sábado, 23 de março de 2013

Do Poquêr ao Buraco

"Eu queria tanto encontrar

Uma pessoa como eu

A quem eu possa confessar

Alguma coisa sobre mim"

(Pato FU - Eu)
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Meu atual namorado, embora profundamente ateu (é o que ele diz), gosta de astrologia e tem como guru certo "figurão" italiano chamado Paulo Fox. Desde o fim do ano passado, Paulo Fox avisou-nos em recente obra que 2013 seria o ano do Escorpião (a saber, meu signo - com ascendente em Áries). Portanto, as portas do universo se abrirão para mim, iniciando um período fértil de boa fortuna a que durará  cinco anos.
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Também uma vidente russa que conheci em Buenos Aires - viagem na que fui só,  mas voltei junto a mil ideias - disse-me quase o mesmo. Anunciou-me 2013 como o ano da Vitória, entre outras coisas.....
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Daqui a cinco, terei trinta e dois anos. Quando criança, achava que aos vinte e cinco já seria mulher, com trabalho, marido, casa para cuidar. Então veio a revolução feminista e desconstruiu parte do sonho; daí veio o que sou e desconstruiu o que havia restado.
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Aos treze, fui a um vidente: "Você se formará em uma coisa, mas acabará trabalhando em outra muito diferente. Ah! Você se casará com alguém bem mais velho que você". Sempre gostei de vaticínios e até por isso jogo tarot para os amigos. Ultimamente tenho acertado muito; ultimamente, isto é, há dois meses.....depois que vaticinei que meu namorado passaria num concurso público, embora com muitos "contras" e que meu pai seguiria enfermo por bom tempo, decidi parar de jogar.
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Toda essa introdução deu-se para o abrir espaço. Queria jogar uma bomba em meu local de trabalho. Não tendo meios e coragem, escrevo (certamente nenhum colega de trabalho ou "superior" passa por aqui).
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O ano de 2013 começou pessimamente. Minha única alegria é a de saber que meu pai está vivo...Todo o restante, eu disse TODO o restante, poderia ser jogado em buraco profundo, sem quinhão de luz.
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Hoje descobri, por ejemplo, uma "omissão" de certa pessoa amada....ele sabe...não o perdoarei. A fim de não perder o amor, se ainda valer a pena, hei de contornar, mas esta, esta não perdoarei, nunca. Porém, isto é apenas sopro; a chama já estava ardendo há semanas, o que já é outro assunto.
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"Era uma vez O LOUCO

O Louco procurava um trabalho....queria ser......vejamos......queria plantar batatas, mas precisava de alguém para ajudá-lo. Tinha certo dom para o plantio de qualquer coisa (desde que houvesse interesse), mas nunca plantou batatas; logo, procurou um especialista: O Rei de Copas.  Tendo um plano B, o Louco possuía em mente pedir ajuda ao Rei de Paus, caso Copas não se interessasse mais por batatas. 
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O Rei de Copas negou-se, em primeiro momento, a ajudar o Louco, comunicando à Dama de Ouro que o fizesse. Esta dama - a de ouro - possui coração grande, gracioso, compatível com o naipe que a representa. Mas nunca plantou batata. Plantou cerejas, poderia ajudá-lo na arte do plantio, porém....e as dúvidas sobre o manuseio das batatas?
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Então, semanas depois, o Rei de Paus decide , em conferência, dizer que ajudaria o Louco, se este quisesse. Ele queria, mas para fazê-lo abdicaria de uma série de coisas, assumiria uma série de problemas nos quais não quis se envolver, pois o rótulo da loucura já lhe havia sido dado.
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Pois bem. Tentou negociar com a Dama de Ouro, que se negou a aliar-se a Paus no plantio das batatas. Isto porque, em sigilo, Copas já a havia dito que ajudaria Dama e Louco, porém como segundo encarregado (sabe-se lá por quê).
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Louco de raiva, O Louco deixou esta conversa pra lá, porque há coisas além de batatas a serem plantadas no terreno da vida.
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Mas um ano se passou. Chegou o momento da plantação e a Dama - a de coração grande - disse-lhe que não sabe plantar batatas, e propõe que plantassem inhames. O Louco se recusa. Dama fica insatisfeita, porque tampouco gostaria da ajuda de Copas, Paus ou Espadas, caso houvesse um. O Louco, pobre, escuta tudo em silêncio e se dá conta de que terá muitos problemas vindouros. Ou ele entra neste jogo de Pôquer ou vai acabar no Buraco.
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O Louco não está para Buraco, tampouco Pôquer. Vai se ferrar porque é Louco e não tem paciência para naipes superiores; nunca pretendeu ser um. Gosta apenas de plantar batatas, sua única vontade pontual (não chega a ser sonho).
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Então, simultaneamente, O Louco teve uma discussão inesperada com a Dama de Espada, a que do nada surgiu em sua vida. Esbravejando, disse ao Louco que este não tinha interesse por plantação de morangos: chega sempre atrasado em suas aulas, não entrega trabalhos, não demonstra interesse. O Louco, contudo, argumentou mostrando o contrário: gosta de morangos e os plantaria se já não estivesse louco por batatas. No fim das contas, ambos perceberam que o problema era pessoal. A Dama de Espada fez má ideia do Louco, apenas porque ele disse algo que não disse. A discussão repercutiu no ordenado do Louco, que foi cortado pela Dama de Espada. (É que o louco tem uma série de patrões: todas as demais cartas, praticamente, influenciam em seu ordenado, já pequeníssimo).
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Não obstante, surgiu a Dama de Copas que também cortou parte do seu ordenado, por alguma razão misteriosa. Possivelmente, porque O Louco, depois de longo caminhar, descobriu que não quer ensinar Literatura em escolas; ele só quer  plantar batatas.
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Então, na semana seguinte, em conversa com a Dama de Ouro - a superior mor- esta disse que o Louco devia ter cuidado com o jogo da vida e desconstruir o rótulo que lhe foi dado pelas demais cartas.
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Só para complicar, havia também certo Valete. Embora respeitasse às damas, gostava das aulas do Valente de Espadas em especial. Não sabe bem por quê. Valete de Espadas ensinava como plantar Abiu. O Louco nunca viu um Abiu, que é uma planta de região longínqua  ( O Louco sempre viveu no sudeste); mas, gostava tanto das aulas do Valete que esforçou-se ao máximo para que, ao menos, compreendesse a gênese do plantio de Abiu, realizando assim um medíocre ou bom trabalho final.
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Esforçar-se ao máximo para O Louco é um esforço particular. O Louco gosta de estudar e escrever; contudo, por desorganização vital e patológica perde prazos e não se encaixa nos padrões da "Academia do baralho". Não é como as demais cartas "brancas", tão queridas, mas que são o que são, como ele é o que somos. Brancas ou não, todos são bons no que tem de melhor. Comparar um 2 de Espada com um Louco é justo para certas coisas, mais injusto para outras.
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Voltando, embora quisesse plantar batatas, estudou o plantio de Abiu. Obviamente que o fez de última hora, com o equilíbrio desequilibrado de sempre (Ora, quem suportaria um reino com tantos Reis, Damas, Valetes? Alguns que não se bicam, outros que o fingem; alguns alheios a tudo e a todos....). Pois bem! Plantou o melhor Abiu de toda sua vida e, realizou-se. Dias depois, soube que - assim como Dama de Espada e Copas - o Valete, seu preferido, também cortou o tal ordenado. Louco  enviou um ofício (intermediado por pomba) ao Valete que, possivelmente, lhe dará uma resposta obvia, arrasando-o.
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Louco só deseja uma vida tranquila, plantando batatas. Por temperamento ou azar, perde-se em meio aos grandes naipes, que por grandeza, desconhecem as leis idiossincráticas. O Louco também é muito bonito e charmoso, o que faz com que as atenções da Academia se voltem para ele (....dizem).
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Mas nem tudo é desconcerto. Há por exemplo Az de Copas, favorita do Louco, cuja alma, generosidade e intelecto são demasiados grandes para serem compreendidos naquele lugar. Há os que, apesar dos pesares (pois são cartas tão humanas), admitem suas limitações e se humanizam. Por outro lado, há o ego, a vaidade, o rancor, a politicagem e a falta de vontade do Louco em ter uma promoção de naipe.
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De qualquer forma, com seu atual-medíocre-ordenado, dificilmente chegará a qualquer lugar da Academia.

FIM" 
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Finalizo dizendo que sinto profunda inveja daqueles que sabem o para que vem e  estão. Daqueles que se deslumbram com o que produzem (ou compram); daqueles  que sonham, ardem. Que têm a sorte de terem consigo lugar,hora, pessoa certa; Que trazem nas veias esforço ou dom ou malandragem ou puxa saquismo ou brilhantismo ou tudo ao mesmo tempo.
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Mas, confesso: Gosto do Louco, ele sim me representa e um brinde aos rótulos!

3 comentários:

  1. Ai, nem li tudo, mas pelo último parágrafo, me identifiquei!!
    Vamos ser amigas???? ^^
    quero saber o que aconteceu na sua vida depois... deu certo? a vida?

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  2. Thais! Obrigada pela leitura! Há dois meses essa situação chegou ao fim - do buraco ao pôquer! haha...deu tudo certo! Agora só resta entregar a versão final de toda essa loucura (sim, falava sobre o meu mestrado na época).
    QUanto ao jogo da vida, 2014 começou muito bem até que, de repente, uma mudança de percurso! Mas como quase tudo passa, segundo Paulo Fox e outros....vamos ver o que acontece...hehe....grande beijo!

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  3. olá! Voltando depois de muitos tempos... espero que tenha vingado o seu mestrado e rendido bons frutos ^^ por aqui o jogo também virou, para o bem, e os ventos vêm trazendo boas novidades. Sucesso pra ti!

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