la para os momentos em que os outros textos não acontecem. Porque às vezes não rola....não acontece. É quando eu esqueço o tempo, volto à condição de deslumbramento infantil - louvando o caos - e escrevo...um email, um bilhete, uma carta de amor, um nome combinado que será perdido com o tempo. Deus era o verbo que se fez carne, mas ainda carne, foi sempre verbo, foi sempre palavra. Enquanto eu viver, quero que todos tenham acesso à palavra escrita, que tenham a possibilidade de existir no sempre, também pelo silêncio coesivo dos textos.
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Não há nada mais lindo que uma criança aprendendo a ler e escrever.
(Há sim! um adulto aprendendo a ler e escrever!)
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Meu nome significa "a que será amada", em Latim; trata-se apenas da flexão do verbo no futuro. Em Tupi, chuva. Gosto muito de chover, e se pudesse nascer de novo, escolheria novembro ou outro mês em que chove excessivamente.
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Quero ser mãe, mas não quero dar aula para crianças; gosto apenas de estragá-las com meu excesso de infânicia sempre viva. Quero dar aula para adolescentes e jovens; se possível, aulas de literatura, leitura e produção de texto.
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Quero fazer mestrado, mas ultimamente nem sei mais...nem sei mais o que é preciso para chegar lá, tudo é tão incerto. Mas vou.
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Valorizo a amizade acima de tudo. Não há vontade quando não há amizade; e amizade tem que acontecer, sem mais....é o segundo milagre da vida. Não há amizade em todos os espaços e tempos, e a graça está no equívoco e esforço.
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Gosto de dançar. A dança é uma forma de oração e eu creio em Deus. Creio no Deus que é liberdade e que também é erro, porque o amor também erra na esperança de acertar. Como um passo de dança.
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Meus pais. Devo a eles o meu ser e estar; na verdade, mais ser do que estar, o que me faz amá-los ainda mais. Há brigas e chistes diários, descompassos: porque amor que não se revela nos erros e na discórdia, não passa de texto sem contexto. Amor é descopasso, porque o coração alheio bate em frequencias distintas.
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Mas é acolhida como pedra angular.
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Odeio sentir fome, odeio insônia, odeio quem não responde email, odeio saudade.
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Tenho uma capacidade lúcida de saudade que me faz mal. Quase um vômito. Ausência. Não há sentimento pior que a saudade; e é por isso que prefiro a esperança do encontro, do email, à saudade fantástica, romântica, mítica. Eu prefiro o encontro à saudade do que poderia ter sido. É por isso que eu amo para não morrer.
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Gente. Gosto tanto de gente, que poderia ser mais vinte cinco Amandas numa mesma casa. Gosto de vozes, sotaques, diferenças, cores. É ridículo pensar que somos todos iguais, sendo que somos tão diferentes.
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Sonhos: ser mãe e construir uma família. Objetivos: passar num mestrado, viajar, trabalhar como voluntária naquilo que me faz estar próxima de quem não sou, mas poderia ter sido.
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Cinema. Gosto de "O Poderoso Chefão II".
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Deus...muitas faces: Deus caridade, da SSVP; Deus libertação, da PJ; Deus cruel, Saramaguiando...Deus humano, Deus divino, Deus.
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A casa da minha avó é a lembrança que mais gosto.
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Medo....Tenho medo de barata, medo do cachorro que mora na minha rua, medo de morrer sem despedidas.
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Gosto de Freud e de Francisco de Assis...e acho que combino com a letra F, não sei porquê.
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Um quarto de século; se eu pudesse, nasceria novamente apenas pelo assombro; ultimamente, tenho andado tão apática que um pouco de assombro não me faria mal.
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Há algumas coisas que eu mudaria no meu passado, mas a cada uma que eu mudasse, seria um poema a menos.
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Nasci!
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Amanda Lopes de Freitas.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Meus 15 anos...

*15 anos. Foto de Van Fer Nascimento.
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Querido Leitor....
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Meu aniverário de 15 anos está chegando....
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Como estarei viajando no dia 10 de novembro - dia em que tive minha estréia nesse planeta de meu Deus, com direito a choro estridente e charmoso - comemorarei meu nascimento amanhã, dia 06, no Flor & Cultura, um barzinho que gosto muito...
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O dom da vida deve ser celebrado diariamente; mas, só aniversariamos 15 anos uma vez na vida! Ou seja: vale um pouquinho de dengo? vale!
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Enquanto isso, ei de virar essa noite com meus casos amorosos mais atingos: Freud, Saramago, eu e o sono.
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Boa Noite!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Eu Labirinto (Contagem Regressiva!)

Labirinto. Foto de MNPTA.
Querido Leitor,
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Estou toda labirinto: do começo até o não fim.
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Tudo atrasado: dois trabalhos atrasados....planejamentos atrasados...Tenho vergonha de certas pessoas, certas situações.....afff......já perdi prazos, reputação e credibilidade.
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Relacionamentos: A palavra da vez é Carnavalização. Como dizia o bom e velho Bakhtin: é preciso ver o mundo ao avesso....(não foi bem o que ele disse, mas enfim....). Avaliando minha vida, já passei por cada situação bizarra que hoje eu me entrego ao riso do que foi lágrima e à simpatia pelo que foi caos.
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Escolhas: Não adianta tomar certas decisões! Por mais que eu acredite ter certeza, uma semana depois descubro que era TPM e falta de lítio-com-chocolate....Fazer o quê? sentar e chorar! Agora já deu!
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Sim! Eu toda labirinto.
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Quando criança, imaginava uma Amanda com 25 anos já casada e estabilizada profissionalmente; com projetos consistentes e dona do meu próprio nariz de pão de queijo....
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Ledo engano, caríssimo leitor: Daqui a exatos 5 dias, completarei meu jubileu de prata solteiríssima, sem dinheiro no bolso....ainda estudante, ainda dúvidas, ainda ainda ainda.....e sempre.
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Sempre atrasada.
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Caso exista reencarnação, certamente eu fui um dos romanos quem jogou pedra naquela cruz histórica; ou, talvez, aquele quem a jogou de um precipício ou morro abaixo, inteirinha e sozinho!
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Contagem regressiva.
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Boa Noite!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Tia pela segunda vez....(estou velha?)

*Coelho curioso. Foto de Alexandre Gonçalves.
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Querido Leitor,
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Sim! O mundo resolveu procriar!!!!
Hoje recebi a notícia de que serei novamente tia no ano de 2011! A gravidíssima da vez é a Angélica, esposa do meu irmão Bruno...(irmão desde a década de 90...).
Algo me diz que estou ficando velha....e pra titia! (detalhe: sou filha única...).
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Felicidade Brunão e Angélica,minha queridíssima cu......nhada! hehe....
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Boa Noite mundo procriador!

De saco cheio....


Querido Leitor...
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Estou de saco cheio (TCHARANNNNNNNN!).
Bom Dia a todos e todas!

DNJ, Dilma, Destino dos Homens.

Acho que estou anêmica.
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Estou terrivelmente cansada e pálida, o que já extrapolou minha condição mental, materializando-se fisicamente. Minha mãe, que não é boba, embora se faça de, ontem me fez um suco de cenoura. Meu estranhamento foi grande, apesar da obviedade de sua tática: misturar a cenoura à laranja, fazendo um suco híbrido, porém concentrando as vitaminas de ambas frutas, infalível para anêmicos - ela imagina.
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Ao longo da vida, o ser humano tende a fazer essas coisas: revestir a verdade em camadas de mentirinha bem contada; verdade que só será descoberta muito tempo depois. A função da mentira é amenizar a verdade, como doce laranja que ameniza o gosto de cenoura.
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Pois bem.
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Este ano o Dia Nacional da Juventude nos trouxe como tema "Celebrando a Memória e Transformando a História". A Região Leste realizou o seu DNJ na cidade de Matipó, no dia 24 de outubro.
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Contamos com a presença de mais ou menos 1000 pessoas vindas de todos os cantos da região. Para mim, uma das organizadoras e animadoras do evento (ainda que bem amadora nessa coisa de animação), foi uma experiência emocionante ver todos aqueles jovens, cada um com suas cores e sonhos, juntos cantando, dançando, cheios de vontade e alma. Sempre me sinto assim nesses eventos de massa da Pastoral da Juventude, o que me leva a concluir que sou realmente uma péssima coordenadora de base - qualquer base - só me emociono com a massa.
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Isto é mentira.
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Após a caminhada inicial, participamos de uma bela celebração. Em seguida, almoço e apresentações culturais: rap, dança de rua, dança contemporânea, dança afro, mpb (voz e violão), pop rock, lambada...e por aí vai.
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Penso que foi um DNJ bem diversificado, trazendo apresentações vindas de todas as culturas, o que acho que foi o mais válido, em se tratando de animação: Todo jovem tem direito de acesso a todas as culturas, igualmente valiosas. O sujeito pode ser apaixonado por funk, mas ele deve conhecer dança contemporânea e os clássicos sim; da mesma forma que o sujeito pode ser da zona rural, mas é preciso que ele tenha acesso a todos os tipos de "cultura", a fim de que ele saiba utilizá-las cada uma em seu devido contexto, caso lhe seja de interesse. O mesmo vale para o sujeito da zona urbana, que deve conhecer suas raízes sócio-culturais.
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Essa palavra contexto traz uma maldição cosnsigo.
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Lembro-me das polêmicas a respeito dos discursos dos atuais candidatos à presidência. Ambos com falas descontextualizadas; ambos apropriando-se da religiosidade popular para auto projeção.
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Igreja e política sempre andaram juntas e todos sabem disso; o importante é perceber quando tal aliança nos traz benefícios ou malefícios. A igreja, a meu ver, deve sim opinar nas questões sociais, visto que é de responsábilidade da igreja também orientar o sujeito do ponto de vista social, material. Uma igreja que direciona sua "fala" somente para fins "salvacionistas", para mim pouco tem de Deus.
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Que bom que somos Dilma, primeira presidente mulher do nosso país.
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Votei na Dilma, mas confesso que vislumbrava Marina para presidência. Acho que falta à Dilma atributos de liderança os quais são nítidos em Lula: carisma, mística, memória - atributos que prevejo em Marina.
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Não participei assiduamente da corrida eleitoral, restringindo meu patriotismo ao último debate dos candidatos. O que achei? Bem...se de um lado tinhamos propostas Tucanas totalmente utópicas, do ponto de vista do DISCURSO, achei a fala de Dilma muito vaga....o tempo todo ela utilizava recursos retóricos para ganhar tempo ou por não saber o que falar: clichês, lugares extremamente comuns, necessidade de afirmação.
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Claro que isso não quer dizer muita coisa, Serra é velho de guerra, sabe como lidar melhor com o fator tempo e pressão em debates tão importantes como fora aquele; logo, minha observação não é válida, leitor petista; não passam de observações de uma estudante de Letras.
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O importante agora é Celebrar a memória e Transformar a História. Celebrar a memória dos mártires que nos trouxeram até aqui, nossa primeira "presidenta"; mas, não nos deixarmos envaidecer por esse resgate: a memória não deve entorpecer, paralisar...mas sim fomentar a luta, a mudança dos destinos.
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Ontem assisti a vários filmes fantásticos, que mais tarde postarei aqui. Um deles, escrito e dirigido por Woddy Allen é "O Sonho de Cassandra" (2008). Interessante como o filme sequencia os elementos da tragédia grega: peripécias, reconhecimentos, catarses; a idéia de temor e pena proposta por Aristóteles....a representação de roda da fortuna e os laços familiares indissolúveis.
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Estou numa fase ruim, ruim mesmo. Mas se não for TPM, acredito que seja anemia, cansaço e um pouco de preguiça.
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Recebi uma notícia esses dias que mexeu muito comigo, fazendo-me retornar às minhas memórias com o claro intuito de transformá-las...mas, essa é a dificuldade: certas memórias nos exigem mais tempo do que imaginamos para serem tranformadas, "mudando" histórias... como verdade revestida em mentirinhas...
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Até que o tempo passe, muita cenoura com gosto de laranja nos será preciso; mas, um dia, o gosto da cenoura não será mais ruim.
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Bom Dia!