sexta-feira, 29 de abril de 2011

Engoli o orgulho, saltei o pedregulho, resolvi o marulho, comi o sarrabulho, escrevi o bagulho, de beca eu tô em julho: Diário de uma Formanda VI

Cap. VI: Formandos Fantasy: Recordar é viver....
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2009...



2010...




Bora pra festa?
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Engoli o orgulho, saltei o pedregulho, resolvi o marulho, comi o sarrabulho, escrevi o bagulho, de beca eu tô em julho: Diário de uma Formanda.
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Hoje acordei...

*Ilustração Carol Burgo. www.umbreveromance.blogspot.com
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Hoje acordei meio Rainha de Copas....

Cortem-lhe a cabeça...ops Bom dia!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

De pai para filha...(baseado em fatos reais).


Levava uma vida sossegada
Gostava de sombra
E água fresca
Meu Deus!
Quanto tempo eu passei
Sem saber!
Uh! Uh!...

Foi quando meu pai
Me disse:
"Filha, você é a Ovelha Negra
Da família"
Agora é hora de você assumir
Uh! Uh! E sumir!...

Baby Baby
Não adianta chamar
Quando alguém está perdido
Procurando se encontrar
Baby Baby
Não vale a pena esperar
Oh! Não!
Tire isso da cabeça
Ponha o resto no lugar
[...]

Levava uma vida sossegada
Gostava de sombra
E água fresca
Meu Deus!
Quanto tempo eu passei
Sem saber!
Han!! Han!...

Foi quando meu pai
Me disse:
"Filha, você é a Ovelha Negra
Da família"
Agora é hora de você assumir
Uh! Uh! E sumir!...

Baby Baby
Não adianta chamar
Quando alguém está perdido
Procurando se encontrar
Baby Baby
Não vale a pena esperar
Oh! Não!
Tire isso da cabeça
Ponha o resto no lugar
[...]
....

Bom Dia pra você leitor-ovelha-negra-da-sua-família!

domingo, 24 de abril de 2011

PÁSCOA

*...Borboleta... Foto de Renato Rabe.
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Páscoa significa passagem. Para os judeus, o pessah se deu quando o povo de Israel foi libertado do poder opressor; para os cristãos, quando Cristo ressuscita ao terceiro dia, isto é, transfigura a morte em vida plena. Não sei muito bem explicar a "coincidência" da data, o porquê da páscoa cristã ser comemorada no mesmo dia da páscoa judaica; sei que muitos textos do Novo Testamento foram preenchidos com o que já estava no Antigo, a fim de dar maior coesão à "História da Salvação", de modo a legitimar o Cristo como messias, anunciado nas sagradas escrituras desde o início dos tempos.
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Bem...isso pode ficar para outra ocasião.
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Meu pai me dá ovos de páscoa anualmente. Sei que é um artifício meramente capitalista, externo e que muitas vezes se sobrepõe à beleza do rito, convertendo todo encantamento da data em algo comercializado. Infelizmente, vive-se num tempo em que fazer da religiosidade alheia mote de comércio não é novidade e tampouco raro; isso pode ser percebido a todo instante, basta ligarmos as nossas tv´s em certos canais que tratam dos tais assuntos de fé....ou ainda, irmos às prateleiras de um supermercado ou um shopping... Portanto, o ovo de páscoa chega a ser inofensivo, perto de tantas outras aberrações que vemos por aí.
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O coelhinho. Não sei de onde surgiu a idéia de coelho. Lembro-me que na catequese (a "escola" de religião, para quem não sabe, onde se prepara o sujeito para a primeira comunhão e adesão ao catolicismo, geralmente quando criança) nossa "tia" disse que o formato do ovo de páscoa foi inventado a fim de imitar o aspecto da gruta onde guardara-se e velara-se o corpo de Cristo. Como nós sabemos disso? - ah! Não me pergunte! No colégio, essa tese foi reafirmada pela professora que ainda acrescentou a questão do coelho, visto que ele é o animal que reproduz com maior agilidade, isto é, dá mais ovinhos segundo a escala hora/produção... (não sei bem como isso nos foi explicado, tínhamos sete anos!).
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E as galinhas? - pergunto. Acho que no Brasil, as galinhas deviam ser o simbolo da Páscoa. Quase todo brasileiro já teve uma galinha em casa, nos seus prosaicos quintaizinhos, sítios ou belíssimas fazendas - digo isso pensando no lugar onde moro, a Zona da Mata mineira. Ainda ontem, após o jantar, meu pai pediu que não jogássemos fora o restante de comida a fim de o darmos para a galinha do vizinho (o animal galinha, ok?) que invade o nosso quintal diariamente, à noite... (o animal galinha, ok?). Nós também já tivemos algumas galinhas no sítio do meu pai, mas elas foram roubadas ou fugiram por vontade própria, o que acho mais provável, já que a vida de uma galinha (o animal galinha, ok?) não deve ser fácil.... Eu, se fosse uma ave, haveria de querer voar a todo custo. Sem contar essa coisa de "cloaca"....
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Pois bem. Meu pai me dá ovos de Páscoa anualmente. Costumava escondê-los no porão que ficava próximo à garagem de nossa casa em São Paulo. A verdade é que ele o comprava com antecedência, mas eu, sempre ansiosa e curiosa, gostava de achá-lo e comê-lo antes que o ovo me fosse dado. Por fim, com passar dos anos, isso se tornou uma tradição por aqui; ele esconde o ovo, e eu o encontro apenas para tirar-lhe o prazer da surpresa, reafirmando a minha perspicácia ante o desconhecido... Na escola, vestíamos-nos de coelhinho e procurávamos os ovinhos trajados como tal. Sempre havia um ovo para cada criança, o que tornava a tarefa um pouco chata, visto que o interessante seria a competição....
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Que coisa mais capitalista, Sofia! - diz o leitor. Estou brincando!! Sempre fui a última criança a encontrar o ovo, devido a meu astigmatismo congênito, logo...
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Tudo isso pra dizer que a Páscoa é a minha data litúrgica favorita. Não só pelo memorial que ela reinventa, ou pelo inocentíssimo ovo - que não dispenso - mas sobretudo pela mística da ressureição. Para mim, como cristã - ou mesmo se fosse ateísta, atéia, ateu - o enigma da ressurreição do Cristo é experimentado cotidianamente por todos os homens e mulheres do mundo.
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Pouco importa se Cristo ressuscitou em carne e osso; ou até mesmo se ressuscitou, se existiu. Quando criança, lembro-me de passar horas a fio imaginando como seria a recomposição do corpo físico já destruído pelas bactérias e outras formas de vida. Não é isso o que nos importa, por fim.
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O que me surpreende, o que se faz de fato um memorial da passagem do pranto para o alívio, da escravidão para a liberdade, da morte para a vida, da ausência para o júbilo, é a capacidade inata que nós temos de superar a dor e ressuscitar - em vida - tantas vezes quanto necessárias.
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Esse é o legítimo pessah.
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Tenho uma família amiga em São Paulo que, de ressurreição em ressurreição, conseguiu construir a casa própria no que antes era um barraco por onde perambulavam ratos em meio às crianças quando dormiam. Com passar dos anos, o que antes era um corredor ínfimo que nos conduzia para dentro da "casa", sobre o córrego que cheirava excessivamente mal, tornou-se uma bela recepção, onde brincam os cachorrinhos da família junto das crianças mais novas, aliás, crianças que hoje são quase mulheres - pois já se passara muito tempo. O menino mais velho hoje trabalha, paga as contas da casa, tem o sonho de fazer uma faculdade. Sai pra dançar todos os finais de semana e gosta de passar horas na internet. Sua irmã mais nova quer ser psicóloga; gosta de estudar e passear no shopping com as irmãs menores.
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Há também uma mulher que conheço. Perdera o único filho e tempos depois passou por um divórcio traumático. Ressuscitou. Ainda no ano passado, descobriu um tumor no cérebro, obrigando-a a fazer duas cirurgias de risco, uma no cérebro, outra na coluna. Ressuscitou. Diariamente, esta mulher cuida da casa sozinha, varre seu extenso "terreiro" sozinha e trabalha como enfermeira - auxiliando no ressuscitar de outras mães que perdem seus filhos.
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Quantas pessoas conhecemos cuja capacidade de ressurreição é praticamente um milagre? Quantas pessoas conseguem, apesar do medo, converter a mais obscura morte em vida?
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A celebração da Páscoa é o memorial de tantas Karine´s, Rafael´s, Milena´s, Mariana´s, Larissa´s e Laryssa´s, Bianca´s, Luiza´s, Gessica´s, Samira´s, Wellington´s que já venceram a morte física; mas, sobretudo, é a celebração daqueles que resistem - seus pais - cuja passagem, da morte para a vida, será mais penosa, porém, ainda mais mística e sagrada.
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Feliz Páscoa!
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OBSERVAÇÃO...(comentário de um leitor): o coelho, ou melhor, a lebre, veio de um ritual pagão em homenagem à deusa anglo-saxã Ostera, deusa da primavera e da fertilidade. Também tinha ovos no meio do ritual. [...] a igreja catolica se apropriou do negocio e relacionou com a Páscoa judaico-cristã. ...

sábado, 23 de abril de 2011

Julgamento de João Grilo - Terceira parte - Absolvição - Auto da Compade...

Julgamento de João Grilo - Segunda parte - Auto da Compadecida

Gloria Kalil ensina como usar talheres



Sofia pergunta: Como faço pra "catar" a farinha com o garfo?? kkkkkkk

Etiqueta entre quatro paredes



Sofia responde: Meia da pantera-cor-de-rosa rola?

Casamento do ex-marido. Devo comparecer?



Sofia responde: Eu iria com um vestidinho vermelho discretíssimo e com um decote digno...(Ah! E claro...com um bofe maravilhoso! kkkkkkkkkkkkkkk)

Lucy Loves Schroeder

quinta-feira, 21 de abril de 2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Devaneios de um Feriado.

*The reader. Foto de R. de Rien.
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Querido Leitor,
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Feriado.Quinta-Sexta-Sábado-Domingo-Segunda (a segunda é por minha conta).
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Enquanto todas as pessoas que conheço viajarão com seus amigos, conhecidos, desconhecidos, familiares, namorados - ou irão ao encontro destes em suas respectivas cidades, como uma amiga quem me pediu que a ajudasse a escolher um doce de leite Viçosa para o seu mais novo par - eu permanecerei imóvel, em minha casa, monografando. Sim, carísismo leitor: hei de passar todos esses dias em minha residência, preferencialmente, escrevendo...lendo...pensando na morte da bezerra e comendo quilos e quilos de ovos de páscoa.
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Tamanha tranquilidade não oferece sequer um segundo de paz: tenho a certeza de que grande será a tentação da cama, do devaneio, do Youtube, da cerveja no fim do dia - o que não pode faltar, mas espero que tampouco atrapalhe "o" acordar cedo do dia posterior. Nesse vai-e-vem de nada, algumas coisas me ocorreram no dia de hoje, coisas que não merecem linhas de texto, mas por falta de matéria prima de melhor qualidade, é o que me vale:
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Por que tantos vídeos de música clássica no Sofia? - alguém pergunta. Bem, a verdade é que sou bem eclética, gosto de muita coisa...mas, há alguns dias, encontrei um vídeo da composição "Carmen fantasy" (...uma adaptação da ópera Carmen para violino e orquestra...), pelo qual me apaixonei perdidamente...perdidamente. Pesquisando um pouco mais da tal obra, descobri que ela foi reinventada por um músico chamado Pablo de Sarasate ,no século XIX -XX, cujo repertório virtuoso e romântico inclui músicas do folclore espanhol, russo e "cigano" (uso o termo em aspas por falta de uma classificação melhor).
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Esquecer.
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Todos nós temos na vida alguma capacidade, talento, facilidade que não nos serve de nada, mas que ali permance, guardada no espírito. Eu tenho isso com música. Quando ouço uma dada música - ou melodia, arranjo, nota - que por algum motivo inexplicável me prende atenção, podem passar anos e anos que a "tal" harmonia, latente em mim, revela-se um dia, finalmente e geralmente sem querer. Quantas músicas que ouvi quando criança fui "reencontrar" apenas já adulta, reconhecendo-as em questão de instante.
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Ao ouvir as melodias ciganas do Pablo de Sarasate, encontrei uma composição chamada Zigeunerweisen (Gipsy Airs) que é uma das músicas que mais gosto na vida, e que no entanto só a ouvi uma vez pessoalmente, por volta dos meus cinco ou seis anos de idade, isto é, há praticamente vinte anos.
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Fui bailarina clássica e lembro-me que no ano de 89 ou 90, assisti a uma apresentação de um grupo de bailarinos que interpretavam uma dança cigana, se não me engano, "Alma cigana" ou alguma coisa assim. Lembro-me da coreografia, do vestuário, e sobretudo da música que foi uma das coisas mais fantásticas que já havia ouvido até então, eu estava num sonho. Chegamos a adquirir o vídeo dessa apresentação - o qual se perdeu, como quase todos os meus vídeos de dança e minhas boas fotos. Mas a música permaneceu lá e vez ou outra eu me pegava cantarolando-a, mas nunca imaginaria que um dia eu pudesse vir a entender como ela foi feita, por quem, em que século, a partir de quais parâmetros, movimentos...etc....
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Chegou a ser emocionante assistir os vídeos no Youtube e me dar conta de que "é esta". Como reencontrar um parente ou amigo que não víamos há uma vida. Depois disso, passei a procurar mais músicas desse tal Sarasate e percebi que muitas delas me são conhecidas, não sei como, mas são.
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Tudo isso pra dizer que tenho dificuldade para esquecimentos - esquecimento do que me é caro, do que amo, do que me compete. O contrário também é verdadeiro: diariamente, esqueço uma série de coisas, nomes, horários - coisas que não devia esquecer - mas que esqueço porque infelizmente não atribuí aquela circunstância, objeto ou pessoa, afeto suficiente para eternizá-la na memória.
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É por isso que tenho tanto medo dessas coisas: medo da morte, medo de câncer, medo de cair em loucura (novamente), medo de terminar namoro, medo de que terminem comigo, medo de entender que sou nada para certas pessoas de quem relevo uma série de coisas, às vezes tão cansativas, na consciência de que o contrário não se daria nunca, caso fosse necessário. Às vezes a gente acha que faz isso por amor, por apreço, sendo que na verdade, não passa de egoísmo camuflado, uma falta de jeito que temos com relação à idéia de morte. Porque todo o pequeno fim também é morte.
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Tenho medo de ser esquecida.
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As únicas coisas que permanecem intocáveis, do ponto de vista universal, é a arte e a idéia de Deus. A arte que entendo como literatura e música, principalmente... (também a dança, as artes plásticas, o cinema, o teatro).
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Que papo chato, não? Eu sei....rs....
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Ao mesmo tempo, no universo interior, existe além da arte um conjunto de rostos, nomes, sensações, histórias, cheiros, gostos, vozes, números de telefones que nunca serão esquecidos.
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Ainda sei de cor o número de telefone do primeiro menino por quem me apaixonei! Também lembro da placa do carro que a mãe dele tinha, o nome da rua onde moravam, o jeito como ele costumava mexer no cabelo....o jeito como ele chamava o meu nome.
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A memória é o único artifício inventado pelo homem capaz de vencer a pequena morte.
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Ainda assim, é preciso se deixar esquecer: sair de cena, dar de ombros, dar de burros n' água. Transformar em memória o que não passará disso. Ouvir a música, sem mais se preocupar com o trabalho de composição: o detalhe do arranjo ou do sopro, que um dia foi centro, mas hoje não mais nos interessa.
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domingo, 17 de abril de 2011

Hoje acordei....


Hoje acordei Macunaíma:
"...Ai que preguiça!"
Bom dia!

sábado, 16 de abril de 2011

O telefonema da sua vida


*Macro telefone. Foto de Joana Moreira.
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Disseram-me uma vez, há tempos, que há na vida do sujeito um único telefonema capaz de mudar-lhe o destino. Toda uma vida, segura e cheia de si, desmorona em fração de segundos a partir de uma escolha: atender ou não? Tirar do gancho o fone ou permanecer à deriva?
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Ao não atendermos, adiamos o que poderia vir a ser - naufrágo ou salvação, queda ou suporte de vôo - mas adiamos, e pode ser que não se tenha, pelo longo percurso, outra vontade, outro ato, outra prestação de serviço via Teleônica ou Telemar que nos de a possibilidade de mudança. Mudança plena, dessas que nos perseguem em sonhos, sanatórios, delírios, banheiros químicos, inferninhos, castelos - mudança de rota.
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Pode ser que ainda esteja por vir o telefonema da minha vida.
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Houve aquele aos 14, quase 15, quando me disseram nas dependências do Credicard Hall, em São Paulo: "Amanda? Participou do concurso da Atravida Hot, 'meu encontro com o Hanson?' Seu texto foi o selecionado!" Havia uma série de rivais a minha frente, lado, atrás de mim - uma série de outras adolescentes tão maníacas quanto eu que se suicidariam quando soubessem ou adivinhassem que naquele instante, naquele segundo, eu acabara de conquistar pela segunda vez o que toda aquela fila sonâmbula e exausta desejava, mas não teria, nunca talvez.
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Já aos 17, numa sexta-feira que, chovendo ou não, continuaria triste e inóspita - embora chovesse muito, como nos sugere o ritual dos dias fatídicos - estava em casa sozinha, à espera de um sinal de vida, um milagre qualquer, um pedaço de tempo, quando ele vem, mediado por Graham Bell:
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- Alô! Amanda? R* morreu.
- Espera só um minuto - disse a meu primo Mailson, ainda tão criança, isto é, só as crianças sabem dizer a verdade sem rodeios. Desliguei o telefone por muitos anos.
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Apesar desses esboços, tais situações não chegam perto do que suspeito, até o dia de hoje, ter sido o "telefonema da minha vida". Ele me foi dado indiretamente, por tabela, quero dizer, só mais tarde ele me veio de fato, chegando à princípio ao conhecimento de minha mãe. Era 16 de abril de 2002. Tinha 16 anos.Lembro-me que naquela noite, havia sonhado com um magnífico castelo desmoronando, muitas nuvens se formavam a partir disso, inebriando-me o olhar. Acordei e ao virar-me para o outro lado da cama, tive a sensação de me deparar com o cadáver de uma mulher, a meu lado. O grito foi o que se sucedeu, depois o dia de aula e a normalidade.
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Ao chegar em casa, à tarde, não só o almoço me esperava, mas também a notícia de que meu primo-irmão havia sido internado devido a uma crise desconhecida que tivera. Nada disso foi me dito com claridade, apenas...
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- Amanda, Cleiton está doente.
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Como se já soubesse da gravidade da situação - porque há uma quantidade de coisa desconhecida que nos é intimamente conhecida - entendi que o meu dia também chegara. Que enfim alguma coisa me tocara.
...
Cleiton se recuperou e teve uma vida normal por ainda mais dois anos. Faleceu em outubro de 2004, aos 16 anos. Esses dois anos foram fundamentais para que estreitássemos os laços que já existiam, para que mudássemos para sempre a vida um do outro. O resto do resto do resto da vida...
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Lembro-me que após a sua recuperação, falamos -nos por telefone. Cleiton me disse, no seu tom debochado e nada inocente: - Pensou que eu ia morrer, né? Eu, sempre áspera, sempre irmã, sempre estúpida e casmurra, fiz-me toda lágrima e chorei compulsivamente.
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Qual o telefonema da sua vida?

Para Raimundo


    Poema de sete faces
    (Carlos Drummond de Andrade)

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo

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Feliz Aniversário, Pai!
(23-03-2011)

Medicina dos humores

Semana 45/52 - Asphyxiated
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Melhor. Levemente de ressaca. Bem. É...
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Bom dia!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Desentupir: verbo transitivo

Péssimo humor noturno...
(Semana duplamente Tpêmica promete....)
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Capelo-a-ei... (ou não)
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Boa Noite!

HOMENAGEM!

*Vaca. Luiz Nilton Corrêa.
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NÓS AMAMOS A "ZÍLVIA VHERING"!

Hoje acordei...

*Eita Jennys e suas Stray Backs 4. Foto de Getulio.
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Hoje acordei meio devassa (devassa do bem...)
Boa Noite!

Cisma

Dos viejos comendo sopa. Goya.
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...Porque nem tudo o que reluz é ouro.
Boa Tarde!!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Incorporação


*the seagul experience. Foto de karlusfilipe.
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Caso tivesse nascido na América hispano-lusitana ou nestes respectivos "reinos", por volta do XV ao iniciozinho do XIX, certamente teria morrido numa fogueira ou, minimamente, teria sido degredada! Divagação inútil do meu fim de noite, por certo, mas não deixa de ser interessante imaginar que, por um gracejo das circunstânicas, nasci no século certo, no país certo, na américa certa - ainda que more na rua errada e tenha uma queda por más companhias.
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Não se fazem mais sabbatts como antigamente, ops! quero dizer... sábados. Não se fazem mais sábados como antigamente: entre uma festa com bebida liberada e uma série de monstrinhos, diabinhos, visionariazinhas e essas coisinhas chamadas tracinhas, opto pela última opção, isto é, o pacote.
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Depois de um dia cansativo, nada melhor que algumas orgias e sacrifícios, digo! nada melhor que algumas rosquinhas (de chocolate...) e aplicativos (adoro os quizze´s do Facebook...).
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Por fim....: "eco, eco, eco, meu forte é a rima" - como podem notar pelo fragmento anterior, muy tosco.
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Uma doce-amarga noite enluarada a todos!

terça-feira, 12 de abril de 2011

MIRABILIA

*Eu sou a menina do mar. Foto de J. Pedro Martins.
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O fantástico só é possível através do olhar.
Boa Noite!

Esa Noche


Adoro essa música!
Obs: Café Tacvba ainda existe com a mesma formação? Comente!!

Quero um filho assim!!! Parte III



Homens....há coisas que nunca mudam.....
(Eu e minha fase materna...rs)
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Bom Dia!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Quero um filho assim!!! PARTE II

Love in the afternoon


*Meu doce Girassol. Cristine Kelm.
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Quando eu lhe dizia:

"Eu me apaixono todo dia
E é sempre a pessoa errada."
Você sorriu e disse:
"Eu gosto de você também."
R.S.L. *20/04/1976 - +11/04/2003
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domingo, 10 de abril de 2011

Frida Kahlo, Vida y Tiempos (Parte 1)

Grupo de ajuda: como se tornar uma mulher de palavra

* Mulher do Norte de Moçambique. Foto de Milestones.
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"Menina veneno o mundo é pequeno
demais pra nós dois"
(Ritchie - Menina Veneno)
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1° Passo: Comece por repetir 333 vezes ao dia "Sou uma mulher de palavra".
2° Passo: Livre-se de todos os meios de comunicação.
3° Passo: Caso vá a algum bar com seus amigos e um rapaz te ofereça, assim por coincidência, uma coleção de 15 volumes do Machado de Assis, não pergunte quais os reais motivos da oferta: aceite!
4° Passo: Já se livrou de todos os meios de comunicação? (inclusive os de cunho telepático?).
5° Passo: Quando pensar em auto sabotagem, tome uma colher de mel com queijo prata* ( que você adora.....).
6° Passo: Controle a ansiedade: faça nado sincronizado!!
7° Passo: Que tal aprender a fazer um tsuru?
8° Passo: Que tal aprender Libras?
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ENQUETE*: QUEIJO PRATA OU QUEIJO PRATO? COMENTE!

Reverence...

* Quebra Nozez. J Pedro Martins.
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Cheguei em casa após a reunião do cursinho em que trabalharei, e, logo após alguns minutos de realidade virtual, tirei um pequeno cochilo. O que devia ser um pequeno cochilo levou-me a acordar por volta das 20 horas da noite, ainda mais cansada e de certa forma triste. Havia marcado de jantar com um amigo e seus respectivos amigos da computação, porém, decidi abreviar qualquer expressão social que me pudesse ocorrer para sair com uma amiga, tomar uma cerveja, chegar em casa cedo e dormir um pouco mais.
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Saímos. Fomos a um bar novo na cidade - e muito interessante - junto de outro amigo, de quem gosto muito, o qual encontramos perto do primeiro bar, fechado, pelo qual passávamos na noite de ontem.
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Havia três outras festas na cidade, dentre elas uma que me interessava mais, porém não fui por falta de dinheiro. Tive um deja vu nesse momento.
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Cheguei em casa às 3:30. Dormi. Acordei há pouco..às 13 horas. Num sobressalto, imaginei tantas coisas a serem feitas ainda hoje, mas não me sai da cabeça, não me sai da cabeça, como um martelo corrosivo, a imagem que vi aquele dia. Acho tão engraçado o destino que nos faz dançar quando não o queremos, só passávamos por ali, dispersos, pensando nas tantas preocupações (como o dia de hoje) mas um detalhe que te chama atenção, exigindo de ti um milésimo de tempo a mais, muda todo o bailado da vida, as coisas que serão e os padecimentos que nos uniram.
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sábado, 9 de abril de 2011

Brincadeira de criança

*Sonho de Criança. Foto de Gemerson H Dias.
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Morto. Vivo. Morto. Vivo. Morto. Vivo. Vivo. Vivo. Vivo. Vivo. Vi...morto! Morto
Vivo. Morto. Morto. Morto. Morto. Morto. Morto. Morto. Morto. Morto. Vivo.
Vivíssimo! Super Vivo! Vivovivovivovivovivovivovivovivovivo - Morto! morto...
Morto. Morto. Morto. Morto. Morto. Morto. Morto. Morto. Morto. Morto. Morto.
Vivo. Vivo. Mortinho. Vivo. Vivo. Vi...morto! Morto. Morto. Morto. Morto. Morto.
Vivo. Vivo. Morto. Morto. Vivo. Vivo....
Vivo, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo,
Vivo, Vivo, Vivo, Vivo, Vivo, Vivo, Vivo, Vivo....Morto! Morto. Morto. Vivo. Morto.
Vivo. Morto. Vivo. Morto. Vivo. Morto. Vivo.....

Vivo?
Morto?


Quero um filho assim!!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Sobre o massacre no Rio de Janeiro.

* Medo. Foto de Caroline Brunaneli


"Quem sabe a que escuridão do amor
pode chegar o carinho"
(Clarice Lispector)
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Sobre o massacre das doze crianças no Rio de Janeiro.
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Hoje de manhã, observava as pessoas a minha volta na Universidade Federal em que estudo. Estava em uma lanchonete logo após ter conversado com uma das responsáveis do meu futuro trabalho; perto de mim, havia algumas colombianas com um rapaz aparentemente do sul - digo "aparentemente" devido aos traços que tinha e pelo chimarrão. Ao meu lado, alguns rapazes da agronômia, falando sobre uma dessas festas de massa que está prestes a acontecer por aqui; ao fundo, no corredor, passantes com suas xéroxs e materiais de estudo, num vai e vem incessante, frenético, angustiante e ao mesmo tempo cheio de esperança, esperança de futuro e do que há de vir amanhã ou depois.
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Esperança.
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A que escuridão do ódio pode chegar o medo e a falta de esperança, insisto. Todos nós estamos cientes da tragédia ocorrida no Rio, nestes último dias, em que um rapaz de 23 anos dizimou calculadamente 12 crianças de uma escola local, deixando vários feridos. O rapaz, Wellington Menezes de Oliveira, era ex aluno da instituição e suicidou-se logo após o atentado. Comoção nacional, não sei bem como vim a saber do fato, visto que mal assisto televisão e tenho estado muito alienada esses dias, não só com coisas acadêmicas, mas também afetivas, familiares e outras preocupações mais corriqueiras, saúde, dinheiro, etc, etc....
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Acho que foi através do orkut (sempre que estou em casa deixo todos os meus aplicativos abertos, à espera de novidades, adoro bisbilhotar a vida das pessoas de quem gosto ou desgosto). Notei a recorrência de uma comunidade cujo título me chamara atenção "Vai queimar no Inferno". Talvez devido ao meu momento "demoníaco", ou por simples curiosidade, resolvi investigar do que se tratava, e cá estou, nesse instante, adiando inúmeras coisas penosas apenas para refletir e sublimar um pouco da minha angustia nesse medíocre texto.
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Pois bem. Observando as pessoas naquele café, dei-me conta do quão sortuda sou, por mérito das circunstâncias nas quais está embasada minha vida. A pergunta que me faço é : Quem seria eu hoje, se não tivesse encontrado pelo caminho uma série de pessoas, uma série de afetos a quem me agarrar? Pessoas e afetos que me trazem certa esperança de continuar caminhando, sonhando com o prático e o impossível; quem seria eu hoje sem pai e mãe, com uma grave doença mental, um histórico de distúrbios familiares provindos de uma genética a qual mal conheço (devido à adoção....)...Quem seria eu se minha falta de esperança fosse maior que o meu medo da morte. Quem somos sem esperança?
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Diariamente, milhares e milhares de jovens em meu país são mortos direta e indiretamente devido ao tráfico de armas. Quem de nós no entanto se dá conta disso, quem de nós está atento às medidas lançadas no senado, nos plebiscitos populares ou ás mobilizações? É preciso que tragédias como estas ocorram para nos darmos conta de que a causa do efeito é ainda mais ingrata, ainda mais nociva e, o que é pior: cotidiana. Quantas tragédias como estas poderiam vir a ser evitadas se mantivéssemos no país políticas legais e eficazes contra o acesso a estas corrosivas drogas....Até quando?
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O que fazemos, entretanto, é nos deixarmos levar pela sociedade do espetáculo a que pertencemos. Pais, filhos, gentes de todas as idades abandonaram seus afazeres a fim de acompanhar o trágico, doentio episódio - mas que continuará a acontecer em proporções alarmantes, caso nada concreto seja feito na raíz, na base da questão. Até quando tantos jovens como Wellington e aquelas doze crianças ...(também a menina que salvou a amiguinha, colocando-se na frente desta ante à brutalidade de Wellington, salvando-a com a própria vida) serão massacradas devido à falta de interesse político?
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Interesse político também.
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Wellington é uma vítima. Suicidou-se, em seguida, mas ainda não é o suficiente: é preciso recorrer ao Diabo , pedindo a este que o leve ao inferno, que o permita queimar até a nona morte - é preciso recorrer ao sagrado quando o humano é insuficiente ou dificultoso.
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O que seria hoje de Wellington se, estando vivo, tivesse a seu lado o amor de seus pais adotivos; estudasse hoje em uma instituição federal respeitada, capaz de oferecer-lhe a possibilidade de um futuro promissor; o que seria daquele rapaz se, além dessas coisas tão naturais, tivesse a oportunidade de ser tratado por um profissional gabaritado, o qual poderia lhe proporcionar um acompanhamento psiquiátrico....O que seria hoje desse rapaz, e daquelas doze crianças, se ao invés da INSANIDADE que o acometera, Wellington tivesse tido amigos, amores, desamores, chimarrões, festas de massa, acesso a uma vida saudável que o meio da EDUCAÇÃO oferece. O que seria de Wellington se tivesse um trabalho justo, proporcional às capacidades que desenvolvera ao longo dos seus vinte três anos; O que seria de Wellington hoje se estivesse em MEU lugar?
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Não é justificável, claro. Mas é preciso respeito também pra com essas dores obscuras que nós mal entendemos, que não passam por nós. Não sei o que levou um menino como aquele a fazer tamanha barbárie; mas sei que isso é fruto de uma mente doente, uma psiquê conturbada que necessitava de trato e atenção. Não só isso, uma barbárie dessas é fruto da falta de esperança, o que é também resposabilidade nossa, social, política.
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Não é justificável, claro. Mas é preciso respeito com o que não conhecemos. Sei que o desiquilíbrio não é justificativa absoluta, que há milhares de pessoas com severas doenças mentais que não saem por aí assassinando pessoas de quem não gostavam. Também sei de uma série de pessoas, homens e mulheres, que em sã consciência cometem atos desse tipo com uma racionalidade quase inumana - e que merecem pagar pelo que cometeram. Sei do mundo e das circunstâncias.
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O que defendo nesse medíocre texto é que ainda assim é preciso respeito. Ainda assim é preciso equilíbrio para enxergar os motivos concretos responsáveis por esse incidente (TRÁFICO DE ARMAS!!!!!!!!!!!!FALTA DE SEGURANÇA NAS ESCOLAS, FALTA DE INVESTIMENTO EM EDUCAÇÃO DIGNA) e combatê-los.
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É preciso enxergar aquele que erra tal qual ele é: humano. Todo esse escárnio e ridicularização não vão trazer ninguém à vida. Porém, nossa mobilização, organização, senso crítico e sobretudo respeito pelo outro poderão ainda que minimamente dar vida a tantas outras crianças que já estão ou que hão de nascer. O princípio é o mesmo, sempre.
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Wellington é um doente. Que descanse em paz, ao lado de Deus ou do Diabo - mas que descanse em paz.
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Nós que temos tudo, do chimarrão à esperança, é que não podemos mais fechar os olhos.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Direito Humano Primordial

*Emoção de Palhaço. Foto de Carla Andrade
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Você vai notar olhando ao redor
Que sou dos males o menor
Pode até contar com o meu amor
Naquilo que seja lá o que for
[...]

Eu quero estar contigo meu sexto sentido
Serei inimigo dos teus inimigos
Pra tudo conte comigo.
(Mal Menor - Itamar Assumpção).
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...Porque ser bizarro é um direito humano primordial....
Boa Noite!

Meu reino por uma cerveja!

* Cerveja. Foto de Isabel Cruz.
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Meu reino

por uma

Cerveja!
Acontecimentos fantásticos da fabulosa vida de Sofia:
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*Fui selecionada para o cursinho X, mencionado no post lastimoso anterior! Minha aula foi uma tragédia, embora o gênero em pauta fosse outro...ainda assim, cá estamos! Estou muito animada, gosto muito da ideologia do cursinho...e creio que me fará um imenso bem;
*Comecei, finalmente, a monografia;
*Comecei, finalmente, a ter idéias pra monografia;
*Hoje me dei conta do quão inebriante é essa coisa de paixão...(cabem aqui as derivações, seja pra mais ou menos). Certas coisas são tão óbvias, mas o sujeito insiste na dúvida. As pessoas apaixonadas são mais idiotas que natural; mais teimosas, exageradíssimas; enxergam menos, ouvem menos, porém, são dotadas de uma capacidade argumentativa muito sedutora, senão necessária. Relacionar-se com o outro consiste em obrigá-lo frequentemente a renovar um afeto que muitas vezes já deu por fim...Isso me lembra duas canções:
"Fundamental é mesmo amor, é impossível ser feliz sozinho", ou, "Quem foi que disse que é impossível ser feliz sozinho? Vivo tranquilo, a liberdade é o meu carinho....". Eu, que sempre transito entre os dois versos, acredito que felicidade é compartilhada, mas independente...
* Apesar disso, bom é saber que de nada sabemos desses mistérios diários que nos acontecem. Como um raio que incide duas vezes sobre a mesma superfície.
* Pra todos os males, passados e futuros: cerveja!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

TPM

*Sem stress...foto de Lucia Sapinho.
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Hoje acordei às 4:00 da matina com uma puta TPM...
Uma puta Tensão Pré Monografia...
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Enquanto isso, no mundo, alguém canta uma canção...
Boa tarde!

terça-feira, 5 de abril de 2011

Engoli o orgulho, saltei o pedregulho, resolvi o marulho, comi o sarrabulho, escrevi o bagulho, de beca eu tô em julho: Diário de uma Formanda V

Capítulo V: Fotos remanescentes / Casar ou comprar uma bicleta?

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Bom, hoje foi um daqueles dias estranhos, cheios de reflexões vazias, nada sobre nada.
Ao prestar um concurso para professora do cursinho X, deparei-me com uma série de dúvidas não só sobre o conteúdo qual abordava, mas, principalmente, acerca da minha condição como professora, da minha mediocridade como tal, metonimicamente falando...(isto é, pensei numa série de outras pessoas que assim como eu se formam em Letras e permanecem cheias de lacunas, independente do grau de realização profissional e reconhecimento social/ acadêmico).
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Nesses momentos, sinto uma frustração tão grande, e a certeza que devia ter feito História. É incrível a minha incapacidade de lidar com certos gêneros...a minha falta de habilidade, o meu contato cheio de vícios com o texto....É como se tanto tempo não valesse nada; seguirei por aí, com um diploma na mão, reproduzindo o medíocre. Não é isso.
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Como já disse, ando angustiada. Cada dia que passa, percebo um despreparo ainda maior, o que se reflete sintomaticamente na minha dificuldade para monografar: quase um vazio, não consigo escrever, nada! Sim! É o tema que adoro, é o autor que EU escolhi...mas eu não consigo fixar o meu pensamento, a minha atenção, energia, libido, lirismo - eu não consigo! E o tempo corre, corre...e uma série de dúvidas me vêm. Eu e minha mania de pensamento excessivo, poucas ações, excesso de devaneio.
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Vejo a experiência de outros colegas, também da Literatura (não só da Literatura). Há os que se enclausuram na vida acadêmica e não são hábeis de se fazer entender com todos os demais. Vejo isso não só do ponto de vista profissional, mas também nas relações humanas, "gélidas",programadas, pesarosas, distantes, mesquinhas.
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Falei com um amigo sobre a cervejada dos formandos. "Eu? cervejada? Não vou, e não por falta de convite".
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A Universidade nos oferece um ensino plural, massificado, mas peca na falta de profundidade. O preconceito permanece, apesar de nivelamentos, permanece no detalhe. Como futura professora de Língua Portuguesa, Literatura e derivados, não consigo imaginar um ensino inacessível e hermético; mas, por outro lado, também não me vejo como um "canal" para a transmissão daquilo que aprendi, muito menos do que não aprendi. Sinto uma frustração tal, o que me leva a pensar que esses anos todos não fizeram tanto de mim como gostaria, como devia, como me será (e com razão) requisitado.
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Sobre a aula. Bem, não deixou de ser divertido...rs. Sim! tá certo que preparei a aula correndo, na manhã de hoje, tá certo que eu podia ter feito isso antes, ontem a noite...(estava ocupadíssima vendo uma série de fotos nas quais me saí como uma "autista"; enquanto todos leves, animadíssimos, no auge da "fotogenia", cá estava eu com meu humor razoável). Detesto fotos. No jardim, nessas fotografias de "capa de revista", enquanto todas as crianças saiam com sua melhor roupagem angelical, eu estava com minha "tromba". Quase um menino, nunca gostei muito dessa coisa de ser agradável. Não é à toa os comentários que ouvi:
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- Nossa, você só fica no meio dos homens? Cadê as suas amigas mulheres! (Minha mãe sobre as fotos da cervejada).
- Nossa!!!!!! Mas como você está suja, por que só você está assim? (idem)
- As fotos ficaram legais...mas que cara!! (Comentário simpático de R).
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Voltando, tive tempo. Mas é preciso que eu me sabote, ou não sou eu, ou não sou Amanda. Mas apesar disso, penso que se a tivesse preparado com uma semana de antecedência, o resultado não seria dos melhores, ou acabaria desistindo.
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Já dei aula em cursinho; já fui tutora; já dei aula particular. Mas é como se cada aula fosse um desafio, um frio na barriga, uma ação desconhecida e desconfortável. Desconfortável até estar lá, no meio das pessoas, construindo qualquer coisa - isso que amolece.
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Sim! Eu gosto de gente, é isso que me desconstrói.
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De qualquer forma, a frustração persiste e a certeza de que há um abismo na minha formação. Esse "abismo" se teceu por causa de circunstâncias externas; mas, sobretudo devido aquilo que sou, isto é, eu e minhas escolhas, minhas deficiências.
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Há tempos não me sentia tão mal! Adoraria não me formar e passar o resto dos meus dias vendendo artesanato em lugares exóticos, levando uma vida promíscua e independente. O problema é que não sei fazer artesanato...(nem barquinho de papel eu sei), e acho essa coisa de promiscuidade muito difícil, ainda mais pra mim, que ando descrente de todos os níveis de relacionamento....
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Por fim, não caso, não formo, não monografo, não tenho aptidão, não faço artesanato, não sou promíscua (ainda), resta-me comprar uma bicicleta, dessas de rodinhas...(porque também não tenho um tino para o esporte, tampouco ciclismo).
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Uma série de pessoas me parabenizaram pela formatura. Muitas delas. Ainda que eu forme, monografe, crie aptidão, não mereço parabéns por algo que não foi fruto do meu exclusivo querer. É preciso parabenizar uma série de pessoas que me empurraram, que me ensinaram, que me obrigaram, que me intimidaram; é preciso parabenizar o meu ex namorado quem imprimia meus trabalhos de última hora, o meu pai que suporta a minha ansiedade diária, a minha mãe que reza pra que eu não desista (e pra que não opte pela promiscuidade), os alunos que tive durante esses três anos, pelo que aprenderam ou não, pela capacidade que adquiriram de duvidar, investigar, escutar, estar em sintonia. É preciso parabenizar tantos corredores por onde passei e uma série de pessoas que lá estavam, com seus mimeógrafos arcaicos, banheiros mal instalados, sorrisos forçados - e com a vontade, que independe de tudo isso.
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É preciso parabenizar aqueles que diariamente fazem do ensino mais que um pedaço de papel, mais que um gabinete, mais que um título. Que fazem das deficiências, sempre necessárias, uma ponte para estar ainda mais perto, tocar o outro no que lhes for possível, ser alimento.
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E tudo isso vem depois, do lado de lá, longe das quatro pilastras e do nosso desatino.












segunda-feira, 4 de abril de 2011

Eu não te acompanho mais....

Cansaço. Foto de Pedro Conceição.
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Eu não te acompanho mais
Pára , deixa de bater
Se não sabes aonde vais
Por que teimas em correr ?
Eu não te acompanho mais
(Estranha forma de vida -Versão Caetano Veloso).

Engoli o orgulho, saltei o pedregulho, resolvi o marulho, comi o sarrabulho, escrevi o bagulho, de beca eu tô em julho: Diário de uma Formanda IV

Capítulo IV: Fotos Beca / Fotos Turma (04-04).


(Fingindo na hora rir.... *quem me conhece sabe que odeio "posar" para fotos...hehe*).

(E esse olhar de ódio? rsrs)




(O que eu disse??)
(pretinha)


(Bruno, amigo querido!)
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Em breve mais novidades...

(- E a monografia, como vai? - Vai bem, obrigada....).
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Engoli o orgulho, saltei o pedregulho, resolvi o marulho, comi o sarrabulho, escrevi o bagulho, de beca eu tô em julho: Diário de uma Formanda.