quarta-feira, 30 de abril de 2014

DO OUTRO LADO DA FAMA

Cegonha em contra cruz. Foto de Jcb.Pardal

Há uma série de textos sobre os quais pretendo escrever em breve; crônicas, digamos. O triste fim de Cláudia Silva Ferreira, "arrastada" por uma viatura da polícia militar no Rio de Janeiro; a desventura do dançarino e de sua mãe - Douglas Rafael da Silva Pereira e Dona Maria de Fátima, a mãe que poderia ser a minha ou a sua. Também sobre o midiático "protesto das bananas", em ocasião da "pacoba" jogada em direção ao lateral Daniel Alves do Barcelona; e, por fim, o misterioso caso das quatro jovens assassinadas em Goiânia, no morro do Mendanha, no dia "Internacional da Mulher": Mylleide Morgana, Sinara Monteiro, Rayane Kellry (sobre a última não há dados concretos) - todas entre 14 e 16 anos de idade. Outra história que me interessa muito é a do assassinato do funkeiro MC DALESTE - "casualmente" esquecido pela mídia.... Outros Amarildos e Amarildas.

Escreverei sobre todas essas questões, a seu tempo, modo, pessoa e voz. Por hora e cansaço, escreverei sobre minhas atuais (des)escolhas, lembrando que, de qualquer modo, trata-se de um diário ficcional tudo o que for aqui escrito. Sem nomes  ou referências do mundo cotidiano. Ao leitor interessado cabe imaginar o que é real ou fantástico; o que é monótono ou excessivo; o maravilhoso ou o sádico. A palavra e o silêncio que  acompanha as entrelinhas. Sobre os nomes citados, destacarei aqueles que me interessarem - pois cada nome é um destino, uma certidão de vida sobre a terra, o que não é pouco, pois somos todos gentes. Aqui ou do outro lado da fama.

Perdi a oportunidade de trabalho comentada no último post pseudo-fictício. Escrevi à agência de fomento, mas já haviam contactado uma suplente. Chorei compulsivamente por duas semanas, até que as lágrimas secaram, insistindo cair vez ou outra, quando encontro com desavisados ou interessados de plantão ao me perguntarem sobre... (as pessoas não têm culpa da curiosidade-natural. A vida moderna está tão exposta às redes sociais que se criam laços invisíveis e inóspitos, ainda mais para os que trabalham com Blog´s). Resolvi tirar férias de mim mesma, buscando o único lugar dessa cidade em que me sinto confortável para ser quem sou - melancólica, colérica, e - por que não? - corajosa. O não também é um ato de coragem.

Arrependi-me amargamente e pretendo tentar o próximo edital. Para não sofrer de loucura ou tristeza excessiva, iniciei alguns projetos: consegui um trabalho em um colégio público-estadual da região; "engatei"- com marcha cinco - a tardia volta às aulas de direção e resolvi aprender a nadar. Esse último item, aprender a nadar, é a minha retaliação, ou castigo, por haver desistido da minha viagem à terra dos jacarés. Aos interessados, a dica está dada: meu destino ligou-se por alguns meses à terra nova-formato-de jacaré. Pois bem. Para meu auto-flagelo, acordo duas vezes por semana para ir às aulas de natação. Vou aprender, ainda que custe, ainda que com medo d'água, ainda que com o frio absurdo do maio que se apresenta, a nadar. Hoje foi minha primeira aula e consegui - finalmente - prender a respiração por longos segundos e tocar os pés com as mãos, concomitantemente, dentro da piscina. Apenas isso, leitor! Mas o necessário para que uma profunda alegria me viesse, dessas de criança com seu ovo de Páscoa.

Distribuí ovos de Páscoa aos meus pais, companheiro e a alguns amigos. Aqueles que cruzaram o meu caminho no ano passado presencialmente. Estava muito carente de amigos e acredito no poder do chocolate (principalmente o do branco, meu preferido): o de adocicar as almas e as dores.

Sobre o colégio novo, uma graça: o anterior também o era, mas agora...sinto-me mais preparada e, de alguma forma, amada. Gostei muito da estrutura da escola e de todos os alunos, sem exceções. Enquanto sujeitos em formação são dóceis, amáveis, leais. Enquanto grupo, "algazarrantes": mal consigo controlar a sala de aula mas, cá entre nós, não creio que seja essa a minha principal função. Aliás, não passa de um teste: desconfio de que não tenha vocação para professora, se isso significar expulsões da sala de aula, ocorrências e xingamentos explícitos. Quero lecionar para quem tenha a vontade e a liberdade de aprender.  Com relação ao salário, não consideraram meu título de mestre, o que me deixou bastante apreensiva e frustrada. Dois anos turbulentos que, até então, não me valeram de nada. Por essa razão, continuo enviando currículos para alguns lugares, buscando informações sobre leitorados, sobre a verdade ou semi-verdade referente às punições daqueles que desistiram da viagem em quase última hora. 

Eu não: calculei tudo em dias para não prejudicar o meu ou minha suplente (cujo nome prefiro não saber, embora desconfie). Isso porque quero tentar de novo. Portanto, dentre as atividades comentadas acima, dedico-me também ao estudo de línguas, por conta própria, e também o da Teoria Literária. Quero melhorar o currículo para um novo leitorado, uma nova chance (porque os seres humanos podem e devem se arrepender de suas más ou boas escolhas, ou a vida não seria vivida). Ao mesmo tempo, esse esforço contribui para um currículo melhor e assim, talvez, um possível doutorado para 2015. Já escolhi a instituição, mas o nome - esse não nos interessa. O que nos vale, neste momento, é que estamos em 2014, portanto: aulas de natação, direção, espanhol, inglês, teoria literária, muito trabalho...e um pouco de doçura nas horas vagas. Certo rapaz disse-me hoje que meu excesso de doçura repentina pode ser uma espécie de compensação patológica. Vejamos o que tal significa:

"Mecanismo de contra-investimento e de harmonização psicológica frente às deficiências reais ou imaginárias, ou seja: de bloqueio do retorno das insatisfações, de sentimentos de inferioridade, de menos valia recalcados no pré-consciente ou no inconsciente  produzindo ações persistentes de contra-investimento para vencer aquilo que afeta de alguma maneira o indivíduo." *


Ok! Compensação ou não, importante é que fiz cinco crianças felizes, cinco adultos acarinhados, três amigas mais gordas (falta uma...a que me deu um bolo nesta semana, mas já a perdoei), um namorado contente, uma senhora-fantástica mais acolhida em minha vida - e um cão mais feliz. Compensação ou não, senti-me compensada foi pelos ovos de chocolate que também ganhei, além de um lindo coelhinho azul, presente de uma amiga e cujo nome, dado por mim, é Bento. Sendo a vida tão amarga, normalmente, penso que um pedaço de chocolate se não preenche o estômago, preenche um pedaço de alma. Nada melhor do que ser lembrado em "tempos de cólera". A psicanálise desconsidera um elemento metafísico superior à ciência: a vontade consciente. Eu, que tenho idade mental infantil, prezo festas de aniversários, ovos de Páscoa e sempre enxerguei uma jiboia ingerindo um elefante em Exupéry (Embora seja apaixonada por Voo Noturno, 1931). Um dia, reescrevo o porquê.

Assim, do outro lado da fama, escassas são as casas muito engraçadas, das que não têm teto ou nada e ninguém podia fazer pipi; tampouco as rosas preferidas pelos beija-flores são assim "esculturais", formadas em tela deslumbrante e bela. Do outro lado da fama, resta-nos apenas  uma boa média que não seja requentada e um cigarro vagabundo para espantar os mosquitos. 

Não foi desta vez, mas tudo bem. Ganhei um globo terrestre do meu pai, a fim de lembrar que o mundo ainda é grande e de que há países cujo nome nem sei.

Amanhã, um almoço na casa dos "amigos casais"; sexta, aniversário de casamento dos meus pais; sábado, corte de cabelo com a mulher que poderia haver sido - mas não foi - minha cunhada. Entre coisa e outra, corrigir a dissertação de mestrado e continuar... para qualquer canto. 

O que reclamo a Deus, diariamente, não é que o príncipe se tornou um chato - que vive dando no meu saco. Eu peço à vida a não mediocridade, a não amargura, o não conformismo. De tantos colegas com quem "cruzei" nestes dias, alguns defendiam veementemente a atuação da polícia militar carioca - no caso do jovem dançarino e em outros citados anteriormente. Ouvir isso de um formador de opiniões é o mesmo que estar de mãos atadas diante do apedrejamento de um inocente...

Não: eu não nasci para isso.

O que peço a Deus, pelo menos até o mês de agosto/setembro - saindo do altruísmo e chegando ao egoísmo - é um pouco de malandragem. Uma segunda chance e um trabalho que valorize a gastrite nervosa desenvolvida nos últimos dois anos de mestrado. 

No mais: Qual foi o resultado do futebol....?
- Viva o Atlético de Madrid e um beijo na testa do Arda Turan, meu preferido!

....
fonte:http://pt.shvoong.com/social-sciences/psychology/2208404-defesa-ps%C3%ADquica-compensa%C3%A7%C3%A3o/


2 comentários:

  1. Você deveria ter uma coluna em algum jornal, talvez tentar jornalismo ao invés de medicina; Possibilities... :)

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