sábado, 19 de janeiro de 2013

Balada da princesa rebelde

Unhas. Domínio público.

Às senhoras mais amadas

(Chega a matriarca)

Veja bem mamãe:
Não me interessam esmaltes,
Não gosto de fazer unhas,
Gosto é de comê-las todas
(O estômago é meu),
Finas, finíssimas, pontiagudas,
Despontadas, quebradas, encravadas.

Não gosto de manicures,
Não gasto dinheiro em salão;
Já são tantas as dores da carne,
Que evito-as sem grande embaraço.

Inconformada, retrucou-me:
- Homem nenhum quer mulher assim -
Desalinhada,
Desatinada, 
Desvairada,
Descaprichada,
Desasseada, 
Destrambelhada, 
Desnorteada, 
Desmaquiada,
Des-mulher,
Des-feminina, 
Des-florificada. 


(Chega a tia)

Veja bem tia:
Não gosto de chapinhas e alisamentos,
Gosto é de cabelo natural
(Como o meu, sem falsa modéstia),
Crespos, encaracolados, aninhados,
armados, bifurcados, triplicados.

Não gosto de cabeleireiros,
Não gasto dinheiro em salão,
Uso shampoo barato (Colorama)
à base de água e sabão.

Ainda assim, dizem as más línguas
Que caminho flutuando pelas ruas,
Que meu pelo brilha como estrela,
Que meu cabelo odoriza coco e espuma.

Inconformada, retrucou-me:
- Homem nenhum quer mulher assim -
Quando acordares tarde será,
Passa uma base nessa unha,
Agenda um horário no One Day Spa,
Compra uma saia dessas da moda,
Verás que linda há de ficar.

(Chega a consultora Mary Kay 
e a paciência se esgota)

Veja bem, moça bonita:
Não tenho dinheiro hoje,
Nem amanhã, tampouco depois.
Volte no início do mês,
Com revista, maquiagem e agrado,
Prometo escolher alguma prenda barata,
Se é que existe.

Inconformada, retrucou-me (em pensamento):
- Mão de vaca!

FIM


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