quarta-feira, 10 de maio de 2017

GRANA...

                           
“No sé si llamé cielo a esta tierra que piso, si esto de abajo es el paraíso ¿Qué será la Alhambra, cielo?”
 Lope de Vega

 Por el agua de Granada, sólo reman los suspiros" 
Federico García Lorca



...Realmente, meu amigo, é preciso mais que saudade e amor para voltar a realizar algo que nos pareça difícil ou impossível. Em uma brincadeira de Facebook, uma amiga afirmou que meu hogar* no mundo seria Granada. Nunca lhe havia dito, até então, sobre a identificação sentida com aquele lugar, sobretudo Alhambra... Mas essas coincidências bobas se tornam engraçadas, não?

A primeira vez em que assisti ao meu preferido do Woddy, Vicky Chistina Barcelona (talvez não seja o melhor, porém é o meu predileto), há nele uns cinco segundos em que Vicky ouve "Granada" de Albeniz e aquela canção ficou em minha memória por anos e anos a fio, até que certo dia descobri seu nome. Outra coincidência, dessas tolas, é a que desde criança ouço Astúrias... Outra suíte pela qual sou apaixonada, desde menina... Mas só na idade adulta descobri seu nome. O mesmo ocorreu com Cuba, a que descobri há cerca de um mês ter sido criada pelo mesmo musicista. A vida me apresenta as músicas: um amigo e o acaso os seus nomes. Mas é curioso que haja uma ligação tão forte entre mim e todos eles.

Todos os nomes.

Voltando a Granada. Fiz uma viagem até lá no ano de 2015. Viagem um pouco tumultuada, poucos dias para se descobrir um emaranhado de vidas. Mas em meio a venturas e desventuras, desabrocharam alguns amores-perfeitos também naquela terra... Sobretudo em Alhambra. Incrível como me senti parte dela.

A propósito, Amor-perfeito foi a minha flor preferida em toda a minha adolescência, até a chegada do Girassol. O motivo é igualmente adolescente  e tema para outro texto, mas bem... Costumava eu cultivá-los em casa ou ganhá-los de amigos e dos meus pais naquela época. Porém, nunca presenciei alguns tão belos quanto os amores de Granada. 

Houve outros momentos... Os curtos passeios por suas ruas, os encontros com os ciganos e demais pessoas. Parece que a minha vida, de certa forma, cabia na palma daquela imagem metonímica: Todas as minhas músicas, todas as minhas referências, da infância aos dias de hoje. E sei que se pesquisar mais, haverá ainda outras a fim de me provar tal acerto: Existem certos amores inexplicáveis (Mas não acredito em vidas passadas). 

A viagem em si pela Europa naqueles dezoito dias pode me remeter a inúmeras leituras. É tão difícil conhecer o outro em uma vida inteira, quem dirá em dezoito instantes. O outro é uma cidade ou um país. Contudo, alguns dos momentos mais felizes da minha experiência vital se condensaram em alguns deles. 

Conforme disse no início do post, saudade e amor são insuficientes para realizar coisas difíceis. É possível que nunca mais veja aquele céu e, se um dia o vir, será talvez com outros olhos, caso de mim esse tempo em muito se afaste. Amor há, saudade também. Falta-me grana à Granada. Enquanto isso, recordo-a, vez ou outra, através das facilidades virtuais: Fotos, músicas, textos (também fílmicos). Ainda sobre Vicky Cristina Barcelona, penso que das três estou (ou sou?) mais para Maria Elena, cujo nome no título não está, mas é a ligação entre os demais, nas entrelinhas. Há também outra coincidência nisso, motivo para outro post, o qual nada teria de ficcional, então opto por não escrevê-lo. 

O meu olhar - no entanto - foi o de Vicky ao ouvir a canção de Albeniz. Olhar de encantamento. Mas tanto Astúrias quanto Cuba são destinos os quais  pretendo conhecer. 

Já Granada... É como se nela tivesse vivido por muitos anos.

Deixo a vocês, leitores, não as minhas fotos pessoais, mas as canções as que me levam ainda nela. Não preciso dizer qual a minha preferida. Seria muito óbvio. Deixo-lhes também uma observação: Sobre a mesma viagem à Espanha (e a Portugal), há um post de 2015 que, se não me engano, chama-se Carta para Sofia. Nunca mais o li e não pretendo. Mas caso se interessem, deve ser simples encontrá-lo nos arquivos de Sofia.

Bom amanhecer, leitores!
Quanto a mim, não se preocupem: adormeço tarde mas desperto cedo. 





Fonte: Arquivos pessoais e youtube.
*hogar: lar.

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