segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Mi ventana cerrada: una sorpresa


*Lagartixa Acrobata. Foto de André Gonçalves

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Al amar eres eterno. Del mismo modo, cuando te encuentras escribiendo una novela, en los momentos de gracia de la creación del libro, estás tan impregnado por la vida de esas criaturas imaginarias que para ti no existe el tiempo, ni la decadencia, ni tu propia mortalidad. También eres eterno mientras inventas historias. Uno escribe siempre contra la muerte. [...] Hablar de literatura, pues, es hablar de la vida; de la vida propia y de la de los otros, de la felicidad y del dolor. Y es también hablar del amor, porque la pasión es el mayor invento de nuestras existencias inventadas, la sombra de una sombra, el durmiente que sueña que está soñando. Y al fondo de todo, más allá de nuestras fantasmagorías y nuestros delirios, momentáneamente contenida por este puñado de palabras como el dique de arena de un niño contiene las olas en la playa, asoma la Muerte, tan real, enseñando sus orejas amarillas. (ROSA MONTERO. Extracto Uno. IN: La loca de la casa.).
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Há alguns dias, notei a presença de um novo companheiro (ou companheira) que rodeia minha janela, do lado de lá, posto que esta permanece ainda fechada por tão pouco. Trata-se de uma lagartixa. Uma das minhas ex´s sogras temia severamente a existência do pobre réptil; porém, decidi deixá-la viver e se divertir às custas da minha pretensa ignorância. Também nunca me afeiçoei o bastante ao pobre animal, es decir: tanto como a ex sogra, detesto tal exemplar doméstico enraizado em todos os cantos do meu país e paredes. Ainda assim, observo-a diariamente, antes de deitar-me. Como se a invejasse ou admirasse (não há paradoxo aqui), devido a sua paciência em todos os dias insitentemente visitar-me, sinal da mais pura amizade.
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É tão paciente, tão conformado - o animalzinho - causando-me pena nos primeiros dias e, diferente do que faria anos antes, concedi-lhe, como Deusa, o dom da vida. Por fim, diariamente tenho recebido em troca uma espécie de consolo ou grande presente: minha observância curiosa, a que também sucede ao pueril réptil - futuro imenso lagarto - encantou-me quase como um novo amante. Diariamente, após alimentar-se de seus insetos, sem os quais não sobreviveria, minha nova amiga (ou amigo) passa minutos a me observar, indagando-se a respeito de minhas angustias razas; inconformada, talvez, pelos medos e ansiedades alimentados, sem os quais também não sobreviveria. Entretanto, seja lá por qual razão, continua - a lagartixa - a observar-me, fiel cão. E por empatia, sinto que me compreende; e , mais do que um presente gratuito (porque a janela nunca será aberta a esta hora, tenho pavor), é como se quisesse beijar-me e dizer amigavelmente que a vida é mais simples do que pensamos; é preciso paciência, preciso - às vezes - teimar em retroceder para que, com impulso mais corajoso (provocado por passos às vezes enganosos, os quais, ambiguamente, fazem-nos retroceder por demais: perdermo-nos ou confundimo-nos) o salto a prazo indefinido, conquistado pelo impulso da distância medida, tornar-se-á austero, dignificante; vivo.
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Quando voltar, se é que voltaremos, já estará morta minha pequena nova amiga; porém, dias desses, hei de abrir a janela, ainda fechada, para dar-lhe seu merecido olhar, concreto de reciprocidade.
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Não reclama desse calor excessivo, tampouco do frio e da chuva (para mim, calor infernal). Prostada a minha espera todas as noites, tornamo-nos cúmplices, compatilhando sensações, medos que vão além de mim e destas palavras sem brio. Mas, quando a observo, sinto paz. Como se houvesse alguém a quem pudesse confiar, verdadeiramente.
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O mesmo sucedeu com uma borboleta-bruxa, a que pousou sorrateiramente do lado de fora da minha janela. Esta, no entanto, causou-me horror. Expulsei-a, mesmo plena de uma estranha e icogniscível doçura - a da bruxa. Após o veredicto... Pena: Não a assassinei, como teria feito anos antes, mas dispensei sua amizade, deixando-a livre.
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Ficou, então, mimada e só, minha lagartixa apaixonada (embora a janela esteja fechada neste momento).
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Não sofre de ansiedade, não reclama do calor destas bandas (o qual aumenta com este tempo chuvoso, pelo menos pra mim...Odeio calor excessivo). Apenas, limitando-se ao que está fora de mim, tenta adivinhar quem sou.

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Há tempos não encontro ninguém que me tente adivinhar; todos me julgam previsível: ou demais passional ou demais conformista, conformada, perdida.
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Meu novo amigo, ou amiga, a quem amo - porque o deixo viver, embora a longo prazo há de se tranfigurar em um lagarto asqueroso - não me julga: só adivinha. Ele, ou ela, observar-me atentamente todas as noites como quem diz:
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"Somos da mema estirpe, mulher: sobrevimemos às duras rupturas, como o fazem com minha calda; mas, depois do suportar da dor, regeneramo-nos, sempre. Ainda que eu nunca mais te veja - porque a minha vida é curta, a tua é longa, presumo, espero, lembre-te: Falta-te a paciência necessária para se dar conta de que tua capacidade de regeneração é infinita. Também como a de amar e a de construir coragem. Um passo atrás e o impulso para um bom salto será maior. Sabes disso; dançou durante quatoreze anos, não? Cada um nasce para aquilo que o é. Hoje, só quero uma noite calma e feliz: e com muitos insetos!
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- Humana, o que você quer hoje, da vida, como se fosse tão simples e tão único?"

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- Quero adivinar, sozinha, O nome da(quela) Rosa, por quem me apaixonei.
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