quarta-feira, 2 de março de 2011

Oráculo de Sofia responde: Complexo de Fábio Jr?


Querido Leitor,
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Saudades do nosso Oráculo? Escreva-nos contando suas dúvidas pré carnavalescas! Envie seu email para: oraculodesofia@yahoo.com.br
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A pergunta de hoje, feita por RM*, quem não permitiu ser indentificado e ter seu email transcrito aqui, é sobre a possibilidade de se relacionar com duas mulheres simultaneamente. "É possível, Oráculo de Sofia, estar apaixonado por duas mulheres ao mesmo tempo?". Vamos conferir?
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Querido RM*,
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Sim! É possível estar apaixonado por duas mulheres ao mesmo tempo, caso você tenha algum complexo de Fábio Júnior, ou, ainda, seja descendente direto do mesmo. Caso contrário, eu, "O oráculo", pessoalmente, acho impossível....Mas, confesso que já vi de quase tudo nesta vida, o que aliás, vem a calhar com a pergunta de vossa senhoria: Afinal de contas, será o coração humano assim tão grande e generoso?
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Há pouco tempo, conversava com uma amiga a que me narrava a experiência de outra amiga, prestes a montar um apartamento com o namorado, até descobrir, finalmente, que este era casado e pai de dois filhos....
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Também há poucos dias - não porque tais assuntos me persigam! Mas, apenas por estarem muito em voga, socialmente falando - conversava com outra amiga quem contava o drama pessoal de uma vizinha de infância: engravidara de um rapaz por quem estava apaixonada, e , ao descobri-lo, além de ser "dispensada" pelo fdp, soube através da irmã do canalha (salve o coorporativismo feminino!) que o carinha em questão já MORAVA com outra mulher, na mesma cidade de minha amiga, e , inclusive, tinha outros dois relacionamentos paralelos! (Isto é: além de praticamente casado, ele namorava nossa conhecida e tinha outras duas "amantes" - dependendo do ponto de vista. Confesso que este rapaz, RM*, superou tudo o que já tive a oportunidade de presenciar nesta encarnação).
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Enfim. É um assunto delicado, do qual não gosto de tratar por não ter conhecimento na área. Mas, acredito que haja sim possibilidade para tal, o que muitas vezes vai depender do seu arranjo cultural, por exemplo. Mais importante do que se apaixonar por duas ou sete, é saber ser sincero com todos os envolvidos, consigo mesmo, com o Planeta Terra e toda Via Láctea.
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Ok, Não é isso o que quer saber, certo?
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Bem. Acho que existem níveis de paixão. Você pode estar com uma pessoa somente por sexo, por tesão, por desejo. É o famoso ficar por ficar, você fica uma noite, duas, três - descompromissadamente - não cria vinculos e aquilo termina ali. Conheço muitas pessoas que conseguem manter relacionamentos com seus "amores da vida" e terem, concomitantemente, relações sexuais avulsas. É um arranjo mais normal e aceitável socialmente, também com o advento do feminismo (isto é, os homens também podem ser objetos sexuais).
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Quanto às paixões doentias, não. Paixões mais "obsecantes" exigem mais loucuras, doações, entregas, o que impossibilita um relacionamento trino - na minha opinião. A vontade de estar com o parceiro, a loucura, a devoção, não permite que olhemos para os lados, que queiramos, apesar do sentir desejo ou não, perdermos tempo com outra pessoa. Vivemos intensmente em prol do sujeito, quase como uma doença, o que chega a ser mesmo uma doença, em alguns casos (e quase sempre termina mal, ou não dura muito...).
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Mas, como disse, há casos e casos, pessoas e pessoas. Você pode gostar de duas pessoas ao mesmo tempo, vá saber, apaixonar-se por ambas simultaneamente, quando se tratam de paixões mais "equilibradas", ou, cujo início de ambas se deram em momentos distintos da sua vida, mas, que um dia, para sua zica e loucura, "esbarram-se" num mesmo período, contexto, cidade, exigindo que você escolha uma delas. Nesse caso, sendo você homem, é melhor não tentar escolher - porque você não vai conseguir mesmo... Seja cauteloso: fique com as duas em dias e horários diferentes. Nutra por ambas "sentimentos" distintos, até ter certeza com qual delas pretende ficar (ou não). De qualquer forma, tenha outras duas na manga, para quando a mais barraqueira das duas primeiras descobrir ter sido enrrolada por você e resolver fazer um escândalo virtual, destruindo sua vida afetiva por alguns meses (a que logo se reconstituirá, partindo do pressuposto de que você é um homem com complexo de Fábio Jr).
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Já amar e gostar são sentimentos universais. Podemos amar e gostar de todas as pessoas e animaizinhos dos nossos bairros, todos os homens e mulheres do continente; da América Latina, do Ocidente. Isso não conta.
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Mas sim: ainda acredito no AMOR ROMÂNTICO! (música de fundo, please..."quando a luz dos olhos meus e a luz dos olhos seus resolvem se encontrar....laia laiá....). Aquele friozinho na barriga, sonhos e projeções futuras...Longas cartas de amor, poemas, músicas, chocolates....Noites ardentes de amor, saudade e todo esse pacote tortuoso de fogo e calmaria que nos nutre e nos mata diariamente.
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O caminho? não importa. Pode começar de uma amizade, de um ficar por ficar, um gostar, um apaixonar obsecadamente, um apaixonar equilibradamente. Não é a ordem que importa, neste caso; mas sim, a certeza de que seus dias ao lado daquela única pessoa seriam no mínimo mais legais de serem vividos e compartilhados. Seja à primeira vista, à segunda, ou à trigésima anualística (como tem acontecido com meus pais, ultimamente...) Em relacionamentos assim, não há terceira, quarta, quinta, porque a maturidade do sentimento está acima de todas as coisas. É o tipo de relação cuja amizade, após o término da "paixão", ainda mantem o vinculo entre o casal... (como casais que se separam e continuam amigos, conectados de alguma forma misteriosa). Acho um verdadeiro milagre quando isso acontece, portanto, se for o seu caso, open your eyes!
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No mais, a vida é esse bacanal mesmo! Seja sincero, use camisinha, e desconfie de que o problema, na verdade, não está em x ou y, mas em você mesmo, que talvez ainda não tenha conseguido amadurecer o suficiente para se entregar por completo numa relação.
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Isso não é necessariamente ruim RM*: tudo tem seu tempo! Na hora certa, as coisas acontecem.... (ou não, como o pai de outra amiga que aos 77 anos é casado e tem outras duas amantes, uma de 20, outra de 50).
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Pensando bem, trate de enriquecer logo, trabalhando muito, prostituindo-se ou vendendo sua alma para satanás: pessoas com complexo de Fábio Júnior , tal qual você, precisam de grana e disponibilidade para sustentar sete mulheres ao mesmo tempo...(Imagine todas elas com TPM simultânea? Pense bem, rapaz, aonde está se "metendo"...hehe).
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Uma outra dica é fazer com que todas elas se tornem amigas-irmãs e decidam morar juntas, no mesmo barracão. Neste caso, você pode continuar paupérrimo, mas ter uma vida de rei sendo sutentado por suas mulheres...(Viva o feminismo ocidental).
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O amor é o ópio do povo - já disse algum ferrado na vida afetiva.
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Um beijo do Oráculo de Sofia!

terça-feira, 1 de março de 2011

- Bem vinda ao clube das trouxas!


*Irmãs. Foto de Daniela Caniçali.

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Para Fernanda, prima-irmã:
Alma gêmea, sintônica, sintomática,
Amor à primeira vista.
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Antes de que abrisse os olhos, ela já estava lá, em meio às fotos e recordações infantis. Tutora por excelência, ensinou meu pai a ser pai e minha mãe a ser um misto de cabelereira, déspota não esclarecida, confessionário aberto e gratuito: mãe de primeira e única viagem, sem volta, reparo ou obrigação.
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Quando me dei conta, olhei bem de perto e vi aquele projeto de ser, nem menina, nem mulher, com uma cabeleira enorme e esvoaçante, bonita, negra! Naturalmente desforme. Ainda mais desforme era o modo com que me tratava: uma babá chata e maldosa, sempre disposta a sabotar sem lágrima os meus primeiros prazeres. Não ás bonecas, não ao macarrãozinho de mamãe; não ao vinil da Roberta Miranda, ou às cantarolas precoces que me adivinhavam. Todo o amor que ela tinha por mim, desde que surgi no aposento que passou a ser meu, aposento de alma, não passava de uma obrigação entediante, raivosa, ruidosa, concreta: eu era o centro do que antes só tinha ausência, quando lá não estava Fernanda.
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Fernanda significa ousada - li num desses dicionários de nomes, sem muita credibilidade. Indiferentemente, Fernanda era ousada para os meus moldes, que na época só enxergavam grandes laços de cabelos, objetos rosas, bonecas rosas, algodão doce, rosa. Fernanda amamentava às bonecas, comia o macarrãozinho nojento de mamãe; dava de mimar à chatinha, cantava, rebolava - sem perder o rebolado e a realeza. Uma vez, ao visitarmos um menino realmente bonito, realmente diferente de todos os meus bonecos, Fernanda e o tal sujeito passaram horas a me ignorar, enquanto jogavam, a sós, uma torre de babel que mais me parecia um aglomerado de peças sem sentido. Suspeitei, naquele instante, a sutil diferença entre menina e mulher: os olhares de Danilo. Eu tinha 4 anos.
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Sempre soube, iconscientemente, que Fernanda não passava de uma má influência juvenil, enrrustida naquela cabeleira toda. Não queria seguir os seus passos, concentrando-me no caminho do bem, que a infância maldosamente me preparava. Mas ouvia as histórias de Fernanda, todas elas, apenas para saber o que não fazer, ao chegar a minha hora e vez.
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Fernanda se apaixonou algumas vezes. Foi capaz de aprender italiano, e aprender bem, apenas para se corresponder com um rapaz que fora visitá-la. A mim me parecia ridículo, todo aquele empenho, todo aquele gostar, por uma pessoa senão invisível, que morava a léguas e léguas de distância. Fernanda tentava me ensinar italiano, mas eu sabia que qualquer coisa vinda dela não era de confiança. Não se casaram, ela e o italiano: outras paixões ainda à esperavam, como a vida religiosa.
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Seja pelos padres, também italianos, seja pelo amor a Deus e a Cristo Jesus, minha prima cismou em ser freira. Outra absurdidade na qual eu jamais cairia, sendo eu muito mais esperta, embora menos bonita. Fernanda tentou, com zelo: mas devido a uma conspiração universal, estelar, resolveu entregar seu coração às coisas mundanas: boates GLS´s, bares, choperias, danceterias. Cortou o cabelo, o esvoaçante, fez uma progressiva: - O que Fernanda fez com o cabelo? - disse mamãe, na época em que ainda me fazia tranças e tererês (com aqueles grandes e infernais laços cor de rosa).
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À medida que o tempo passou, trazendo-nos novos caminhos, comecei a entender certas coisas sobre Fernanda que não precisavam de muita explicação. Meu cabelo já não se encaixava no laço, nem o laço no cabelo: curtinho, comprido, vermelho, liso, natural - não era mais que um amontoado de fios, dos quais dependiam (e dependem) exclusivamente das minhas mãos e humor, matando mamãe, gradualmente, de raiva infindável. Aprendi inglês - sem muito brilhantismo - também por uma paixão... Paixão que norteou os meus dias, sonhos e cartas dos 12 aos 17: um manáge à catre - se isso fosse possível, naquela época, naquele M.M.M. Bop.
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Também segui o destino religioso, não por um italiano, mas por um desencontro. Tal qual Fernanda, o universo, as estrelas, as conspirações levaram-me muito jovem às boates gays, às choperias, aos barzinhos e "danceterias" de forró; depois, em Minas Gerais, aos Leões, às festas universitárias e todo pacote indecente.
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Fernanda é formada em Letras.
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Muitas eram as coincidências que nos uniam: quanto mais tentava escapar das escolhas insanas de minha prima-irmã, automaticamente uma porta e janela se abriam com os mesmos enredos, apesar dos diferentes contextos e protagonistas.
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Nunca entendi, contudo, o que levara minha prima a se relacionar com aquele rapaz....tão estranho, tão "narigudo", tão desinteressante. Rapaz por quem vi Fernanda se perder, lentamente....
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Não passava de um mulherengo idiota, o qual nunca chegaria aos pés da minha prima e do gostar que ela poderia lhe oferecer. Quantas confissões, quantos barracos, quantos micos pelos quais ela passou. Quantas ligações, quanta felicidade clandestina - ou não - tudo isso, por um capricho de ambos - explicação razoável que eu encontrava, por volta dos meus dezessete.
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Contou-me sobre o dia em que teve a coragem de ir até uma das rivais, oficiais, a fim de esclarecer o óbvio. Havía outras duas ou três rivais, mas estas já conheciam a realeza de minha prima - a que vem de berço.
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- Você é doida! Eu nunca faria isso por ninguém, imagina....ainda mais por W***, aquele narigudo feioso. Você tem que se dar valor! Ele não quer nada com você...Imagina?? Só você mesmo pra procurar "a outra". - disse Amanda, aos dezessete.
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Hoje Fernanda é uma mulher que encontrou seu quinhão de paz, apesar dos olhos sempre abertos, típicos das pessoas provindas da realeza, de sangue, alma ou desconfiômetro. É uma mulher belíssima, inteligentíssima, por quem sinto um orgulho filial, orgulho por existir no mesmo tempo e contexto que ela, dádiva que me foi dada por Deus.
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Amo Fernanda como a uma irmã.
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Reencontramos-nos recentemente. Após longas horas de conversas fiadas, fofocas, lembranças e aconselhamentos, passo a decifrar muitos capítulos daquela Fernanda, a que hoje me habita.
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- Bem vinda ao clube das trouxas, prima! - disse-me Fernanda, com aquela gargalhada maquiavélica de sempre... a mesma que me foi dada no dia em que caí, pela primeira vez, do meu primeiro cavalinho de plástico e pau.


Deu a louca no Vaticano: Padrecats!

*A escrita do corpo. Patrícia Cohen.


"Preocupa-te mais com o que Deus pensa de ti do que com o que pensam os homens". (Atos. 5:29).
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(Censurado).

Vale a pena ver de novo!

Antes do pôr do sol (Before Sunset. Richard Linklater/ 2004)

Antes do amanhecer. (Before Sunrise. Richard Linklater /1995).