quarta-feira, 14 de junho de 2017

AS MIL CENTO E SETENTA E SEIS NOITES...

Fonte: Xerazade e o Sultão Xariar em As Mil e Uma Noites. Por Fernando Keller


“[...] Chega mais perto e contempla as palavras.

Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave? [...]”


(Carlos Drummond de Andrade. Trecho de Procura da Poesia).

PARTE I - INÍCIO

Aos leitores e leitoras que por aqui passaram e ainda hão de passar... que de alguma maneira se sentiram tocados ou inebriados  com o nosso contar - o meu narrar - esta é uma noite muito especial. Não tratar-se-á de uma partida em definitivo; mas um recesso. Incerta sobre o tempo exato  no qual nosso retorno ocorrerá, a promessa de Xerazade, que também fui, será cumprida em algum tempo da Primavera, embora o ano não possa ainda calcular. Mas combinemos assim. De alguma maneira, queridos leitores, aos que permanecerem, retornarei para vos contar o que virá a ser o nosso pequeno Sofia de Buteco. Antes, a nossa história completa, resumida e enfim. Sendo esta a última dentre nossas Mil Cento e Setenta e Seis Noites juntos, ei-la então. 

Aos vinte e três anos recém completos sofri minha primeira desilusão amorosa, o primeiro de muitos términos vividos, mas que pela idade e inexperiência se tornou excessivamente doloroso. Já havia presenciado a partida de outros amores, pela morte, meu próprio querer, obrigação ou desejo. Mas aquele em especial muito me machucou devido à paixão que ainda estava lá, porém sozinha. O ano era 2009 e a cidade, Viçosa. Após um mês para repensarmos a situação, sempre triste para ambos, seja quem for o outro, foi decidido não por mim que jamais voltaríamos a estar juntos. Minha recuperação certo tempo levou; talvez um ano. Porém, como quase nada é absoluto, foi a partir daquela ruptura que conheci uma vida mais feliz, plena em amizades e alegrias que, embora antes também existissem, restringiam-se a um contexto grupal sobre o qual não tinha mais afinidade em prolongar. Término radical e de fato sem volta, a raiva sentida misturada aos demais ressentimentos fizeram com que tomasse eu a iniciativa de fazer algo sempre feito, porém às escuras. Criar este Blog foi, durante o ano de 2009, não só a terapia que precisava, mas o início do meu autoconhecimento como escritora. Já escrevia antes, mas sem leitores que me lessem. A partir dali, havia escrita, leitor e até público. E assim nascemos. Com o término da infelicidade, prossegui com o Blog sem tantos apelos emotivos ou indiretas enviadas (lembrem-se: tinha apenas vinte e três). E decidi fazer deste gênero, o Blog, na época o auge da inventividade, uma maneira divertida de me fazer visível. Nosso primeiro post foi escrito no dia 03 de maio de 2009 sob o título Qual a sua melhor roupa? e assim, naquele narrar autobiográfico e um tanto infantil, ao mundo viemos... 

...Com outro nome. Já te contei que fui atingida por um raio sete vezes?- foi o primeiro escolhido e por pouco tempo. Baseado no longa O Curioso Caso de Benjamin Button (David Fincher, 2008), um de meus filmes preferidos na época por inúmeras razões, sobretudo pelo senhor que repetia em vários momentos o dito acima, achei que seria também curioso, ao leitor que investisse nas minhas "estorietas", o tal título. Porém muito extenso e pouco palpável, o nome não "pegou" e rapidamente passei ao clichê Filosofia de Buteco. O "u" foi erro gramatical, mas sem volta,  fingi estilo coloquial. Naquele ponto o Blog já não era mais o mesmo: As narrativas de um jovem psicodrama engolido a palo seco. Da autobiografia transformei o Filosofia em um diário-ficcional (a ideia é mantida até hoje), mesclando minhas crônicas com contos, resenhas, sinopses, músicas, colagens, Literatura, entre outras coisas. Mas o nome ainda não era. Não fluía e chegava a quase ninguém.

Certo dia, olhem só..., uma amiga religiosa (ex-religiosa, a propósito), que tinha conhecimento da minha vida inteira e portanto deste espaço, singelamente me perguntou: "Oi Amanda? Como vai o Sofia de Buteco? Beijos!". Naquele momento o nome fora escolhido, graças a minha amiga Cléo. O resto vocês já sabem ou intuem...

Meu nome é Amanda e sou paulistana. Nasci em um domingo chuvoso, no dia dez de novembro de 1985. Já quis ser muitas coisas na vida, de cientista (talvez a segunda delas), passando por vir a me tornar uma reconhecida bailarina profissional, chegando às profissões que na época dos primeiros vestibulares eram as mais visadas: Jornalismo ou Psicologia. Meu sonho era o de ser médica, contudo; mas sabia que não teria a coragem para tal, no sentido da conquista, não do mérito na prática, pois tenho um longo currículo em voluntariados que incluem também hospitais. Bem, sonho é sonho. Ao me mudar para Minas Gerais, Viçosa, devido à aposentadoria de meus pais mineiros e daquela região, muito sofri pela mudança e também pela perda dos únicos amigos que na cidade moravam: Dois amores. Disso também já sabem. No período da enfermidade de ambos, sempre muito ligada à religiosidade humana, quase freira me tornei mas a tempo fui salva. Conformada e acostumada à cidade universitária de Viçosa, optava já por cursar Letras ou História; Filosofia ou Teologia (em Ouro Preto) e ainda, Psicologia, em São João Del Rei. Por fim, prestei dois vestibulares. Para Letras, em Viçosa, e o de Psicologia em São João. Passando apenas no primeiro, em Viçosa fiquei, graduei e até Mestrado fiz. Tudo isso apenas para revelar o mistério: Mesmo com tantas carreiras e vontades, desde os três anos tinha a consciência de que sendo o que fosse, vindo o que viesse, o que realmente amava, em primeiro, era escrever. E queria, portanto, ser escritora. As profissões e vocações mudaram no decorrer do tempo, mas a ideia de escrever e publicar, um dia, nunca me escapou. Dela tenho consciência desde a primeira infância. Por quê? Não sei.

Uma vez assisti a um filme cujo nome nunca descobri, ao cinco anos, em que uma fada segredava à menina que as pessoas nascidas com um calo feio e deformado na mão esquerda possuíam, enviado das fadas, o dom da escrita. Pois, pasmem, leitores! Tinha o calo e ainda o tenho! Na mão direita, porém. Fiz disso um detalhe pequeno e prossegui com o vaticínio de que me faria escritora. Logo, no excesso ou falta de caminhos, optei pelo curso de Letras para aprender a ler os escritores e através deles a escrever. Apaixonando-me pela Literatura, hábito que já possuía, mas sem tanto afinco, hoje até Doutoranda em Letras me tornei. O tema de minha pesquisa? A MORTE! (sim, leitores, não deixa de ser sintomático: E claro! Amo Sigmund Freud).

PARTE II - MEIO

"No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. Tinha uma pedra..."(Drummond). Essa pedra é mais que um detalhe para a continuidade deste Blog, nos anos de 2010 a 2012. Porém, falarei dela depois. Não era uma pedra qualquer, senão um diamante para mim. Mas ainda estamos no meio do caminho. 

Com o nome certo e as razões incertas, naquele período de dois anos o Sofia "estourou" dentro dos limites possíveis. Todos me conheciam como "a menina do Blog" e muita gente passava por aqui, inclusive professores do meu curso. No auge da minha juventude e criatividade, além dos gêneros supracitados, nasceram colunas que muito "bombaram" na época, trazendo até leitores de outros cantos. As principais e mais divertidas de se escrever eram (e permanecem no arquivo do Blog, aos interessados): Amores; Devaneios; Por aí; Sofia de Buteco recomenda; Posts didáticos, Pastoral da Juventude; Férias de Sofia - sendo esses os mais básicos. Um detalhe importante é que meu ex, o dito cujo acima, tentou processar a mim e ao Blog certa vez, o que me levou a apagar muitos textos, por desconhecimento meu, pois a causa não seria ganha (mas eu não sabia). Disso nasceu outra coluna: Posts censurados. Continuei a escrever pela raiva da inquisição, mas a partir de então aprendi o uso do simbólico, da metáfora e do subliminar. Sobre os Posts realmente censurados? Nunca deles me livrei. Ainda hoje se encontram arquivados em outro Blog alternativo... Cujo link (in)felizmente esqueci. Mas também estão nos meus e-mails. Acho que venci, do meu jeito. 

Depois: Cortando os pulsos com Sofia de Buteco; Concursos colírios; Inteligentes mensagens subliminares com Sofia de Buteco; Ditados de Rebeca Beyoncé; Dr. Caramujo; Noites no Leão; Noites no Porão; Dia dos 100 namorados; A verdade sobre o dia do amigo... e por aí vai.

Concomitante a essas colunas, escrevia também sobre o Luto dos meus mortos ou dos que chegavam em meu percurso. Na alegria, escrevia biografias para formandos amigos e até algumas encomendadas! Sim, leitores: Já fomos famosos!

Mas o ápice disso aqui se deu com três colunas, sobretudo: 1. Especial Copa: Comentários Inteligentes com Sofia de Buteco, o que me rendeu até críticas positivas em Blogs "populares"; 2. Engoli o orgulho, saltei o pedregulho, resolvi o marulho, comi o sarrabulho, escrevi o bagulho, de beca eu tô em julho: Diário de uma Formanda - essa, senhores e senhoras, foi uma coluna na qual contava passo a passo o diário das minhas venturas e desventuras de estar me formando, sem rumo futuro, em uma grande Universidade Federal do Interior. Das festas às mazelas da escrita monográfica, passando pela biografia que meus amigos fizeram para mim... Enfim! Outra coluna que deu muito certo (embora a primeira seja a supra-suma); Por fim, 3. Oráculo de Sofia. Tenho dúvidas sobre o nome, mas lembro-me que foi muito legal escrevê-la! Nessa, recebia mensagens de leitores que me pediam conselhos amorosos e tão quanto os respondia e aquilo se transformava em um folhetim adolescente. Foram três ou quatro mensagens e  também cartas e e-mails, o que muito nos divertiu.

Houve ainda a Procura-se fazendeiro, crítica paródica à Semana do Fazendeiro, festa milenar viçosense que para muitos era a única diversão da cidade. Hoje não mais. Atualmente, Viçosa é POP. Um restaurante Japonês em cada esquina. Um Mexicano. Vários PUB´S sendo abertos... Talvez hoje, sem traumas, morasse aqui sem resignação. Mas de que vale essa modernidade "estúpida" se não temos mais nossas cadeiras no Bar da Rita? Nosso Leão? Nosso Moreira´s - no centro da cidade - como tinha de ainda estar? Não troco identidade por modismo, porque ao contrário de muitos, em Viçosa estudei mas também morei, conhecendo a realidade dura dos habitantes da cidade e dos moradores das cidadezinhas ao redor, desta  Zona da Mata tão poética! Poucos deles tinham acesso à Universidade. Ainda, o mais triste foram as mortes de muitos amigos ou desconhecidos, jovens e em maioria negros, dizimados semanalmente por guerras de tráfico, sem respostas e sem justiça. 

Bem. Falo em "aqui" e "ali" porque me habito em ambas as cidades, desculpem a confusão! Eu também estou confusa... Mas, no momento-agora resido em Belo Horizonte e daqui escrevo. 

Por fim, muitos outros posts. Vez ou outra uma crítica política e academicista, mas o que me vendia eram as reflexões sobre Relacionamentos, outra coluna. No mais, muitas brincadeiras feitas por mim, para mim e que ninguém mais no mundo as entendia. Agora é chegado o momento de contar sobre a "pedra-diamante", caso até aqui tenham seguido. 

No fim de 2009 conheci o meu terceiro grande amor e, por hora, o que parece ser o amor da minha vida. Nossa relação começou torta e obscura no finzinho daquele ano, mas só ganhou nome em 2010: Rolo. Enrolamo-nos entre idas e vindas de 2010 a 2011. A princípio, ambos morávamos em Viçosa. Depois, ele voltou a sua Terra Natal, onde permaneceu seis meses à distância. Todavia já não estávamos "juntos", pois certas descobertas-desconfiadas me fizeram também romper o que de concreto não havia. Foi em 2011, apenas, que recobramos contato, já com outra nomenclatura: Relacionamento aberto. Eu, sempre clara, transparente e aberta, contava-lhe sobre as pessoas que conhecia e beijava, eventualmente; ele não. E isso foi o segundo motivo de nossa separação. Entretanto, como as luzes fortes e naturais dos vagalumes, voltamos em 2012 sob nova denominação: Namorados.

Namoramos entre os anos de 2012 a 2017. Faz apenas dois meses em que me encontro solteira. Nossa relação foi muito feliz, embora sempre conturbada, pois o que temos de parecidos, temos de diferentes. Para mim dádiva; para ele, talvez, castigo. Não sei. Ele não me explica com clareza.

No ano de 2013 um casamento no civil, mas por motivos burocráticos, embora também amorosos. Os sacrifícios amorosos são sempre doces. A quase ninguém me apresentava como "casada", visto que nosso pacto explícito era o de que nos casássemos de verdade na Primavera de 2018. Meu pai havia recém saído de um coma e, como os motivos do enlace não eram tão espontâneos, casei-me "sozinha" na cidade da Laranja (Araraquara), a que - apesar do cheiro de laranja podre - frequentei por um ano e meses. Por essa razão, quase ninguém entendia que nosso casamento, por amor, teve em primeiro outras necessidades, não tão amorosas. Um pouco frustrada com o feito, fechei-me por um período denso que se misturou à doença do meu pai (sua recuperação durou mais de ano) e também à realização do meu Mestrado que, cá entre nós, quase acabou com a minha vida e vontade acadêmica, por motivos já perdoados e esquecidos.


Assim, fomos muito felizes mas nossas discordâncias, constantes, nos últimos dois anos, foram o motivo da ruptura. Como um eterno retorno do igual, não queria me separar, pois ainda o amo. A escolha e decisão foi apenas dele. Eu reconhecia nossos problemas, como adulta que me tornei e contudo acreditava em um recomeço sem término. Sete anos e meio de relação; o primeiro à distância (Araraquara/ Viçosa); o segundo e o terceiro morando na mesma casa (embora nunca tenha me desligado de meus pais. A princípio pela doença, mas depois pelo destino, pois no final, são quem comigo estão e estarão. É claro que, vivendo todos em Viçosa, víamo-nos todos os dias, sobretudo em 2014, quando efetivei a mudança de mala e cuia para seu aparatamento, também meu). E então, 2015 a 2017: Desempregada, passei em um concurso para professora substituta no CEFET BH, Centro de....(sempre preciso olhar no Google) Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, onde hoje sou doutoranda. 


Sempre quis me casar e ter filhos, porém, a ideia de sair da casa dos meus pais para a casa de um marido me remoía o espírito. Portanto, a mudança para Belo Horizonte em 2015 foi uma das melhores coisas que me aconteceram, pois pela primeira vez na vida tive a oportunidade de morar sozinha, como mulher. A distância, ambos acostumados com ela, não era difícil. Quatro horas ou quatro horas e meia de ônibus, com horários diversos e acessíveis possibilitaram com que mantivéssemos nossa rotina. Falamo-nos diariamente por telefone e nos víamos todos os fins de semana do mês; exceto um, em que cada qual ficava em sua morada, até para que eu pudesse começar na nova cidade uma vida social. Como boa Escorpiana com ascendente em Áries, era ciumenta e às vezes passava do limite. Mas hoje, com a temperança, visto que tudo foi uma soma de fatores que na época um ou outro não tinha ciência, entendo: Distância, Cultura, Expectativas diferentes sobre um relacionamento. No entanto, atrevo-me a dizer que o amor ainda está e também a paixão. Não cedo nisso. Não acredito na incompatibilidade de "almas", senão na falta de vontade de um ou de outro em ceder neste ou naquele ponto, tão importante e às vezes menosprezado por um dos cônjuges. Sim! Tivemos períodos conturbados, mas nossas alegrias diárias me venceram. A minha memória e ao meu amor. Por essa razão, isto é, também por essa razão, este Blog se finaliza. Pois não tenho mais forças de manter como Ariadne um fio que a lugar algum me leva.  Tenho esperanças? Neste caso sim, mas não posso, como numa pelí de Almodóvar atar ao meu lado alguém que mesmo me amando acredita que olhar para trás é pecado mortal. Opto, em caso definitivo, manter as tantas e boas lembranças que ultrapassam a contagem cronológica do tempo... (Cinco anos? Sete anos e meio? Sete anos e nove meses?)

Começamos nos cafés do DCE. E é lá que meu coração permanecerá. É a única pessoa no mundo com quem realmente pensei em ter filhos e filhas e uma vida verdadeira. Alícia seria uma delas, em homenagem à bailarina cubana e à cantora inglesa ou americana. 

Ainda acredito no destino, mas por hora só isso posso dizer. Portanto, leitores e leitoras tristes: não desacreditem do amor. Ele não basta por si só para manter uma relação; porém é suficiente para começar outra nova, com velhos, novos ou seminovos e semivelhos parceiros. Aí vai da fé.

PARTE III - DECLÍNIO E RETORNO ABRUPTO

Dito de outra forma, a vida adulta me chegou a partir do ano de 2013. A princípio pelos inúmeros problemas em meu Mestrado, sobre os quais já não tenho o que dizer. Pois a tudo transvalorei. Daqui a alguns anos, se viva, serei Doutora no tema em que desejo e para mim será suficiente. Quem sabe na velhice poderia ser Doutora também das causas biológicas, o sonho ainda permanece. 

Morando em duas casas ao mesmo tempo, no centro de Viçosa com o meu companheiro e na periferia dela com meus pais, não me sobrava tempo algum para a escrita. O trabalho árduo em um colégio particular junto do Mestrado e, depois, um ano trabalhando em um Colégio Estadual fez que minha vontade de escrita se apagasse, soturnamente. Amava meus alunos do Colégio Estadual, mas havia coisas... as que não ouso dizer, que me deixavam extremadamente cansada e triste comigo mesma.

Com a mudança a Belo Horizonte, em 2015, o tempo já escasso me superou. Tive que me adaptar, sozinha, embora apoiada por meu companheiro, pais e alguns poucos amigos, a uma nova cidade. A um emprego muito bom, ainda que cansativo. A viagens semanais e depois quinzenais a Viçosa por amor. Não havia tempo para escrita, tampouco para a escrita de mim mesma. Há tempos não me olhava no espelho... E assim tudo prosseguiu, também em 2016 até o mês de Abril de 2017.

O retorno abrupto se deu com o término da minha "relação estável" ou "casamento"  ou "enamoramento". Triste fim, esse sim sofrido com uma dor nunca antes experimentada. Tampouco aos vinte e três, quando ainda havia as festas de Viçosa...

Como uma Ariadne rejeitada por Teseu, teci nestes meses um fio que me levasse ao outro sem com ele estar. Como uma Xerazade ou Sherazade o fez, também  fiz nestes meses a cada história diária uma forma de não ser morta por meu Xariar. A verdade é que muitas me têm sido as negativas e cheguei a um momento particular que, embora viva, preciso descansar. 

Estou me (des)cansando. 

Valorar a minha escrita. Transvalorá-la. Reinventá-la. Meu labirinto sempre será, como ainda é, o do AMOR. Porém, é preciso descanso para o estudo das regências, gramaticalismos, estilismos, autores contemporâneos e sobretudo, para decidir o corpus sobre o qual estudarei a Morte representada. 

Não choreis, amigos de longa data! Como prometido, retornarei em alguma Primavera. É um pacto com meu leitor implícito e - quem me conhece - sabe que não minto nunca.

Nosso Sofia de Buteco renascerá das cinzas. Ou como um livro de crônicas e contos (até aos microcontos me aventurei, em 2015) ou em um novo suporte, ainda desconhecido e não pensado. Quem sabe, novamente aqui, com outro layout e novas perspectivas.

Tudo na vida é perspectiva, leitores e leitoras: Acreditem!

Gostaria de agradecer profundamente a todos que me carregaram, empurraram e me trouxeram até aqui. Aos amigos distantes e sábios, cujos Blog´s me serviram de inspiração (vocês sabem quem são e a amizade continuará). Aos leitores mineiros e paulistanos, brasileiros, estrangeiros, norte-americanos, chineses, franceses, romenos, colombianos - a todos vocês, verdadeiros estrangeiros ou falsos com IP'S disfarçados (Já fiz isso também). 

Aos meus cem seguidores. Aos pequenos vagalumezinhos, meus alunos, que por aqui chegaram casualmente há poucas semanas. Obrigada pela força, pelo carinho e pela amizade repentina!

Aos curiosos que vez ou outra me visitam através de minha ociosa divulgação, via Instagram, Facebook ou Twitter - Obrigada!

E para terminar a parte dos agradecimentos... Obrigada àquela fada que, aos cinco, ensinou-me que escrever era bonito (Foi minha mãe quem me alfabetizou, em casa, outra fada). 

Conforme combinado, retornarei na Primavera brasileira ou no Outono europeu, cujas datas coincidem. Enquanto isso, queria vos fazer uma lista de conselhos e coisas que aprendi ao longo destes oito anos, mas já é tarde, a noite cai... E mais enfático seria escolher um deles apenas.

Conselho último de Sofia:

- Sede humanos. Errai como humanos. Amai como humanos, sem vergonhas ou ressentimentos. Buscai a força forte que em todos está. E desfrutai os dias chuvosos, por beleza e raridade que são! Segui ou voltai. É quase a mesma coisa. Uma, no entanto, basta: Amar, Amar e Amar. 

Para terminar...

Quando escrevo posts que me exigem mais tempo e concentração (forget about a revisão de texto, ela nunca acontecerá hoje!) costumo ouvir a Sinfonia de Beethoven, n. 7. segundo andamento (Sim, pessoal, a do filme The King´s Speech/ O discurso do Rei (Tom Hopper, 2010). Enquanto bebo um vinhozinho e esforço a rememoração. 

Mas, para que nunca me esqueçam, deixo-vos como legado a minha música preferida desde os nove ou dez anos, quando aprendi que além de escritora, sabia dançar: Danse Bohème, Bizet (Carmen Suíte, n.2). Música é o que me liga a Deus e, ultimamente, tenho conhecido muitas delas. Portanto, seria injusto ter de escolher entre tantas e tão representativas da Sofia e da Amanda nesses oito anos. Para não errar, escolho o clássico. Por alguma razão misteriosa (É a última vez em que uso esse clichê, agora com propósito), tal música é minha e sem mais. (Vou procurar uma versão linda e emocionante! E também do Ballet, tá bom? E, para ser excessiva, um trecho da Ópera!)

A suíte



O Ballet


A Ópera 




Esse acima não tem nada a ver (risos), mas é o meu Pas de deux favorito, da vida, com Baryshnikov e Cinthia Harven (Ballet Don Quixote).


PARTE IV - FUTURO?

Planos para o futuro? Bem. Já disse que o futuro não existe. Também jogo Tarot há anos e só meço o futuro próximo. Mas planos há alguns:

25/08 - Show do Hanson em BH (Certeza!).
14/07 - Viagem a lugar secreto, caso receba uma grana que me devem.
01/08 - Voltar ao Ballet, caso certa proposta de trabalho (nova) seja de fato minha.

Obrigada, Leitores e Leitoras - por tudo!
Até alguma Primavera ou Outono! Nunca vos esquecerei e... finalmente,  outros dois conselhos, um africano e um japonês, para a VIDA:

1. SE WO WERE FI NA WONSANFOKA A YENKYI.
2. NANAKOROBI YAOKI.

Um beijo das:
Sofia de Buteco,
Sofia e Amanda



2 comentários:

  1. Amanda-Sofia,
    que texto duro de ser lido! Primeiro, porque chorei em muitas partes dele (pense em lágrimas escorrendo no teclado do computador!), em algumas mais(talvez naquelas que por algum motivo me identifiquei), depois, porque sentirei saudades da sua escrita, espero reencontrá-la aqui ou em qualquer outro lugar do mundo. As palavras são fluidas, muito mais do que nós conseguimos ser, atravessam oceanos (as cartas na garrafa, não?), acho que por isso gosto tanto delas, vão aonde eu jamais poderei ir e de alguma forma me levam.

    Não gostaria que o seu Buteco fechasse as portas, mas acho que as suas decisões são bem mais sensatas do que o meu desejo. Mas antes da última cadeira sobre a mesa, gostaria de agradecê-la pelo cardápio variado, pelos textos frescos, pelo serviço valioso, pela sua generosa visita ao buteco vizinho e por esse até logo tão humano.
    Gracias. Hasta siempre! (O dia do aniversário do Che)e
    Se wo were fi na wo sankofa a yenkyi.
    Amanda-Amanda

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    1. Amanda-Pareço Louca?!

      Saiba que o seu buteco vizinho, possivelmente o meu preferido (o modalizador aqui é só para evitar o ciúme dos demais...) não foi apenas uma inspiração, mas uma carta aberta para que, lendo-a, tal decisão fosse muito pensada e decidida. Não sumirei. E da sua escrita jamais, tornou-se uma extensão do meu atual silêncio.

      Cheguei hoje à segunda casa e, sem flores de bienvenida na Rodoviária seca de Viçosa...(conhece? É seca e horrível), sinto-me um pouco exausta. Mas voltarei aqui, uma vez mais, para lhe responder como os "Deuses mandam". Obrigada pelo carinho! Não nos afastemos, pois visitarei quase diariamente, até por sublimação momentânea, o meu "novo" buteco-lar. Um beijo!

      Ps: "É sempre bom lembrar/ Que um copo vazio/ Está cheio de ar..."

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