quinta-feira, 13 de junho de 2013

Liberdade ainda que tardia

*Arquivo "tarjetas ofensivas pero divertidas".
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(ou fragmento de facebook III - dedicado a uma amiga).



Uma pessoa só é livre quando vence o medo do ridículo. Não há intelecto-causa-literatura-bandeira-verdade-mentira que resista a um bom peido em hora imprópria ou crise de caganeiras. Só o vexame público te liberta da escravidão; só quem supera o ridículo, humoriza o ridículo, reconhece-se como tal, humanamente pequeno, é livre suficiente para as ditas "coisas admiráveis" da vida (se é que existem). 

Já acreditei que fosse Joana Darc, Dom Luciano Mendes, Emília - a boneca; já fui cantora de ópera em seminário religioso, à beira de uma piscina imaginária; já vaticinei a homossexualidade de dois policiais civis e de um enfermeiro marianense em noite de sonambulismo. Já fui amiga íntima dos Cavaleiros do Zodíaco, sendo eu a quarta reencarnação da deusa Atena, aos dez. Conversava, desde pequena, com as manchas coloridas do meu astigmatismo; acreditava que uma bruxa vivia encapuzada numa lona preta que cobria a porta dos fundos da minha casa; já desci ao fundo do poço. Chamaram-me de louca. Visitavam-me em casa a fim de que me convertessem em meu contrário "religioso" (não direi qual). Entrei em coma por um dia. Já me declarei inúmeras vezes. Já tive a saia levantada pelo vento enquanto passava em frente a uma oficina mecânica. Bati papo com o Hanson, duas vezes, em inglês. Disse ao Marcelo Camelo que seu álbum "SOU" estava muito caro e por isso não o compraria. Tive uma crise de caganeira numa reunião de trabalho e também festa junina, onde sujei todo um quarto e colchão com minha própria merda. O quarto era de um ex ficante. Limpei tudo sozinha, mas lençóis e cobertores levei como trouxa de roupa para que mamãe os lavasse, já que o depósito fecal era demasiado para minha escassa habilidade com tanquinhos. Pensei que nunca sobreviveria a tal evento...Mas cá estou! Escrevi uma monografia de 120 páginas tornando-me a chacota do meu departamento... (o limite era de sessenta páginas, porém soube tarde demais.....). Já entreguei trabalhos com erros virais de digitação, justo para aquele professor a quem tentava impressionar...Aliás, dos quatorze aos vinte e sete já me apaixonei por vários professores e não obstante, casei-me com um. Já caí em tour piquet no meio de um palco (mas em seguida fui ovacionada em quinze fouetées perfeitos). Já fui a outra cidade com a camisa ao contrário. Já tive o soutien estourado em meio a uma festa infantil. Falo com minha sogra por telefone mensalmente, ainda que ela não saiba português e tampouco eu espanhol. Já me vesti de banana,  Imperatriz Russa e Bule. Já cantei "Meu bem você me dá: água na boca" no meio de um bar e desfilei, em sapatilhas de ponta, pela cidade de Ponte Nova  em marcha pela juventude. Descobri que o amor da minha vida tinha outros dois amores da "sua" vida concomitantemente a minha existência. Para me vingar, convidei a "uma das moças" para uma noite de "buteco", a fim de descobrir toda a verdade. Saí de lá "acabada", mas cheia de boas histórias inimagináveis. Levei um pé na bunda de outro amor da minha vida, um que não vingou. Além deste, tive outros seis amores. J, R1 e G se casaram; R2 está noivo e R3 faleceu. T é de Taylor Hanson. Quando adolescente, uma amiga e eu saímos pelas casas do nosso bairro, em São Paulo, pedindo doações de calcinha para uma mendiga quando nos acusaram de "macumbeiras" por prática de vudu (segundo a senhorinha, queríamos a calcinha dela para que roubássemos seu precioso marido). Quando criança, meus pais pediam que cantasse "Como uma deusaaa....." às visitas que recebíamos. Queimei a perna em festa de bebida liberada e ao ajudar o entregador de compras. Sou fotossensível e bipolar. Escrevi uma carta de amor que nunca será respondida. Amei meu irmão caçula de tal forma que não suportava a ideia de que fosse superiormente correspondida.  Usei botinha ortopédica. Fiz parte do clube "três primos virgens do cursinho GOMO*". Jogo Criminal Case. Quero ser escritora, bailarina, médica e mãe.
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Acreditei em Papai Noel até os nove anos e nunca entendi o funcionamento de um semáforo. Existiria um mini-homem responsável pela mudança das cores em cada uma daquelas caixinhas? Como um pequeno polegar?
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Liberdade ainda que tardia, queridos.

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