terça-feira, 25 de maio de 2010

Poética Adversativa.


Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo
Teadoro, Teodora.
(Neologismo - Manuel Bandeira).

domingo, 23 de maio de 2010

FOOD IS STILL HOT.

Para um homem-besouro-listrado.
Conversas de Botas Batidas são como romances que batem as botas: por mais que estejam mortas são capazes de produzir novas percepções e isto é fantástico, apesar do incômodo que trazem a curto prazo.
A percepção das coisas, leitor, é mutável. Hoje você dúvida disso, porque tem razão de si. Mas, amanhã, poderá mudar de idéia.
Quando leio Dom Casmurro hoje, tenho a impressão de me deparar com uma Capitu periférica, construída a partir do olhar de um narrador que monopoliza o discurso, estratégia utilizada com o intuito de confundir o leitor ingênuo dos romances româticos do século XIX.
Já aos 14 anos...o que me interessava era perceber nas atitudes de Capitu uma prova que me permitisse defendê-la da narração distorcida de Bentinho, um Bentinho cruel, egoísta e imaturo.
Naquela época, não havia contexto; apenas texto.
Hoje, o contexto me interessa mais.
Quem é o culpado? Capitu ou Bentinho?
Hoje eu tive uma conversa que, moldada à luz de um novo contexto, trouxe-me uma nova percepção:percepção óbvia, e, ao mesmo tempo, ambigua.
Mas não será isto o tal do perspectivismo?? A cada leitura que faço das histórias da minha vida, interpreto-as a partir de um foco, e isto é capaz de produzir em mim sentimentos distintos no meu presente, à medida que me debruço sobre o meu passado com um olhar atual.
O passado é como uma comida ainda quente, leitor: é preciso deixar que ela esfrie, para não termos a nossa boca "queimada", caso escolhamos saboreá-la apressadamente. Em casos mais específicos, em que se faz necessário uma ruptura abrupta com o que nos incomoda, uma alternativa possível é a de deixar que a comida esfrie por demais a fim de que esta venha a se tornar ruim e desagradável para a ingestão, atenuando, dessa forma, o irremediável.
Novas percepções são responsáveis pela construção do novo: novas conversas, novos olhares, novos encontros. O mesmo acontece com uma música que se tece a partir de composições já antigas. Pode-se apreciá-la tendo em vista o velho que se faz novo, ou, o novo que refaz o velho:
"A Day in the Life (algo como 'Um Dia na Vida') é uma canção dos Beatles creditada à dupla Lennon-McCartney.
John tinha o início e o fim da música, mas não tinha o miolo dela. Achava que tinha de por algo entre as partes que tinha composto. Por isso, gravou a primeira parte; marcou o meio dela com uma contagem de 1 (um) a 24 compassos, feita por
Mal Evans; e em seguida gravou a parte final. A indicação do final da contagem era marcada, para fins de orientação, pelo toque de um despertador.
Paul possuia uma canção que não tinha início e nem fim. Apresentou ao grupo que resolveu inseri-la entre as partes já gravadas por John. O resultado final agradou a John Lennon e a Paul McCartney. Por coincidência, a frase da parte de Paul iniciava com: "Woke up, felt out of bed…" (acordei, caí da cama…), e começava exatamente no ponto antecedido pela marcação do toque do despertador. Por este motivo, o som do despertador foi mantido na gravação, já que Paul, pela canção, estava despertando."
Escutar a composição do outro, na maioria das vezes, ainda é muito limitador. Geralmente, optamos por costurar a música, "fechando-a", até que um dia ela se desconstrua sozinha, através do tempo ou das novas tecnologias de remixagem. Desvendar o outro é muito cansativo: gostamos mesmo é de ouvir a música pronta, não levando em conta o seu processo de produção.
Mas, a quem se interessar, é possível surpreender-se com as coincidências da vida: há mais músicas compostas "a dois" do que imaginamos.
Músicas que recordam e valorizam o "miolo", relativizando o ínicio e o fim.
Músicas que abrem mão do "miolo", supervalorizando o seu fim.
Tudo é "perspectivismo".
Bentinho, provavelmente, foi de fato traido por Capitu. Mas, acredito que decidiu perdoá-la muito antes de escrever o Dom Casmurro. É possível que ele, Bentinho, ainda gostasse de sua amiga; mas, desconsolado com a vida, permitiu que sua comida esfriasse por demais.
Já Capitu exilou-se na Europa; há quem diga que ela foi muito feliz por lá, casando-se novamente com um senhor Italiano (ou será Espanhol?); entretanto, Bentinho nunca soubera desta versão da história, porque Capitu decidira omitir certos fatos, embora nem ela soubesse o porquê.
Freqüentemente, Capitu e Bentinho se lembravam um do outro; ora com mágoa, ora com saudade. Entretanto, nunca mais se encontraram, ainda que vez ou outra trocassem cartas a respeito das despesas de Ezequiel e divagassem sobre o que poderia ter sido. A verdade é que ambos nunca se conheceram profundamente. Prova disso é o irritante e misterioso olhar ressacado de Capitu, jamais desvendado por Bentinho, já cansado de tanta ambigüidade... (ainda que, paradoxalmente, ele tenha produzido o texto mais ambíguo de toda História da Literatura Universal).
...A Day In The Life (Beattles).
(sugar, plum, fairy... sugar, plum, fairy.)
I read the news today oh boy
About a lucky man who made the grade
And though the news was rather sad
Well I just had to laugh
I saw the photograph

He blew his mind out in a car
He didn't notice that the lights had changed
A crowd of people stood and stared
They'd seen his face before
Nobody was really sure if he was from the House of Lords.

I saw a film today oh boy
The English Army had just won the war
A crowd of people turned away
But I just had a look
Having read the book, I'd love to turn you on...

Woke up, fell out of bed,
Dragged a comb across my head
Found my way downstairs and drank a cup,
And looking up I noticed I was late.

Found my coat and grabbed my hat
Made the bus in seconds flat
Found my way upstairs and had a smoke,
and somebody spoke and I went into a dream

I read the news today oh boy
Four thousand holes in Blackburn, Lancashire
And though the holes were rather small
They had to count them all
Now they know how many holes it takes to fill the Albert Hall.
I'd love to turn you on.

sábado, 22 de maio de 2010

Procura-se Casamento...

Querido Leitor,
São exatamente 3:09 e só agora consegui terminar tudo o que eu tinha para fazer. Não consegui enviar o meu artigo ontem; enviei hoje, agora há pouco, mas acredito que hão de aceitar, afinal de contas, eu quase morri para escrever aquilo; sei que ficou ruim...mas....nem todas as primeiras vezes têm que ser boas....(estou falando sobre coisas do dia a dia, leitor tarado em potencial...).
Não aguento mais o gosto do café....Nossa! Estou tão cansada que sei que não vou conseguir dormir agora...(eu sei que é paradoxal, mas há uma lógica nisto).
Na procura por um casamento, encontrei um, finalmente:
O meu?
Não ingênuo leitor...eu não pretendo e nem posso me casar tão cedo, pelo menos durante os próximos ...4 anos, talvez!
Acontece que sou uma pessoa obsecada por casamentos: adoro tudo! acho o máximo essa coisa de casar, por isso não me importaria de me divorciar do meu futuro marido em potencial apenas para ter o prazer de me casar mais vezes....
Casar e Descasar - ainda que com a mesma pessoa; ou não.
Esse fim de semana, serei madrinha de casamento dos meus amigos Douglas e Taty, e estou muito feliz por isso e pelo convite que me foi feito...me senti muito honrada! Na correria dessa semana, não tive tempo de comprar presente algum...mas, se meu plano B der certo, pretendo resolver isso amanhã antes das 8:45.....
Sobre casamentos....essa coisa de pegar o buquê é terrível....para quem procura um bom casamento, a dica é escrever o seu nome na "barra"(será barra mesmo? barra do vestido??) do vestido da noiva.....taí a dica, aos desesperados de plantão.
Gosto da festa....do álbum...da gravata....das pessoas interessantes que a gente conhece.
Analisando o meu curriculum casamentício, percebo que tenho sorte em casórios.....do ponto de vista do...bem...vocês podem imaginar!
Aos leitores que se casarão em breve, não se desesperem: para tudo dá-se um jeito.....eu acho...
De qualquer forma, convidem-me! Sou uma boa figurante para casamentos....posso até chorar, se for preciso fazer um efeito Projac.....
Aos leitores duvidosos, sugiro-lhes a bicicleta, sempre!
Bom caríssimos....vou indo....
Ainda não organizei minha mala....não imprimi meus relatórios da PJ...(porque amanhã teremos reunião, e eu quero fingir que estou por dentro de todos os assuntos...), tão pouco escolhi o meu sapato, sandália...ai que difícil ser mulher.....
Bem que me disseram que minha alma e comportamento são de homem:
É! acho que eles têm razão.
Boa Madrugada, Leitor-coruja!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Post Destemperado.

Paulinho, Rebeca e eu!
(Raulzitles - Galpão - 15/05)
Querido Leitor....
Estou tão cansada, que resolvi descer alguns quarteirões antes de casa para poder pensar na vida e caminhar mais.
Pensei...pensei...despensei.
Estou feliz por saber que consegui sobreviver ao dia de hoje. Amanhã, tenho muitas outras coisas para fazer, mas terei mais tempo, logo, é provável que eu não consiga dar conta de tudo o que ainda falta, visto que, quanto mais penso, mais percebo que sou movida à falta de tempo...
Tudo...
Em todos os sentidos!
Mas estou bem, acreditem...e cheia temperança destemperada para os próximos dias, que hão de ser muito bons!
Na falta de texto, vale uma retextualização de um já antiguinho.
Boa leitura, leitores: eu, se pudesse, não estaria aqui lendo este texto que vos fala. Estaria tomando uma cerveja, jogando conversa fora...e observando os homens bonitos de Viçosa que transitam pelo Leão...
Semana que vem tudo voltará ao normal, como uma dieta caseira de segunda-feira.
Boa Noite, temperada ou não, leitor...

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
(Amar! - Florbela Espanca)